Páscoa com propósito: quando o chocolate também pode transformar vidas
Anamaria

A Páscoa é tradicionalmente um momento de celebração, encontro e troca de carinho e o chocolate costuma ser o grande protagonista dessa data. Mas, além de adoçar a comemoração, ele também pode se tornar um gesto de solidariedade. Cada vez mais, consumidores têm buscado presentes que carreguem propósito, apoiando iniciativas sociais que transformam a produção artesanal em oportunidade de renda e desenvolvimento comunitário.
Um exemplo dessa proposta é o Instituto Alimentando o Bem, organização criada em 2020 no Balneário do Perequê, no Guarujá (SP). A iniciativa surgiu durante a pandemia, inicialmente para ajudar famílias em situação de vulnerabilidade com doações de alimentos, e acabou se transformando em um projeto estruturado de impacto social.
Hoje, a Organização atua em diversas frentes, incluindo formação profissional, inclusão produtiva, assistência social e projetos voltados à melhoria das condições de moradia da comunidade. A proposta é fortalecer a autonomia das famílias e criar oportunidades reais de geração de renda, especialmente para mulheres.
Do chocolate ao artesanato pelo social
Dentre as iniciativas desenvolvidas está a Bem Cacau, projeto de empreendedorismo social dedicado à produção artesanal de chocolates. As participantes passam por capacitação técnica e recebem remuneração pela produção, criando um ciclo que une aprendizado, trabalho e independência financeira.
A fundadora do instituto, a designer de joias e empresária Emar Batalha, conta que a ideia surgiu da necessidade de ir além da ajuda emergencial. “O Instituto nasceu em um momento muito delicado para o país. Começamos com ações emergenciais, mas rapidamente entendemos que era necessário construir soluções estruturais que gerassem autonomia para as famílias e desenvolvimento para a comunidade”, afirma.
Desde sua criação, a organização já impactou cerca de 1.200 pessoas diretamente, com programas que incluem capacitação profissional, acompanhamento social e iniciativas voltadas à infância e ao fortalecimento da comunidade. Outro projeto é a Casa da Cerâmica, espaço de produção artesanal que utiliza o barro como instrumento simbólico de reconstrução e autonomia. A iniciativa busca fortalecer a identidade cultural da região e consolidar o Perequê como um polo ceramista.
Além da geração de renda, o Instituto também atua na assistência social e no acompanhamento de famílias em situação de vulnerabilidade. Uma equipe multidisciplinar formada por assistentes sociais, psicóloga e pedagoga realiza atendimento psicossocial, acompanhamento familiar e atividades de contraturno escolar para crianças e adolescentes.
A organização também desenvolve o programa Morada Digna, criado após fortes chuvas agravarem as condições de moradia de famílias que viviam em palafitas sobre o mangue. Atualmente, o projeto atende 51 famílias — cerca de 156 pessoas — oferecendo aluguel social e acompanhando a transição para moradias seguras.
Período gera aquecimento e esperança aos beneficiados

Nesse contexto, datas comemorativas como a Páscoa se tornam uma oportunidade de ampliar essa rede de solidariedade. Ao optar por presentes produzidos por projetos sociais, o consumidor não apenas celebra a data, mas também contribui para manter iniciativas que promovem inclusão e transformação.
Para Emar Batalha, a mudança começa justamente com pequenas atitudes. “O Instituto é um chamado para que mais mulheres, em diferentes posições sociais, olhem com empatia para outras mulheres. A transformação acontece quando o cuidado coletivo se transforma em compromisso”, diz.
Assim, além do sabor e da tradição, a Páscoa pode ganhar um novo significado: o de espalhar solidariedade e mostrar que gestos simples, como escolher um presente com propósito, também têm o poder de transformar vidas.
