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Imunologia da reprodução: como o sistema imunológico influencia a gestação
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Imunologia da reprodução: como o sistema imunológico influencia a gestação

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Anamaria
09/02/2026 15h54
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Apesar de ainda pouco conhecida no Brasil, a imunologia da reprodução tem ganhado destaque na medicina reprodutiva internacional por seu papel fundamental na fertilidade, na implantação embrionária e na manutenção da gestação. A especialidade investiga como o sistema imunológico da mulher interage com o embrião que, biologicamente, carrega material genético diferente do organismo materno.

De acordo com a Sociedade Americana de Imunologia da Reprodução, a área atua diretamente no processo de reprodução assistida e em casos de perdas gestacionais recorrentes, contribuindo para aumentar as chances de gravidez evolutiva e nascimento de bebês saudáveis.

 

Uma área ainda pouco reconhecida no Brasil

 

Em entrevista, o médico obstetra Dr. Manoel Sarno, um dos poucos brasileiros com titulação internacional na área, explica que a imunologia da reprodução ainda não possui reconhecimento formal no Brasil como área de atuação médica.

 

“Para obter minha titulação, precisei buscar formação nos Estados Unidos, onde existe a Sociedade Americana de Imunologia da Reprodução e o título de Fellowship em Imunologia da Reprodução”, destaca o especialista. Atualmente, apenas três pesquisadores brasileiros possuem essa certificação internacional.

 

Segundo o médico, enquanto a imunologia já é amplamente estudada em áreas como cardiologia, oncologia e nefrologia, ainda enfrenta resistência quando aplicada à reprodução humana, apesar do crescente volume de evidências científicas.

 

O papel do sistema imunológico na fertilidade

 

Durante a gestação, o organismo da mulher precisa desenvolver um equilíbrio delicado: proteger-se contra infecções sem rejeitar o embrião, que é parcialmente “estranho” ao seu sistema imunológico. Quando esse equilíbrio não acontece, podem surgir dificuldades como:

Falhas repetidas de implantação embrionária;

Abortamentos de repetição;

Interrupção da gestação sem causa genética aparente.

 

“O embrião até se implanta, mas não consegue evoluir. Em muitos casos, o problema não está no embrião, mas na resposta imunológica materna”, explica o Dr. Sarno.

 

Imunoterapia já é usada muitas vezes sem critério

 

Um dado que chama atenção é que, segundo o especialista, cerca de 80% dos médicos que atuam com reprodução humana utilizam algum tipo de imunoterapia, mesmo sem um protocolo formal ou diagnóstico imunológico preciso.

 

“Corticóides, heparina e aspirina, por exemplo, têm ação imunológica. Muitos profissionais acabam usando essas medicações de forma empírica, sem uma investigação adequada”, alerta.

 

A imunologia da reprodução, no entanto, trabalha com imunomodulações direcionadas, indicadas somente após exames específicos e avaliação individualizada.

 

Quais tratamentos imunológicos podem ser indicados?

Entre as estratégias utilizadas na imunologia da reprodução estão:

Fatores de crescimento celular (G-CSF), que podem auxiliar em casos de falha de implantação;

Emulsões lipídicas, ricas em ácidos graxos benéficos, usadas para modular a resposta imunológica;

Imunoglobulina humana endovenosa, amplamente utilizada na Europa e nos Estados Unidos;

Imunoterapia com linfócitos paternos, realizada no Brasil apenas em protocolos de pesquisa autorizados pela Anvisa.

 

O Dr. Manoel Sarno é atualmente o único pesquisador no país autorizado a realizar a imunoterapia com linfócitos paternos, dentro de um protocolo de pesquisa aprovado, sem custo direto para os pacientes.

 

Quando a investigação imunológica é indicada?

A avaliação em imunologia da reprodução não é indicada para todos os casais. Segundo o especialista, os principais critérios incluem:

Duas ou mais perdas gestacionais;

Uma perda gestacional tardia, sem causa genética identificada;

Duas ou mais falhas de transferência embrionária com embriões geneticamente testados;

Histórico de óbito fetal sem explicação aparente.

 

“A investigação deve ser criteriosa. Cada sistema imunológico é único, e não existe protocolo padrão que sirva para todos”, reforça.

 

Evidências científicas apontam aumento das taxas de sucesso

Os dados apresentados pelo especialista reforçam a eficácia da abordagem imunológica quando bem indicada. Em estudo publicado em 2019, o grupo de pesquisa coordenado pelo Dr. Sarno observou um aumento da taxa de nascidos vivos de 33% para 60% em casais com histórico de perdas gestacionais.

 

Em casos específicos de alterações imunológicas do tipo aloimune, a taxa de sucesso chegou a 78% com o uso de imunoterapia adequada. Estudos internacionais recentes também demonstram redução significativa nas taxas de abortamento e aumento expressivo nas chances de gravidez evolutiva.

 

Um caminho promissor para casais com histórico de perdas

Além dos impactos físicos, o especialista chama atenção para o desgaste emocional enfrentado por casais que vivenciam abortamentos recorrentes ou falhas repetidas de fertilização.

 

“Cada perda representa um luto. A investigação imunológica pode evitar anos de sofrimento emocional e tentativas frustradas”, afirma.

 

Dr. Manoel Sarno é mestre e doutor pela UNICAMP, com Pós-Doutorado no King’s College Hospital/Fetal Medicine Foundation, em Londres. Professor Titular de Ginecologia e Obstetrícia da UFBA, destaca-se pela atuação acadêmica, científica e clínica em saúde materno-fetal. Reconhecido nacionalmente, é referência na formação de profissionais e no cuidado especializado.

Fonte: Dr. Manoel Sarno | @prof.dr.manoelsarno

Leia a matéria original aqui.

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do TIM NEWS, da TIM ou de suas afiliadas.
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