Autismo, TDAH e lazer: Como o Brasil quer transformar a experiência de viajantes neuroatípicos
Bons Fluidos

O Ministério do Turismo acaba de dar um passo histórico para transformar a experiência de viajantes com Autismo e TDAH. O objetivo é garantir que o direito ao lazer seja, de fato, para todos os brasileiros. Pela primeira vez, o órgão promove um levantamento nacional focado exclusivamente no turismo acessível para pessoas neurodivergentes.
A iniciativa busca reunir dados essenciais para a criação de um Guia de Boas Práticas. O objetivo é oferecer orientações práticas para destinos e serviços em todo o país. A Pesquisa Nacional sobre Turismo Acessível para Pessoas Neurodivergentes segue aberta até o dia 30 de março, em uma colaboração estratégica com a Universidade do Estado do Amazonas e o projeto Mais Acesso.
Melhorias para viajantes com Autismo e TDAH
O questionário mergulha em detalhes profundos da experiência de viagem que costumam passar despercebidos pelo público geral. São abordados pontos críticos como o incômodo com ruídos intensos, toques físicos inesperados e as dificuldades geradas por mudanças repentinas no roteiro. Essas situações impactam diretamente quem convive com autismo, TDAH e altas habilidades. Com as respostas em mãos, o governo pretende identificar demandas reais e mapear soluções que já funcionam no setor. Afinal, o acesso pleno ao turismo deve respeitar diferentes perfis sensoriais e comportamentais.
Para a psiquiatra Dra. Thaíssa Pandolfi, especialista em neurodivergência e alta sensibilidade, o projeto é um divisor de águas. “Como médica com atuação na saúde mental especialista em neurodivergência e na experiência feminina neuroatípica, considero a Pesquisa Nacional sobre Turismo Acessível para Pessoas Neurodivergentes um marco fundamental no reconhecimento de demandas até agora invisibilizadas”, afirma a especialista. Segundo ela, o estudo desloca o foco do padrão neurotípico tradicional para a compreensão real das necessidades sensoriais e comunicacionais de um segmento expressivo da população brasileira.
A produção de dados qualificados promete mudar a forma como aeroportos, hotéis e roteiros turísticos operam. De acordo com a Dra. Thaíssa, “a possibilidade de mapear as práticas existentes e as lacunas reais cria uma base de evidência empírica que pode orientar desde a capacitação de equipes até adaptações sensoriais”. O objetivo final é que viajar não seja apenas possível, mas uma experiência segura e rejuvenescedora. Em um país que valoriza a diversidade, repensar o acolhimento sob a ótica da neurodiversidade é, acima de tudo, promover bem-estar e qualidade de vida para milhares de famílias.
* Texto elaborado com informações da Márcia Stival Assessoria
