Vista cansada é sinônimo de óculos? Entenda a presbiopia
Anamaria

A partir da quarta década de vida, muitas pessoas começam a perceber uma mudança curiosa: o celular precisa ficar mais distante para que as letras fiquem nítidas, livros parecem “embaraçados” e a leitura exige mais esforço. Essa situação bastante comum tem nome: presbiopia, popularmente conhecida como vista cansada.
Estudos publicados no British Journal of Ophthalmology indicam que mais de 1,8 bilhão de pessoas convivem com presbiopia no mundo. A tendência é que esse número aumente nas próximas décadas, acompanhando o envelhecimento da população. No Brasil, o quadro segue o mesmo padrão. Praticamente todas as pessoas passam a apresentar algum grau da condição depois dos 40 anos.
Por que a visão muda com a idade?
“A partir dos 40 anos, o cristalino, que é a lente natural dentro do nosso olho, começa a perder elasticidade. Esse processo chama-se presbiopia e é absolutamente natural. Quando somos jovens, o cristalino muda de forma com facilidade para focar de perto. Com o envelhecimento, ele se torna mais rígido e perde essa capacidade de acomodação”, diz. “Não é uma patologia, é uma consequência natural da idade. E acontece com todos, independentemente de terem miopia, hipermetropia ou nunca terem usado óculos”, completa.
Telas podem aumentar o desconforto
Embora o problema seja inevitável, alguns hábitos modernos podem intensificar o desconforto visual. “O uso excessivo de telas, baixa iluminação, olho seco e poucas pausas visuais aumentam a fadiga ocular. Isso não causa presbiopia, mas pode fazer a pessoa perceber o problema antes ou com mais desconforto”, explica o especialista.
“Muitas vezes o paciente relata que parece precisar cada vez mais dos óculos. Na verdade, ao passar a usá-los, a musculatura dos olhos deixa de se esforçar tanto. Não é que o grau esteja piorando rapidamente, mas o olho se adapta ao conforto”, explica.
Sinais que indicam a hora de procurar um oftalmologista
Depois dos 40 anos, as consultas oftalmológicas passam a ter papel importante também na prevenção de outras doenças oculares. Além da presbiopia, podem surgir alterações como início de catarata, aumento da pressão ocular e problemas na retina.
Alguns sintomas merecem avaliação médica: dificuldade crescente para ler mesmo com boa iluminação, dor de cabeça frequente após atividades visuais, necessidade de trocar o grau com frequência, visão embaçada para longe, dificuldade para dirigir à noite.
“Essa é a fase da vida em que o acompanhamento regular se torna essencial para diagnosticar precocemente alterações que podem comprometer a qualidade visual”, orienta.
Óculos ainda são necessários?
Durante muitos anos, os óculos de leitura foram praticamente a única solução para a presbiopia. Hoje, no entanto, a oftalmologia dispõe de novas alternativas para quem deseja maior independência visual. Entre as opções está a cirurgia refrativa a laser adaptada para presbiopia.
“Utilizamos o laser não apenas para corrigir o grau, mas para remodelar a córnea de forma personalizada, ampliando a profundidade de foco e equilibrando visão de longe, perto e intermediária. É indicada para pacientes a partir dos 40 anos que ainda não apresentam sinais iniciais de catarata”, diz.
Outra possibilidade é a substituição do cristalino por uma lente intraocular moderna, procedimento semelhante ao realizado na cirurgia de catarata. “Substituímos o cristalino por uma lente que permite visão para longe, intermediária e perto. É um procedimento definitivo: o cristalino não envelhece mais e o paciente não desenvolverá catarata no futuro. É especialmente indicado para quem já apresenta início de catarata”, conta.
Resumo
A presbiopia, conhecida como vista cansada, é uma alteração natural que surge após os 40 anos e dificulta a visão de perto. Embora os óculos ainda sejam comuns, avanços da oftalmologia já oferecem alternativas cirúrgicas e tratamentos personalizados para reduzir a dependência deles.
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