Criminosos usam ChatGPT para aplicar golpes por meio de páginas comuns na internet
Tecmundo

Uma técnica de ataque, que não usa apenas injeção de prompt, consegue transformar o ChatGPT em uma superfície de phishing. Batizado de ChatGPhish, o método explora a forma como o assistente processa e exibe o conteúdo de páginas da internet durante a função de resumo. A descoberta é de pesquisadores da empresa de segurança Permiso Security.
O ataque funciona de forma simples. Quando um usuário pede ao ChatGPT para resumir uma página da internet, o assistente lê o conteúdo dessa página e gera uma resposta. O problema é que um invasor pode esconder instruções maliciosas dentro do texto dessa página e o ChatGPT vai seguir essas instruções sem questionar.
Página normal pode virar armadilha
Não é preciso que a página pareça suspeita para que o ataque funcione. Pode ser um artigo de blog, uma documentação técnica, um repositório no GitHub ou até mesmo um site de marketing comum. O usuário visita a página normalmente, pede ao ChatGPT para resumi-la e, sem saber, acaba ativando o ataque.
Isso porque o conteúdo escondido na página consegue ditar como o ChatGPT vai formatar a resposta. Os pesquisadores testaram um payload, basicamente um bloco de instruções ocultas no HTML da página, que ordenava ao assistente a incluir um alerta falso de segurança junto com o resumo legítimo.
O resultado foi que o ChatGPT gerou o resumo normalmente e, em seguida, adicionou uma mensagem dizendo que um novo dispositivo havia sido adicionado à conta do usuário, com um link clicável levando para um site controlado pelo atacante. Tudo apresentado dentro da interface do próprio ChatGPT, com a formatação e o visual do assistente.
O problema está na confiança que o ChatGPT dá ao conteúdo externo
Essas informações funcionam como um rastreador silencioso. O atacante consegue saber que uma vítima específica acessou uma página específica por meio do ChatGPT, sem que ela perceba nada.
Código QR como vetor de ataque no celular
Quando o usuário escaneia esse código com o celular, é redirecionado para um site malicioso. Isso é especialmente perigoso porque os mecanismos de defesa do computador, como a visualização do link ao passar o mouse ou filtros corporativos de URL, não conseguem inspecionar o destino de um código QR antes do escaneamento. O ataque pula do computador para o celular do usuário, onde as proteções costumam ser menores.
Por que isso é diferente de um phishing comum por e-mail
Ataques de phishing tradicionais dependem de o usuário receber e abrir algo suspeito, seja um e-mail, um anexo ou uma mensagem maliciosa. Isso cria pontos de bloqueio, como filtros de spam, treinamentos de segurança e a desconfiança natural com mensagens não solicitadas, que ajudam a barrar esses ataques.
O ChatGPhish muda esse fluxo, uma vez que o usuário não precisa receber nada. Ele apenas visita uma página durante a navegação normal e pede ao ChatGPT para ajudá-lo com uma tarefa cotidiana. O ataque acontece dentro de um fluxo de trabalho legítimo, em uma interface confiável.
A Permiso Security destaca que, à medida que mais pessoas usam o ChatGPT para pesquisa e resumo de conteúdo, qualquer página maliciosa que um funcionário peça ao assistente para processar pode conter instruções que transformam o ChatGPT em superfície de phishing.
O que os pesquisadores recomendam
O problema identificado não é exclusivo do Firefox, navegador usado nos testes. O browser apenas repassa o conteúdo da página para o ChatGPT. A questão central está na forma como o assistente trata esse conteúdo externo como confiável e o exibe sem separação visual clara entre o que ele gerou e o que veio da página.

