40% da população brasileira possui gordura no fígado; entenda os sintomas
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A gordura no fígado, também chamada de esteatose hepática, é uma condição cada vez mais comum – e, justamente por isso, merece atenção. O problema é que, na maioria das vezes, ela se instala devagar, sem causar sintomas claros, o que faz com que muitas pessoas convivam com a doença sem saber.
“O fígado é um órgão bem silencioso e raramente dói”, afirma o hepatologista Rodrigo Rêgo Barros, em entrevista ao Metrópoles. Esse caráter discreto torna o diagnóstico um desafio, especialmente nas fases iniciais. Muitas vezes, a condição só aparece em exames de rotina, como ultrassonografia ou alterações em exames de sangue.
Um problema frequente – e ainda pouco conhecido
Estima-se que três em cada dez pessoas tenham algum grau de gordura no fígado. Ainda assim, pesquisas mostram que boa parte da população desconhece o tema e não sabe quais exames detectam a doença.
“O dado mais alarmante é que 41% dos entrevistados desconhecem termos como esteatose hepática, fibrose e mesmo cirrose. E isso é preocupante se pensarmos que essa já é a doença mais comum do fígado mundialmente”, comenta a hepatologista Claudia Oliveira, professora da Faculdade de Medicina da USP. Além de afetar o fígado, a esteatose pode se relacionar com outras condições metabólicas, como diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.
Quem está no grupo de risco?
Embora qualquer pessoa possa desenvolver gordura no fígado, o risco é maior em quem apresenta: sobrepeso ou obesidade; diabetes ou pré-diabetes; hipertensão; colesterol e triglicerídeos elevados; sedentarismo; alimentação rica em açúcar e gordura saturada. Calcula-se que até 80% das pessoas acima do peso tenham algum grau de acúmulo de gordura no órgão.
Quais sintomas podem aparecer?
Na fase inicial, é comum não sentir nada. Mas, quando o quadro avança, alguns sinais podem surgir e merecem investigação médica. Sintomas mais comuns incluem: cansaço persistente; desconforto leve no lado direito do abdômen; náuseas ou enjoo após refeições; sensação de estômago pesado; dificuldade em digerir alimentos gordurosos; enzimas hepáticas alteradas em exames (TGO, TGP, GGT).
Em estágios mais avançados, podem ocorrer: urina escura e fezes claras; pele e olhos amarelados (icterícia); inchaço abdominal; retenção de líquido nas pernas e pés. Esses sinais indicam que o fígado pode estar sobrecarregado ou inflamado.
Como é feito o diagnóstico?
A esteatose pode evoluir?
Sim. Embora muitas pessoas tenham quadros leves, a gordura no fígado não deve ser tratada como algo inofensivo. Sem cuidados, ela pode avançar para: inflamação hepática (esteato-hepatite); fibrose (cicatrização do fígado); cirrose; insuficiência hepática; câncer de fígado. Por isso, o acompanhamento médico é fundamental.
O principal tratamento: mudança de hábitos
Apesar da gravidade potencial, especialistas são unânimes: o caminho mais eficaz para reverter a gordura no fígado está no estilo de vida. Segundo estudos, a prática de atividades físicas e mudanças na alimentação ajudam a reduzir os riscos. Com consistência, é possível notar melhora em poucos meses.
Algumas atitudes simples fazem diferença real: perder peso de forma gradual, sem dietas radicais; priorizar comida de verdade: frutas, verduras, grãos e proteínas magras; reduzir açúcar e farinha refinada; evitar ou pausar o consumo de álcool; praticar exercícios aeróbicos e treinos de força; dormir bem e controlar o estresse; acompanhar glicose, colesterol e pressão; evitar automedicação e suplementos sem orientação; manter consultas regulares com especialistas.
Um cuidado que começa no cotidiano
A gordura no fígado é um exemplo de condição silenciosa, mas que pode trazer consequências importantes quando ignorada. A boa notícia é que, na maioria dos casos, o diagnóstico precoce e mudanças consistentes no estilo de vida são capazes de interromper a progressão e melhorar a saúde do órgão. Cuidar do fígado é, no fundo, cuidar do metabolismo, da alimentação, do movimento e do corpo como um todo.
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