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Joanah Flor une música e espiritualidade para celebrar a força da Jurema Sagrada
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Joanah Flor une música e espiritualidade para celebrar a força da Jurema Sagrada

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Bons Fluidos
11/06/2026 21h20
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Para Joanah Flor, música, ancestralidade e espiritualidade fazem parte da mesma história. Nascida na periferia de Olinda (PE), a cantora, compositora e jornalista encontrou na arte uma forma de expressar suas raízes. Assim, valoriza as manifestações populares pernambucanas, a força do feminino e os ensinamentos da Jurema Sagrada — tradição afro-indígena que atravessa sua vida. Mais do que uma inspiração para suas canções, essa conexão também orienta suas pesquisas, projetos audiovisuais e a maneira como enxerga o mundo. Por meio desse trabalho, a artista busca dar visibilidade a saberes ancestrais que, durante muito tempo, permaneceram à margem da história brasileira oficial.

O que é a Jurema Sagrada?

A Jurema Sagrada é considerada uma importante expressão de resistência cultural e espiritual. Trata-se de uma religião de matriz afroindígena originária do Nordeste brasileiro, responsável por preservar conhecimentos ancestrais ligados à natureza, à cura e ao encantamento. Além disso, a tradição continua influenciando diversas manifestações culturais da região.

Ainda hoje, a crença enfrenta preconceitos e tentativas de apagamento. Por isso, Joanah destaca a importância de ampliar o conhecimento sobre essa herança cultural. “A Jurema Sagrada é uma tradição espiritual afroindígena que guarda conhecimentos ancestrais sobre cura, natureza e encantamento. É uma religião de folha, de raiz, de fumaça, de canto e de cura, profundamente conectada aos povos originários do Nordeste. Apesar de séculos de preconceito e tentativas de apagamento, ela segue viva!”

Como a Jurema Sagrada transformou a trajetória de Joanah Flor?

A relação de Joanah Flor com a Jurema Sagrada começou a ganhar forma durante a faculdade de Jornalismo. Na época, uma rezadeira que a acompanhava desde a infância transmitiu um recado de um mestre da Jurema, indicando que aquele seria seu caminho espiritual.

A partir desse momento, a artista passou a aprofundar seus estudos e vivências dentro da tradição. Além disso, o interesse pelo tema a levou a produzir posteriormente o documentário A Ciência dos Encantados, considerado um importante registro sobre a religião.

Joanah Flor
Joanah Flor é jornalista, cantora e compositora – Divulgação

Quem é Malunguinho e por que ele inspira Joanah Flor?

Entre as figuras centrais da trajetória espiritual de Joanah Flor está Malunguinho, líder quilombola histórico que também ocupa uma posição de destaque dentro da Jurema Sagrada. Para a artista, no entanto, sua importância vai muito além da dimensão histórica.

Nascida em Olinda, região marcada pela presença da Mata do Catucá, território associado à resistência liderada por Malunguinho, Joanah cresceu cercada por referências ligadas a essa história. Por isso, sua conexão com a entidade se tornou também uma ligação afetiva e espiritual.

“Malunguinho, para mim, é uma presença viva. Além de líder quilombola e símbolo da resistência afroindígena em Pernambuco, ele é uma das principais divindades da Jurema Sagrada. Ele é mestre, é caboclo e é Trunqueiro, é Reis que tem a chave da Jurema. Sou juremeira e afilhada de Malunguinho dentro da tradição que vivencio. Por isso, minha relação com ele não é apenas histórica ou religiosa, mas profundamente afetiva e espiritual”, afirma.

Joanah Flor
Joanah Flor conta sobre sua religião – Divulgação

Amor da Mata une arte, espiritualidade e memória

O projeto Amor da Mata, premiado no Prêmio da Música de Pernambuco, nasceu diretamente dessa vivência espiritual. Gravado na Mata do Catucá durante as celebrações dos 190 anos de Malunguinho, o trabalho reúne música, documentário e ancestralidade. “A obra nasce da minha vivência como juremeira e traz diferentes dimensões da mulher, tendo Malunguinho como inspiração e presença espiritual”, detalha.

Além de resgatar memórias ligadas à tradição da Jurema, a obra também busca apresentar diferentes dimensões da experiência feminina a partir do olhar da própria artista. Dessa forma, o projeto conecta espiritualidade, território e identidade cultural em uma mesma narrativa.

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