6 coisas que podem desregular sua menstruação
Anamaria

Na prática médica, a margem de normalidade é mais ampla do que o senso comum sugere. De acordo com Adriana Bittencourt Campaner, ginecologista e médica colposcopista da Dasa e do Alta Diagnósticos, de forma geral, consideramos regular o ciclo menstrual que ocorre em intervalos de 21 a 35 dias. Pequenas variações podem acontecer ao longo da vida e nem sempre indicam um problema.
No entanto, quando as alterações passam a ser frequentes, como atrasos recorrentes, ciclos muito irregulares ou ausência de menstruação por vários meses, sempre é importante procurar avaliação médica para investigar as possíveis causas, explica Adriana.
1. O impacto do estresse no organismo
Situações de tensão emocional intensa são capazes de desequilibrar a produção de hormônios no cérebro, afetando diretamente o comando que o organismo envia para os ovários. Esse fenômeno pode causar atrasos temporários na menstruação ou até a ausência do fluxo em meses de maior sobrecarga mental.
O sistema reprodutor costuma ser um dos primeiros a ser “pausado” pelo corpo quando ele entende que a pessoa está sob ameaça ou esgotamento.
2. Oscilações bruscas de peso corporal
A gordura corporal atua como uma glândula endócrina, auxiliando na produção de estrogênio. Mudanças rápidas na balança, tanto para mais quanto para menos, desestabilizam esse equilíbrio.
Ganhos ou perdas superiores a 10% do peso total em um curto intervalo de três a seis meses podem interromper a regularidade menstrual. Isso ocorre porque o corpo altera a produção de leptina e estrogênio, hormônios vitais para o funcionamento do ciclo.
3. Síndrome dos ovários policísticos (SOP)
4. Disfunções na glândula tireoide
A tireoide controla o metabolismo de todo o corpo e, quando não funciona bem, a menstruação é afetada. Tanto o hipotireoidismo quanto o hipertireoidismo podem mudar a frequência e até a intensidade do sangramento. Em casos de suspeita, médicos costumam solicitar exames laboratoriais de TSH, T3 e T4 para verificar se a causa da irregularidade é hormonal e iniciar o tratamento de correção.
5. Adaptação a métodos contraceptivos
A introdução ou a troca de pílulas, implantes ou dispositivos intrauterinos (DIU) altera o padrão menstrual. Métodos que contêm apenas progestagênio podem causar escapes ou até a suspensão total do fluxo. O organismo geralmente leva entre três e seis meses para se adaptar à nova carga hormonal. Se as alterações persistirem além desse período ou gerarem desconforto excessivo, é necessário reavaliar o método com um especialista.
6. Problemas estruturais e anatômicos
Nem toda irregularidade é hormonal, algumas têm origem física no útero ou nas trompas. Pólipos, miomas e a endometriose são exemplos de condições que alteram o padrão do sangramento. De acordo com Jaime Kulak, ginecologista do laboratório Frischmann Aisengart, essas variações podem ter origens diversas, desde desequilíbrios hormonais até questões estruturais no útero. Em casos mais raros, é fundamental investigar também causas hematológicas, como distúrbios de coagulação, que podem impactar diretamente o padrão do fluxo menstrual, explica Jaime.
A importância do monitoramento constante
Manter um registro das datas de início e término da menstruação, seja em papel ou aplicativos, ajuda a identificar o que é um padrão individual. Ter esse histórico em mãos facilita o diagnóstico médico, pois permite diferenciar uma variação isolada de um problema crônico. Observar o corpo é a ferramenta mais eficaz para detectar precocemente alterações que precisem de intervenção ginecológica.
Resumo: O ciclo menstrual saudável pode variar entre 21 e 35 dias, sendo influenciado por fatores como estresse, peso e tireoide. Identificar se a causa da irregularidade é hormonal ou anatômica é fundamental para o tratamento adequado e a saúde reprodutiva.
