A Favorita: A rainha Anne realmente se relacionou com mulheres?

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Recentemente, o premiado filme "A Favorita", do excêntrico diretor Yorgos Lanthimos, entrou no catálogo nacional da Netflix, rapidamente conquistando os assinantes brasileiros com o seu roteiro.
A produção, lançada no Brasil em 2019, acompanha as personagens Lady Sarah Churchill (interpretada por Rachel Weisz) e Abigail Hill (vivida por Emma Stone) à medida que elas disputam a atenção da rainha Anne, da Inglaterra (papel interpretado por Olivia Colman), e ser sua favorita — uma posição que evidentemente vem com privilégios políticos.
A história é movida pela dinâmica entre essas três personagens, com relações sexuais que ocorrem entre a monarca e as aristocratas. Como o filme possui um pano de fundo histórico, isso levou audiências a se perguntarem se a rainhaAnne, de fato, possuía relacionamentos com mulheres, ou esse detalhe foi acrescentado pela dramatização.
Fato e ficção
Assim como acontece na produção norte-americana, a Abigail Hill era uma aristocrata falida contratada na corte da rainha Anne, e, aos poucos, desenvolveu proximidade com a monarca. Essa relação, por sua vez, irritou Sarah, que era próxima de Anne previamente à chegada da outra.

Na realidade, houve rumores a respeito do que a governante e as nobres faziam em momentos de privacidade, no entanto, nunca existiu uma confirmação de que a figura histórica possuía uma conexão romântica ou sexual com qualquer uma das duas mulheres.
Conforme repercutiu o portal Esquire, o que fortalece os rumores a respeito de uma suposta relação amorosa entre a monarca e Sarah Churchill foi uma série de correspondências afetuosas trocadas entre elas. No entanto, o que era algo relativamente normal na época ganhou uma interpretação diferente no século 21.
"Embora as cartas de Ana não sejam sexualmente explícitas como o filme sugere, elas de fato continham declarações de amor e devoção eterna", disse Anne Somerset, biógrafa da rainha Anne, em entrevista à Galileu em 2019. "Hoje em dia, é claro, ninguém se pergunta se havia algo a mais do que esse relacionamento – embora não haja evidência de que tenha sido esse o caso. Pessoalmente, eu não acredito que Ana e Sarah tenham tido relacionamentos sexuais, mas é impossível provar isso."
Já quando Abigail "roubou o lugar" de Sarah, a nobre, ressentida, começou a espalhar pela corte inglesa a narrativa de que a conexão entre a recém-chegada e a rainha tinha desdobramentos sexuais.
Para alcançar esse objetivo, por exemplo, ela costumava descrever o relacionamento das duas com "linguagem picante", ainda conforme a Esquire. Assim, tudo aponta para uma campanha difamatória que visava atacar a reputação de Anne.
Em "Queen Anne: The Politics of Passion", Anne Somerset também detalhou o que dificultaria a relação entre a rainha e Abigail.
Ela destaca que a monarca passou por muitos abortos e que sua libido poderia ter diminuído a medida que os problemas de saúde se agravavam. Além disso, Sarah nunca indicou que a rainha teria demonstrado interesse.
"Teria sido difícil para Abigail e a Rainha cometer 'atos obscuros à noite' durante a vida do Príncipe George, pois ela dividia o quarto com o marido e, durante toda a sua doença, que durou alguns anos, ela nunca saiu da cama dele... Anne estava exausta pela gravidez e sofria de dores terríveis durante a maior parte do tempo (...). Seu famoso pudor e seu forte senso de moralidade cristã tornam ainda mais improvável que seu relacionamento com Abigail carregasse um elemento carnal", escreve ela.
Veja abaixo o trailer de "A Favorita"!


