Chip que ajuda a restaurar parcialmente a cegueira é lançado; saiba mais
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Recuperar parte da visão após uma doença considerada irreversível parecia, até pouco tempo atrás, um objetivo distante. Agora, um novo chip desenvolvido para pessoas com degeneração macular relacionada à idade representa um dos avanços mais promissores da oftalmologia moderna.
Chamado PRIMA, o sistema acaba de receber aprovação para uso na União Europeia e será comercializado em países do bloco. A tecnologia combina um minúsculo implante de retina com óculos equipados com câmera para devolver parte da visão central a pessoas que perderam essa capacidade em decorrência da doença.
Os resultados obtidos nos estudos clínicos chamaram a atenção da comunidade científica por demonstrarem melhora significativa na capacidade de leitura e no reconhecimento de detalhes do cotidiano.
Como funciona o implante?
O coração da tecnologia é um chip de silício de apenas 2 milímetros, implantado na retina por meio de um procedimento cirúrgico. Mais fino do que um fio de cabelo, ele foi desenvolvido para substituir parcialmente a função das células danificadas pela degeneração macular.
Um diferencial do sistema é que o chip não precisa de bateria nem de fios: ele se alimenta da própria luz projetada pelos óculos. Além disso, o usuário pode ajustar recursos como zoom e contraste para facilitar atividades como leitura e identificação de objetos.
Avanço para quem perdeu a visão central
A tecnologia foi desenvolvida para pessoas com degeneração macular relacionada à idade (DMRI), uma das principais causas de perda de visão em idosos. A doença compromete a mácula, região central da retina responsável pela visão de detalhes, leitura e reconhecimento de rostos. Com a progressão do quadro, tarefas simples passam a se tornar extremamente difíceis.
Os resultados dos estudos
A aprovação do PRIMA na Europa baseou-se em um estudo publicado no The New England Journal of Medicine, considerado um dos periódicos médicos mais importantes do mundo.
A pesquisa acompanhou 38 pacientes com atrofia geográfica – estágio avançado da degeneração macular – em 17 hospitais distribuídos por cinco países europeus. Desses participantes, 32 completaram um ano de acompanhamento. Os resultados mostraram que:
- 26 pacientes apresentaram melhora clinicamente significativa da acuidade visual;
- 27 relataram utilizar o dispositivo em casa para ler letras, números e palavras;
- Em média, os participantes passaram a identificar 25 letras a mais nas tabelas oftalmológicas, o equivalente a cerca de cinco linhas de ganho;
- Mais de 80% conseguiram recuperar a capacidade de ler letras e palavras;
- A visão periférica permaneceu preservada em todos os voluntários.
Durante o estudo, alguns pacientes relataram conseguir voltar a ler páginas de livros, algo que havia deixado de ser possível após a perda da visão central.
O que vem pela frente?
Um dos principais objetivos da próxima geração da tecnologia é permitir que os pacientes consigam reconhecer rostos e expressões faciais com mais facilidade.
Por enquanto, o PRIMA está aprovado apenas na União Europeia e também passa por avaliação das autoridades regulatórias dos Estados Unidos. Ainda não há previsão para análise do dispositivo pelos órgãos responsáveis no Brasil.
Mesmo sem restaurar completamente a visão, o implante representa uma mudança importante para pessoas que convivem com a cegueira central, oferecendo mais independência e qualidade de vida por meio de uma tecnologia que, há poucos anos, parecia pertencer apenas à ficção científica.
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