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Diretrizes orientam sobre uso consciente de telas por crianças e adolescentes
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Diretrizes orientam sobre uso consciente de telas por crianças e adolescentes

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Bons Fluidos
18/03/2026 00h30
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O uso excessivo de celulares e dispositivos eletrônicos por crianças e jovens se tornou uma das maiores preocupações de autoridades de saúde. Dois documentos publicados recentemente por sociedades médicas do Brasil e dos Estados Unidos se posicionam fortemente contra o uso de telas, com tolerância zero para bebês menores de 2 anos, e endossam evidências de que essas tecnologias podem causar dependência nos pequenos.

Um deles é o manual de orientações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), divulgado em dezembro de 2025. Esse documento explica como pediatras podem aplicar o Estatuto da Criança e do Adolescente Digital (ECA Digital). A lei, por sua vez, estabelece boas práticas para crianças na internet e entra em vigor nesta terça-feira (17). Já nos EUA, a Academia Americana de Pediatria (AAP) publicou em fevereiro uma declaração sobre a relação de crianças e jovens com os ecossistemas digitais.

Tanto o documento da academia brasileira quanto o da estadunidense concordam que é preciso restringir o uso das redes sociais para crianças, inclusive com barreiras que as impeçam de usar as plataformas antes do limite de idade permitido. Ademais, ambas reforçam que apenas controlar o tempo de exposição não basta: é preciso atentar-se também à qualidade do conteúdo exibido.

Malefícios do uso

Muitos médicos já observam consequências práticas do desequilíbrio nessa relação. “O uso prolongado e não supervisionado das telas interfere tanto na saúde do organismo, levando ao sedentarismo e ao comprometimento dos ciclos de sono e dos hormônios que são diretamente vinculados a eles, como também expõe crianças e jovens a conteúdos potencialmente perigosos, que têm levado a transtornos alimentares, ansiedade e até o cometimento de atos de violência contra si mesmo ou contra o outro”, alerta a pediatra Evelyn Eisenstein, coordenadora do Grupo de Trabalho de Saúde Digital da SBP.

Para coibir esses impactos, as duas sociedades aconselham que pais e profissionais de saúde monitorem diversos aspectos do uso de telas por menores. Em um manual publicado em 2024, a SBP orienta o foco em uma série de quatro letras C: o conteúdo ao qual as crianças estão tendo acesso; os tipos de contato com outras pessoas através da internet; que conduta as crianças têm, evitando casos de trolagem e bullying; e, por fim, que contratos se estabelecem com as corporações, incluindo um alerta ao uso indevido de bets e sites de aposta por menores de idade.

Uso consciente de telas

Os guias também apresentam recomendações de uso de dispositivos digitais por faixa etária. Em linhas gerais, para crianças com menos de 2 anos, a orientação permanece a ausência total de telas. “É sobre os bebês que o impacto é mais sensível, pois é nessa faixa etária que estamos desenvolvendo nossas ferramentas de linguagem. Já temos encarado nos consultórios crianças com comprometimento de suas capacidades comunicativas e de seus níveis de atenção por uma exposição muito precoce às telas”, relata Eisenstein.

Os primeiros contatos devem ocorrer entre os 2 e os 5 anos, quando o uso diário deve ser de, no máximo, uma hora por dia. O conteúdo disponibilizado precisa respeitar a classificação indicativa, e é desejável que a criança esteja acompanhada de um adulto durante todo o tempo. Após o início da idade escolar, o limite passa a ser de duas horas diárias, incluindo o tempo para estudo. Já adolescentes podem ter até cinco horas por dia de exposição, evitando o período noturno e garantindo o monitoramento do uso.

Controle de riscos

Desconectar-se das telas, porém, pode não ser fácil num mundo em que tudo se concentra no smartphone. Por isso, o documento da AAP se refere à ideia de ecossistema digital. Essa tática defende que o controle de risco não seja apenas como uma responsabilidade de médicos ou pais. Isso porque pede também que governos e corporações se engajem em estabelecer limites sólidos que protejam os usuários.

“Não se trata de incentivar um isolamento, temos que aprender a usar as tecnologias, mas com sabedoria e regulação. Devemos ainda assumir estamos diante de um problema social de responsabilidade compartilhada. Bloquear e remover conteúdos danosos, perigosos e criminosos deve ser uma cobrança de todos: governos, corporações e pais conscientes”, aconselha a coordenadora do SBP.

No Brasil, o ECA Digital exige que as empresas responsáveis pelas plataformas criem ferramentas de verificação de idade precisas e apresentem relatórios semestrais de auditoria sobre a moderação do conteúdo exibido ao público infantojuvenil.

Como avaliar se o conteúdo é benéfico

Para que os pais possam assumir uma postura consciente e avaliar corretamente o conteúdo que seus filhos estão consumindo na internet, Zoldan aconselha fazer algumas perguntas simples. “Pense se esse conteúdo é adequado para a idade da criança, se tem uma classificação indicativa. Em seguida, reflita se ele estimula a aprendizagem ou apenas é feito para o consumo passivo. Além disso, avalie se o conteúdo está disponível em uma plataforma com excesso de publicidade. Veja também se ocorre a reprodução automática de mais conteúdo após o fim daquele”, propõe. “Além disso, é preciso conversar com a criança sobre o que está sendo assistido e socializar aquele uso de telas. Fazer perguntas e estimular o pensamento crítico é o que vai ajudar num consumo mais saudável.”

Ao reconhecer que há sinais de dependência, como consumo escondido, choro e agressividade constantes por não poder voltar às telas, os pais devem buscar ajuda especializada. “Profissionais capacitados podem permitir que a família perceba onde está a lacuna, o que essa tela está preenchendo no vazio emocional da família e da criança. Assim é possível combater o problema em sua origem”, diz Evelyn Eisenstein. Por fim, aumentar as oportunidades de lazer e de convívio familiar, distante das tecnologias, são medidas essenciais para uma relação mais saudável com as telas e o seu entorno.

*Texto escrito por Bruno Bucis, da Agência Einstein 

Leia também: Whatsapp cria recurso com controle parental para crianças; entenda

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do TIM NEWS, da TIM ou de suas afiliadas.
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