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Obesidade infantil: quando o excesso de peso deixa de ser uma questão estética e passa a ser uma doença
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Obesidade infantil: quando o excesso de peso deixa de ser uma questão estética e passa a ser uma doença

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Anamaria
07/06/2026 14h30
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Durante muito tempo, o excesso de peso na infância foi encarado por muitas famílias como uma característica passageira. A frase “vai esticar quando crescer” ainda é comum em consultórios e reuniões familiares. No entanto, os números mais recentes mostram que essa percepção precisa mudar.

O Atlas Mundial da Obesidade 2026 revelou que 38,4% das crianças e adolescentes brasileiros estão acima do peso, um percentual que praticamente dobra a média mundial, estimada em 20,7%. Na prática, isso significa que cerca de 17 milhões de jovens brasileiros convivem hoje com sobrepeso ou obesidade.

Mais preocupante do que o aumento na balança é o impacto silencioso que essa condição pode causar na saúde. Estamos observando cada vez mais cedo o surgimento de doenças que antes eram consideradas típicas da vida adulta, como hipertensão arterial, alterações da glicemia, colesterol e triglicerídeos elevados, gordura no fígado e até problemas cardiovasculares.

Uma dúvida frequente dos pais é saber quando aquele peso extra representa apenas uma característica física e quando ele passa a ser um sinal de alerta para a saúde.

A primeira informação importante é que peso, isoladamente, não define obesidade. A análise médica vai muito além do número mostrado pela balança. O que realmente importa é a composição corporal, a distribuição da gordura e principalmente a presença da chamada gordura visceral, aquela que se acumula na região abdominal e envolve órgãos importantes.

O gordinho ‘saudável’

Existe, sim, a situação da criança que apresenta algum excesso de peso, mas possui boa massa muscular, pratica atividade física e concentra parte dessa gordura em regiões como quadris, pernas e braços. Popularmente, muitas pessoas chamam esse perfil de “gordinho saudável”.

O gordinho’ doente´

Já a obesidade patológica apresenta características diferentes. Nesses casos, a gordura se concentra principalmente na região do tronco e do abdômen, formando o que chamamos de obesidade central. É justamente essa gordura visceral que está associada aos maiores riscos metabólicos.

Quanto maior o acúmulo de gordura abdominal, maiores são as chances de desenvolver doenças graves ao longo da vida. Hoje sabemos que a obesidade não é apenas um problema de peso. Ela é uma condição inflamatória crônica capaz de aumentar o risco de diabetes tipo 2, doenças cardíacas, alterações arteriais, alguns tipos de câncer, problemas hepáticos e até transtornos emocionais, como ansiedade e depressão.

Quando a obesidade infantil vira perigo

Por isso, medir a circunferência abdominal e avaliar a composição corporal são ferramentas muito mais relevantes do que simplesmente acompanhar o peso.

Como tratar a obesidade infantil

A boa notícia é que existe tratamento eficaz.

O primeiro passo é entender qual é o perfil daquele paciente. Existem crianças cujo excesso de peso está relacionado principalmente a hábitos alimentares inadequados, sedentarismo e excesso de alimentos ultraprocessados. Nesses casos, mudanças na rotina, atividade física regular e educação alimentar costumam trazer excelentes resultados.

Por outro lado, existem pacientes que apresentam alterações metabólicas mais complexas. Nesses casos, a abordagem precisa começar pela investigação das causas que estão contribuindo para o desenvolvimento da obesidade, incluindo fatores hormonais, genéticos, emocionais e ambientais.

O mais importante é que os pais compreendam que a obesidade infantil não deve ser encarada como uma falha individual da criança nem como uma questão exclusivamente estética. Trata-se de uma doença multifatorial que exige acolhimento, acompanhamento médico e mudanças sustentáveis ao longo do tempo.

Não espere o problema aparecer nos exames para agir. Quanto mais cedo identificamos o excesso de gordura visceral e seus impactos no organismo, maiores são as chances de reverter o quadro e garantir que essa criança tenha uma vida adulta mais saudável.

Mais do que perder peso, o objetivo deve ser preservar saúde, qualidade de vida e futuro.

Dr Rodrigo Barbosa, cirurgião digestivo sub-especializado em cirurgia bariátrica e coloproctologia do corpo clínico dos hospitais Sírio Libanês e Nove de Julho. Sou também CEO do Instituto Medicina em Foco

 

Leia a matéria original aqui.

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