Fertilidade após os 35 anos: o que você precisa saber para não cair em ciladas
Anamaria

Atualmente, muitas mulheres optam por priorizar a carreira e a estabilidade financeira antes de aumentar a família. Por isso, a busca por métodos de preservação cresce a cada dia, conforme apontam dados do SisEmbrio, da Anvisa. Entre 2020 e 2024, o congelamento de embriões no Brasil saltou quase 48%, revelando uma tendência clara de adiamento da maternidade. Todavia, é fundamental compreender que, embora a medicina tenha avançado, o tempo biológico ainda exerce um papel determinante na saúde reprodutiva feminina e masculina.
Com toda a certeza, o principal desafio surge quando o “relógio biológico” atinge o marco dos 35 anos. Nesse período, a quantidade e a qualidade dos óvulos diminuem de forma mais acelerada, o que reduz as chances de uma concepção natural. De acordo com a ginecologista Ana Paula Avritscher Beck, do Hospital Israelita Albert Einstein, a fertilidade tardia muitas vezes aparece como uma escolha viável, mas ela esconde complexidades biológicas e sociais que nem sempre as clínicas de reprodução deixam claro para as pacientes.
Entenda como funciona o tratamento da fertilidade e suas limitações
O tratamento da fertilidade tornou-se um mercado bilionário, com projeções de ultrapassar US$ 70 bilhões na próxima década. No entanto, o sucesso de procedimentos como a Fertilização in Vitro (FIV) depende diretamente da idade da mulher no momento da coleta dos gametas. Segundo especialistas da Febrasgo, o uso de técnicas modernas auxilia casais com dificuldades, mas não anula os riscos de alterações cromossômicas que aumentam após os 35 anos.
Além disso, é preciso ter cautela com promessas milagrosas. Conforme explica a presidente da Febrasgo, Rivia Mara Lamaita, exames de reserva ovariana não predizem a fertilidade natural futura. Portanto, o acompanhamento médico deve ser realista, apresentando as taxas reais de sucesso e as limitações financeiras e biológicas de cada procedimento.
Riscos na gestação e a importância do planejamento
Quando a gravidez ocorre em idade avançada, os cuidados precisam dobrar. A ciência demonstra que, após os 35 anos, há uma maior incidência de complicações como diabetes gestacional, pré-eclâmpsia e partos prematuros. Igualmente, os homens também entram nessa equação, já que o envelhecimento paterno aumenta o risco de mutações genéticas nos espermatozoides, conforme revelou um estudo recente publicado na revista Nature.
Em resumo, adiar a chegada dos filhos é um direito reprodutivo, mas exige informação transparente. O acesso a essas tecnologias ainda é desigual no Brasil, concentrando-se em grandes centros e na rede privada. Decerto, a melhor estratégia é conversar abertamente com seu médico e entender que a biologia, apesar de toda a tecnologia disponível, ainda possui seus próprios limites e ritmos.
Resumo: A matéria aborda os impactos do adiamento da maternidade após os 35 anos, destacando a queda na reserva ovariana e os riscos gestacionais. Especialistas alertam que o tratamento da fertilidade e o congelamento de óvulos não são garantias de sucesso, reforçando a necessidade de planejamento e consciência sobre os limites da medicina reprodutiva.
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