Comunicação antes da fala: como usar gestos com o bebê e reduzir o choro
Anamaria

Quem convive com um bebê sabe: mesmo sem dizer uma única palavra, ele tem muito a dizer. É no choro, no sorriso, no corpo que se projeta para frente ou se afasta que as necessidades são transmitidas. Aos poucos, mães, pais e cuidadores vão aprendendo esse idioma intuitivo, feito de tentativas, erros e muita observação.
Nos últimos anos, esse olhar atento ganhou um reforço: o uso intencional de gestos e sinais, conhecido como Baby Sign Language, ou linguagem de sinais para bebês, em português. Longe de ser um modismo, a prática dialoga com algo que já acontece naturalmente no desenvolvimento infantil e pode ajudar a tornar essa fase mais previsível, segura e menos frustrante para todos.
Antes da fala, a comunicação já acontece
Desde os primeiros meses, o bebê se comunica por meio da linguagem não verbal. Expressões faciais, movimentos corporais e gestos surgem antes das palavras e cumprem um papel essencial na construção do diálogo.
“A criança percebe que quando sorri gera uma reação no adulto e quando faz outra expressão provoca uma resposta diferente”, diz fonoaudióloga Angelika dos Santos Scheifer em entrevista à AnaMaria. Aos poucos, essas manifestações deixam de ser apenas reações automáticas e passam a ganhar intenção.
Ela explica que esse entendimento de causa e efeito marca um ponto importante do desenvolvimento: o bebê começa a usar o próprio corpo como ferramenta de comunicação. Com o tempo, esses movimentos se refinam. O apontar, a manipulação de objetos e os gestos mais definidos aparecem gradualmente, preparando o terreno para a fala.
Mas o que é Baby Sign Language?
O Baby Sign Language é o uso de gestos simples feitos com as mãos, inspirados em línguas de sinais, para ajudar o bebê a se comunicar antes de conseguir falar. Esses sinais representam palavras do dia a dia, como “leite”, “comer”, “mais” ou “dormir”, e são sempre usados junto com a fala, durante a rotina.
A linguagem de sinais para bebês se encaixa nesse percurso como um apoio estruturado à comunicação, sem competir com a fala. Ela reforça a intenção comunicativa e ajuda a organizar as trocas entre adulto e criança. “A comunicação não verbal precisa existir para que a verbal possa acontecer”, acrescenta a especialista.
Outro ponto importante é a relação entre movimento e linguagem. Angelika explica que a fala depende da imitação verbal, que por sua vez se apoia na imitação motora. Ou seja, ao aprender sinais, o bebê exercita estruturas motoras que estão a serviço da comunicação. Isso facilita a interação com os adultos e oferece uma base sólida para a evolução da fala, sempre dentro do ritmo individual de cada criança.
Menos frustração, mais segurança emocional
Um dos relatos mais comuns entre famílias que usam gestos ou sinais é a redução do choro. Esse efeito está diretamente relacionado à segurança emocional. “Quando a criança tem previsibilidade, ela se sente mais segura e, por isso, mais calma”, afirma a fonoaudióloga.
Enquanto o bebê não tem recursos de comunicação, o choro acaba sendo a principal forma de reivindicar atenção. Ao ampliar essas possibilidades, os sinais oferecem uma alternativa mais direta e menos desgastante — para a criança e para quem cuida.
Três sinais para começar em casa
Introduzir o Baby Sign Language não exige treino formal nem um “momento de aula”. A ideia é aproveitar situações reais da rotina e transformar gestos em apoio à comunicação. Quanto mais natural for, melhor.
O ponto de partida é sempre o mesmo: o adulto fala a palavra normalmente, faz o gesto ao mesmo tempo, e repete isso sempre que a situação acontecer. A constância é mais importante do que a perfeição do sinal.
Leite: Faça o gesto abrindo e fechando a mão suavemente, como se estivesse ordenhando. Use sempre na hora de amamentar ou oferecer a mamadeira, dizendo a palavra junto.
Mais: O gesto é feito em movimento de pinça, juntando o dedo indicador e o polegar de uma mão. Pode ser usado durante a alimentação ou brincadeiras.
Chega: Use a mão aberta, afastando levemente do corpo, como um sinal de “pare”. Ajuda o bebê a expressar desconforto, cansaço ou falta de interesse, validando seus limites.
A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1509, de 20 de fevereiro de 2026). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.
