Violência contra a mulher: pesquisa revela o peso do silêncio e da vergonha
Anamaria

A violência contra a mulher continua sendo uma realidade alarmante no Brasil. Um novo estudo mostra que a vergonha ainda silencia milhares de vítimas. Segundo pesquisa do Centro de Pesquisa da Mulher do Grupo Boticário, 70% das brasileiras consideram esse sentimento uma das principais barreiras para buscar ajuda diante de agressões e abusos.
Os dados chamam atenção porque revelam um problema que vai além da violência física. Muitas mulheres convivem com o medo do julgamento, da exposição e da falta de acolhimento. O levantamento aponta ainda que cerca de 40% das brasileiras já sofreram algum tipo de violência ao longo da vida, enquanto 74% afirmam conhecer outra mulher que passou pela mesma situação.
A pesquisa ouviu mais de mil mulheres em todas as regiões do país e reforça como a violência contra a mulher permanece ligada ao silêncio e à culpa. Para Renata Gomide, CMO do Grupo Boticário, falar sobre o tema continua sendo essencial para quebrar esse ciclo.
“Quando a gente fala de violência contra a mulher, não estamos falando só de números, mas de histórias que muitas vezes permanecem invisíveis e silenciadas”, afirmou a executiva.
O estudo completo e a cartilha digital gratuita estão disponíveis no site oficial do movimento “Precisamos Falar”. Clique aqui para conferir.
Violência contra a mulher começa a ser silenciada ainda na adolescência
A pesquisa mostra que o sentimento de vergonha aparece cedo na vida das meninas. Entre adolescentes de 12 a 17 anos, 88% afirmaram já ter presenciado situações de desrespeito ou intimidação. Além disso, 77,7% disseram considerar comuns comentários ofensivos direcionados às meninas.
O ambiente digital também preocupa. Quase metade das jovens relatou já ter visto ou vivido comentários maldosos nas redes sociais, enquanto 39,6% disseram ter recebido ofensas diretas online. Para especialistas, a internet acaba ampliando comportamentos violentos e reforçando estereótipos sobre o papel da mulher.
Informação existe, mas muitas mulheres ainda não sabem onde buscar ajuda
Apesar de o tema ganhar mais espaço nas conversas e nas redes sociais, a pesquisa identificou uma lacuna importante entre informação e acolhimento prático. Embora 93,6% das mulheres afirmem ter acesso a notícias sobre violência e 83,4% conversem sobre o assunto, apenas 55,1% sabem exatamente onde buscar ajuda.
Esse dado mostra que muitas brasileiras ainda enfrentam dificuldades para encontrar orientação segura e acessível. Foi justamente pensando nisso que o Grupo Boticário lançou a campanha Precisamos Falar, protagonizada por Fernanda Lima.
A iniciativa criou um canal no WhatsApp com conteúdos desenvolvidos por médicos, psicólogos e advogados em parceria com a plataforma Bloom Care. O objetivo é orientar mulheres sobre como reconhecer situações de abuso e agir diante da violência contra a mulher.
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A campanha também disponibilizou uma cartilha digital gratuita com informações práticas, apoio e acolhimento. O material reúne aprendizados construídos a partir da participação de mais de 15 mil pessoas.
Mais do que uma ação pontual, a campanha reforça a importância de manter o debate ativo durante todo o ano. Afinal, combater a violência contra a mulher também passa por criar espaços seguros de escuta, informação e apoio.
Resumo: Uma pesquisa do Grupo Boticário revelou que a vergonha ainda impede muitas brasileiras de denunciar casos de violência. O estudo mostra que esse silêncio começa na adolescência e se intensifica no ambiente digital. Apesar do aumento das discussões sobre o tema, muitas mulheres ainda não sabem onde buscar ajuda. A campanha “Precisamos Falar” busca ampliar acolhimento, informação e orientação prática.
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