Alerta sobre violência sexual infantil reforça que não existe consentimento na infância
Anamaria

A violência sexual contra crianças é considerada uma das formas mais graves de violação de direitos e pode provocar consequências profundas e duradouras na vida das vítimas. O psicólogo e escritor Alexander Bez faz um alerta sobre a gravidade do problema e enfatiza que não existe possibilidade de consentimento quando se trata de crianças.
Segundo o especialista, a infância é uma fase do desenvolvimento em que não há maturidade emocional, cognitiva ou estrutura psíquica suficiente para compreender ou autorizar qualquer tipo de ato sexual. Para ele, classificar esse tipo de situação como “relação” representa um equívoco grave.
“Criança não tem maturidade emocional, cognitiva nem estrutura psíquica para consentir qualquer tipo de ato sexual. Falar em ‘relação’ é um erro grave. O que existe é abuso, manipulação e violência”, afirma.
De acordo com Bez, qualquer forma de intimidade sexual envolvendo crianças configura abuso. A noção de consentimento nessa etapa da vida, segundo ele, representa uma distorção que pode encobrir situações de violência.
O psicólogo explica que os efeitos do abuso sexual infantil podem se manifestar ao longo de toda a vida, impactando o desenvolvimento emocional, psicológico e social das vítimas. Entre as consequências mais frequentes estão transtornos de ansiedade, depressão, distúrbios do sono, transtorno de estresse pós-traumático, dificuldades de relacionamento, problemas na vivência da sexualidade na vida adulta, além de baixa autoestima e sentimentos persistentes de culpa e vergonha.
Estudos também indicam que pessoas que sofreram abuso sexual na infância apresentam maior vulnerabilidade ao uso abusivo de substâncias, comportamentos autodestrutivos e à revitimização na vida adulta.
Segundo o especialista, quando a violência ocorre na infância pode haver uma ruptura no processo de formação da personalidade.
“A criança passa a desenvolver mecanismos de defesa para lidar com uma experiência para a qual não possui recursos emocionais para compreender”, explica.
Para o psicólogo, a prevenção depende de educação, diálogo e atenção constante por parte da família e da sociedade. Ele destaca a importância de orientar crianças e adolescentes sobre os limites do próprio corpo e estimular um ambiente em que se sintam seguras para relatar qualquer situação de abuso.
“O silêncio é o maior aliado do agressor. Por isso é fundamental que a criança saiba que pode falar e que será ouvida”, afirma.
Bez também ressalta a importância do acompanhamento psicológico especializado para vítimas de violência sexual, destacando que a intervenção precoce pode reduzir os impactos emocionais e contribuir para a reconstrução da saúde mental.
Alexander Bez é psicólogo com especialização em Ansiedade e Síndrome do Pânico pela University of California e especialização em Relacionamentos pela University of Miami. Atua como escritor e palestrante nas áreas de saúde emocional, relacionamentos e transtornos psicológicos.
