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Afinal, o que é lipedema? Consenso internacional define diagnóstico e tratamentos
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Afinal, o que é lipedema? Consenso internacional define diagnóstico e tratamentos

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Bons Fluidos
08/02/2026 12h00
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Por muito tempo, o lipedema foi tratado como um “excesso de gordura” comum. Muitas mulheres passaram anos ouvindo que bastava emagrecer, fazer mais exercício ou “fechar a boca”, sem saber que estavam lidando com uma doença crônica, dolorosa e ainda pouco compreendida. Agora, esse cenário começa a mudar.

Em janeiro de 2026, um grupo internacional de especialistas publicou o documento mais completo já elaborado sobre o tema, trazendo uma definição global e orientações mais claras para diagnóstico e tratamento. O consenso, desenvolvido pela Lipedema World Alliance, representa um marco importante para tirar o lipedema da invisibilidade – e, principalmente, do campo da desinformação.

Lipedema: uma doença crônica que vai além da estética

O novo consenso reconhece oficialmente o lipedema como uma condição crônica, de evolução prolongada e impacto profundo na qualidade de vida. A doença é caracterizada pelo acúmulo desproporcional e simétrico de gordura subcutânea, principalmente nas pernas e, em alguns casos, nos braços.

Esse aumento costuma vir acompanhado de sintomas marcantes: dor constante ou ao toque; sensação de peso; inchaço; facilidade para hematomas; desconforto funcional no dia a dia. Um detalhe importante é que pés e mãos geralmente não são afetados – um sinal clínico que ajuda a diferenciar o lipedema de outras condições.

Por que o lipedema é confundido com obesidade?

Apesar de afetar o tecido adiposo, o lipedema não é simplesmente obesidade. A distribuição corporal é diferente e a gordura tem comportamento próprio, muitas vezes resistente a dietas e emagrecimento.

Ao g1, o cirurgião plástico Vitor Pagotto explica que essa distinção é fundamental: “Na obesidade, o ganho de peso é global. No lipedema, há uma distribuição desproporcional e simétrica de gordura, principalmente nas pernas e, por vezes, nos braços. Diferente da gordura comum, essa é uma gordura ‘doente’, que causa dor, sensibilidade ao toque e uma desproporção física marcante em relação ao tronco”.

Ou seja: não se trata de falta de força de vontade, mas de uma desordem do tecido adiposo com influência genética e hormonal.

Dor: um dos sinais mais incapacitantes

Se existe um sintoma que aparece como central no consenso internacional, é a dor. Ela pode surgir espontaneamente ou ser provocada pelo toque – um fenômeno chamado alodinia. Segundo Pagotto, esse é um dos aspectos que mais limita a vida das pacientes: “A dor do lipedema é multifatorial e é o que mais compromete a vida da paciente”.

O documento também aponta que há um estado inflamatório crônico no tecido afetado, além de alterações na sensibilidade dos nervos periféricos. Ainda há lacunas científicas importantes sobre o papel da fibrose e do acúmulo de líquido entre as células, mas a dor já considera-se como elemento-chave da condição.

Diagnóstico é clínico – e o subdiagnóstico ainda é enorme

Outro ponto reforçado pelo consenso: não existe exame específico capaz de confirmar o lipedema. O diagnóstico continua sendo feito a partir da história clínica e do exame físico detalhado. “O diagnóstico hoje é 100% clínico. Isso exige um olhar treinado, que infelizmente ainda é raro”, afirma Pagotto.

Não há cura, mas existe controle

O consenso deixa claro: o lipedema ainda não tem cura conhecida. O tratamento tem como objetivo aliviar sintomas, preservar a mobilidade e evitar progressão. A abordagem mais recomendada é multidisciplinar, com foco em estratégias conservadoras:

Em casos selecionados e mais graves, pode indicar-se a lipoaspiração especializada, com preservação dos vasos linfáticos – mas sempre como parte de um cuidado contínuo, e não como solução isolada.

Cuidado com promessas milagrosas

O aumento da visibilidade do lipedema nas redes sociais trouxe informação, mas também abriu espaço para protocolos sem base científica. Especialistas alertam que muitos métodos divulgados (como radiofrequência, laserterapia ou ozonioterapia) ainda não têm comprovação sólida de eficácia. O que funciona, na maioria das vezes, é menos “atrativo” e mais consistente: mudanças de estilo de vida, fisioterapia e acompanhamento médico individualizado.

Um avanço histórico para pacientes e para a ciência

A publicação do Lipedema World Alliance Delphi Consensus, na revista Nature Communications, representa um passo decisivo para a medicina baseada em evidências aplicada ao lipedema. O documento:

  • Confirma que lipedema é doença crônica e distinta da obesidade;
  • Reconhece a dor como sintoma central e incapacitante;
  • Reforça que o diagnóstico é clínico;
  • Defende tratamento multidisciplinar e individualizado;
  • Aponta a urgência de mais pesquisa e diretrizes globais.

Depois de décadas de confusão, estigma e invisibilidade, o tratamento do lipedema começa a ter com a seriedade que merece. E, sobretudo, as pacientes passam a ter mais respaldo científico, mais reconhecimento e mais esperança de cuidado qualificado.

Leia também: Lipedema: o que você precisa saber, mas ainda não te disseram”

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do TIM NEWS, da TIM ou de suas afiliadas.
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