Ney Matogrosso e Lula são destaques do primeiro dia na Sapucaí
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A primeira noite do Grupo Especial na Sapucaí reuniu Imperatriz Leopoldinense, Estação Primeira de Mangueira, Acadêmicos de Niterói e Portela em desfiles que apostaram em narrativas de tributo e de valorização de raízes afro-brasileiras. As apresentações aconteceram no domingo (15) e avançaram pela madrugada de segunda-feira (16), com todas as quatro escolas completando o percurso dentro do limite de 80 minutos.
Uma escola fundada em 2018 estreou no Grupo Especial com um enredo dedicado ao presidente Lula (PT). Antes do carnaval, o desfile enfrentou pelo menos dez ações na Justiça e no Tribunal de Contas da União (TCU), movidas por partidos e parlamentares da oposição, que alegaram tratar-se de propaganda eleitoral antecipada. Na quinta-feira (12), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou um pedido liminar para barrar a apresentação, embora ministros tenham advertido sobre risco de crime eleitoral a depender do que fosse feito na Avenida; após isso, houve orientação do governo federal para evitar manifestações com caráter de propaganda.
No desenvolvimento do tema, a escola percorreu passagens da trajetória de Lula, incluindo infância no Nordeste, mudança com a família para São Paulo, o trabalho como torneiro mecânico, a atuação sindical e a chegada à Presidência da República. A comissão de frente levou uma referência à rampa do Palácio do Planalto, associada à última posse, além de encenações envolvendo Alexandre de Moraes, Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro. Um dos carros trouxe crítica a políticas sociais atribuídas ao governo de Jair Bolsonaro e à condução da pandemia; na parte traseira, houve menção à prisão de Jair Bolsonaro. Lula esteve na Sapucaí e desceu do camarote para cumprimentar mestre-sala e porta-bandeira, repetindo o gesto com integrantes de outras escolas. No encerramento, apareceram diferentes versões de bandeiras nacionais feitas por vários artistas.
Terceira colocada no carnaval de 2025, a Imperatriz Leopoldinense levou em 2026 uma homenagem a Ney Matogrosso, com o enredo “Camaleônico”. Na concentração, o cantor falou sobre a expectativa e a fantasia: “ Isso aqui é um palco 10 mil vezes maior”. Um lobisomem de 20 metros, inspirado em “ O Vira”, chamou atenção; a escultura foi produzida com fibra extraída de 300 quilos de sisal cultivado na Bahia. Na comissão de frente, a escola usou ilusionismo e “clones” para sugerir fases da carreira do artista, enquanto as fantasias e alegorias investiram em cores fortes e penas. A bateria buscou referência no álbum “Pecado”, de 1977, e a cantora Iza apareceu à frente, em vermelho, caracterizada como serpente, com um adereço que soltava fumaça.
A Portela entrou na madrugada de segunda (16) com “ O Mistério do Príncipe do Bará - A oração do negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande”, abordando a cultura afro-gaúcha e prestando homenagem ao Príncipe Custódio, ligado a religiões de matriz africana no Rio Grande do Sul. A comissão de frente destacou orixás, com foco em Exu Bará, e a escola apresentou um recurso incomum: um integrante atravessou a Avenida em pé sobre um drone. Durante a cena, um tripé se abriu e um participante, com máscara, decolou em um superdrone iluminado, passando por cima de outros bailarinos; a novidade foi bastante aplaudida, e quem estava mais perto da pista sentiu a força das hélices.
Fechando a noite, a Estação Primeira de Mangueira trouxe “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju - O Guardião da Amazônia Negra”, centrado em Mestre Sacaca, referência de saberes afro-indígenas no Amapá que completaria 100 anos em 2026 e era conhecido como “ Doutor da Floresta”. A comissão de frente apresentou onças que brilhavam no escuro e um ritual de saudação à natureza, com a invocação do xamã Babalaô e a manifestação encantada de Mestre Sacaca. A escola desenhou na Avenida uma travessia associada aos rios Oiapoque e Jari; a rainha de bateria, Evelyn Bastos, levou o cachimbo do Preto Velho, e o samba dialogou com o marabaixo. Uma escultura gigante de Mestre Sacaca recebeu aplausos, incluindo para a viúva e o filho do homenageado.
No fim do desfile, um carro alegórico da Mangueira atingiu a base do monumento da Praça da Apoteose e ficou sem conseguir seguir, afetando a saída de outras alegorias; componentes desmontaram parte da estrutura para liberar a passagem. Ainda assim, a escola terminou dentro do tempo regulamentar, com o samba marcado por diversas paradinhas da bateria.
A programação do carnaval do Rio de Janeiro segue com o segundo dia entre segunda e terça, quando entram na Avenida Mocidade Independente de Padre Miguel, Beija-Flor de Nilópolis, Unidos do Viradouro e Unidos da Tijuca. Na sequência, o terceiro dia ocorre na noite de terça-feira (17) e na madrugada de quarta (18), com Paraíso do Tuiuti, Unidos de Vila Isabel, Acadêmicos do Grande Rio e Acadêmicos do Salgueiro.
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