Caetano Veloso reflete sobre filhos evangélicos e sua ligação com o Candomblé: "Deus cuida de mim"
Bons Fluidos

O programa Altas Horas celebrou seus 25 anos com uma homenagem emocionante a Caetano Veloso, que aos 83 anos revisitou sua trajetória e a dinâmica de sua vida familiar. Durante a conversa com Serginho Groisman, o artista baiano trouxe uma reflexão profunda sobre a liberdade religiosa e a diversidade de crenças entre seus filhos, Zeca, Tom e Moreno Veloso.
Caetano Veloso fala sobre filhos evangélicos
Caetano revelou como a espiritualidade se manifestou de formas distintas em sua casa, mencionando a aproximação de seus filhos mais novos com o protestantismo. “Pessoalmente, tive meus filhos Zeca e Tom, quando eram pequenos, atraídos pela igreja evangélica. O Tom depois deixou a igreja, mas Zeca permanece evangélico, e eu fico orgulhoso disso”, compartilhou o cantor, destacando o respeito pelas escolhas individuais de cada um.
Essa vivência doméstica, inclusive, serviu de combustível para a curiosidade intelectual e artística de Caetano sobre o fenômeno das igrejas evangélicas no Brasil, culminando na inclusão da canção “Deus Cuida de Mim” em sua turnê recente com Maria Bethânia. Por outro lado, o primogênito Moreno seguiu uma trilha espiritual ligada a tradições clássicas e orientais, além de compartilhar com o pai a conexão com as raízes africanas. “Moreno sempre foi, diferente de mim, muito religioso, mas com uma visão das antigas religiões clássicas, da Grécia e das religiões orientais”, explicou o músico, que também reafirmou sua própria identidade: “Eu sou filho de santo”.
Um encontro de lendas e memórias
O tributo foi marcado por depoimentos históricos de grandes amigos. Gilberto Gil relembrou o início da amizade que moldou a Tropicália antes de entoar “Desde que o Samba é Samba”.
Ivete Sangalo trouxe emoção com “Trem das Cores”, enquanto Ney Matogrosso divertiu a plateia ao recordar o impacto visual de Caetano nos anos 70. “Eu fui ao único hotel e à única sorveteria que existiam na cidade. Aí surgiu Caetano, lindo, todo de cor-de-rosa. Eu não queria ser ele, mas queria provocar nas pessoas o que ele havia acabado de me provocar”, relatou Ney.
O ápice da noite reuniu a família no palco, com Moreno, Zeca e Tom acompanhando o pai em uma versão tocante de “Força Estranha”, sob o olhar atento de Paula Lavigne na plateia.
