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Autonomia financeira desde cedo
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Anamaria
07/02/2026 18h00
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Quem convive com crianças maiores ou adolescentes já percebeu que, em algum momento, o dinheiro deixa de ser invisível. Ele aparece nas conversas sobre celular novo, roupas da moda, saídas com amigos ou naquela frase clássica: “todo mundo tem, menos eu”. 

Nessa fase, o cérebro, as emoções e a relação com o mundo passam por mudanças profundas. É justamente aí que a educação financeira deixa de ser sobre números e vira aprendizado de vida, com impacto direto na autonomia, na segurança emocional e nas escolhas futuras.

Por que falar sobre dinheiro?

Do ponto de vista do desenvolvimento, a adolescência abre uma janela importante. “Entre 10 e 16 anos, há um avanço significativo nas chamadas funções executivas, que gerenciam planejamento, organização, controle inibitório e capacidade de avaliar consequências”, explica Luiz Mafle, psicólogo, doutor em Psicologia pela PUC Minas e pela Universidade de Genebra. “Nesse período, ocorre um amadurecimento gradual do pensamento abstrato, que permite compreender conceitos como investimento, economia e longo prazo”, complementa. 

Esse avanço cognitivo vem acompanhado de maior autonomia emocional. De acordo com o especialista, essa combinação torna essa faixa etária especialmente propícia para a introdução da educação financeira de maneira mais estruturada. Na prática, isso significa que o jovem já consegue entender de onde o dinheiro vem, para onde vai e o que acontece quando ele é bem – ou mal – usado.

Dinheiro não nasce na carteira: os conceitos básicos

Para Adriana Melo, especialista em finanças e tributação e mentora financeira, o essencial nessa fase não é decorar termos técnicos. “O jovem precisa entender como o dinheiro entra, sai e se transforma”, diz. Mesada, tarefas remuneradas e pequenos serviços ajudam a construir essa lógica. A partir dos 14 anos, experiências formais, como o programa de menor aprendiz, também podem fazer sentido, desde que não comprometam os estudos.

Outro aprendizado central é o orçamento. “Introduzir a lógica de ganhar, gastar e guardar cria uma estrutura mental desde cedo”, diz a especialista. O ideal é começar pelo básico, com formas simples de controle de gastos. Planilhas e aplicativos de gerenciamento financeiro muito complexos podem mais afastar das finanças do que ajudar a construir uma boa relação com o dinheiro. 

Hábitos simples que constroem disciplina financeira

Pequenos comportamentos do dia a dia ajudam o adolescente a lidar melhor com dinheiro, mesmo antes de ter renda própria.

  • Anotar gastos, ainda que de forma simples, ajuda a perceber como o dinheiro “some” quando não é observado.
  • Regra da pausa de 24 horas: antes de comprar algo que não é necessidade, esperar um dia – ou, se estiver na rua, dar mais de uma volta antes de decidir. Isso reduz compras por impulso.
  • Metas pequenas e concretas: guardar um valor semanal para comprar algo específico ensina, na prática, que disciplina gera resultado.
  • Exposição consciente nas redes sociais: rever quem e o que se segue ajuda a diminuir desejos criados pela comparação constante.
  • Participação no orçamento da casa: entender quanto as coisas custam é um antídoto contra a ideia de dinheiro infinito.

Quando a relação com o dinheiro sai do eixo

Erros fazem parte do aprendizado – e eles vão acontecer. O alerta surge quando o consumo vira regulador emocional, com ansiedade frequente ligada a compras, dificuldade intensa de aceitar limites ou uso do dinheiro como validação social.

Uma relação saudável se fortalece quando o jovem consegue diferenciar desejo de necessidade e planejar, mesmo lidando com frustrações.

Falar de dinheiro na adolescência não é antecipar a vida adulta, mas oferecer base para escolhas mais conscientes. Com conversa, exemplos reais e espaço para aprender, o dinheiro deixa de ser tabu e vira ferramenta de autonomia, não de pressão.

A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1504, de 16 de janeiro de 2026). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader

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Leia a matéria original aqui.

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