Pesquisa aponta nova pista sobre a origem da vida na Terra
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Uma nova pesquisa publicada em 20 de janeiro na revista Nature Astronomy mostra que podemos ter novas possibilidades para explicar a origem da vida na Terra. Com isso, cientistas podem até mesmo direcionar suas pesquisas para a busca de vida extraterrestre.
Origem da vida
O que se sabe é que a vida primitiva evoluiu a partir de uma grande mistura de moléculas prebióticas, que incluíam aminoácidos, açúcares básicos e RNA. Porém, uma grande dúvida permanecia: como esses compostos iniciais simples se formaram?
É então que uma das novas hipóteses científicas propõe a origem de algumas dessas moléculas no espaço sideral. Quem apresenta essa ideia é o autor principal do estudo e pesquisador dinamarquês, Alfred Hopkinson. Ele explica que, possivelmente, somente após já estarem formadas no espaço é que essas moléculas chegaram à Terra primitiva por meio do impacto de meteoritos.
Registros de aminoácidos
De acordo com informações da revista Live Science, um dos exemplos de aminoácidos mais simples, a glicina, já foi diversas vezes detectada em amostras de cometas e meteoritos nos últimos 50 anos. Registros dela foram encontrados até em amostras de poeira do asteroide Bennu, coletadas durante a missão OSIRIS-REx (2016-2023), da NASA.
Porém, algo que ainda não havia sido detectado em nenhum desses corpos extraterrestres eram as unidades de dipeptídeos mais complexas. Mas como nada é impossível no espaço interestelar, as condições intensamente ionizantes de lá podem dar origem a reações químicas incomuns, capazes de formar essas moléculas maiores.
Se os aminoácidos pudessem se unir no espaço e atingir o próximo nível de complexidade [dipeptídeos], ao serem levados para a superfície de um planeta, teríamos um ponto de partida ainda mais promissor para a formação da vida”, disse Hopkinson à revista Live Science. “É uma teoria muito empolgante, e queríamos descobrir qual é o limite de complexidade que essas moléculas poderiam formar no espaço.”
Recriando o universo
Com o objetivo de recriar as condições do espaço sideral, a equipe liderada pelo astrofísico Sergio Ioppolo utilizou a instalação de ciclotron HUN-REN Atomki, na Hungria. A meta era criar um ‘simulador de espaço’ em laboratório, congelando a substância chamada glicina a temperaturas extremamente baixas e no vácuo.
A partir disso, bombardearam esse gelo com partículas de alta energia para imitar a radiação espacial e, em seguida, usaram equipamentos especiais para observar, em tempo real, quais novas moléculas orgânicas (blocos de construção da vida) se formavam nessa reação.
Para rastrear exatamente como as moléculas interagiam, os cientistas utilizaram marcadores de deutério (um átomo de hidrogênio mais pesado). O resultado confirmou a hipótese inicial: a glicina reagiu na presença de radiação para formar um dipeptídeo chamado glicilglicina. Isso provou que compostos contendo ligações peptídicas podem, de fato, se formar de maneira espontânea no espaço.
Surpresas químicas
Além disso, o experimento identificou sinais de N-formilglicinamida, uma molécula vital para enzimas ligadas à formação do DNA. Para Hopkinson, essa descoberta pode transformar nossa compreensão sobre o início da vida no planeta.
O próximo passo da equipe é testar outros aminoácidos para descobrir se o ambiente espacial é capaz de gerar compostos ainda mais complexos e variados.