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Cérebro pode se conectar com a música e vibrar na mesma sincronia, diz estudo; entenda
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Cérebro pode se conectar com a música e vibrar na mesma sincronia, diz estudo; entenda

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Bons Fluidos
15/01/2026 01h00
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Ouvir música pode arrepiar, emocionar, acalmar ou dar vontade imediata de dançar. Agora, a ciência começa a explicar por quê. Segundo uma nova teoria apresentada por pesquisadores da Universidade McGill, no Canadá, o cérebro não apenas percebe a música: ele entra em ressonância física com ela.

A proposta, publicada na revista Nature Reviews Neuroscience, revisita décadas de estudos sobre neurociência musical e apresenta a chamada Teoria da Ressonância Neural (TRN). A ideia central é que os ritmos, melodias e harmonias que consideramos agradáveis estão alinhados com oscilações naturais do cérebro e do corpo.

“Música é poderosa não apenas porque a ouvimos, mas porque nossos cérebros e corpos se transformam nela. Isso tem grandes implicações para a terapia, a educação e a tecnologia”, afirma a neurocientista Caroline Palmer, uma das autoras do estudo.

Quando o cérebro entra no compasso

De acordo com os pesquisadores, o cérebro funciona em ritmos próprios – verdadeiras ondas elétricas que se ajustam aos sons que ouvimos. Em músicas com batidas mais lentas e regulares, como aquelas que convidam a bater palmas ou dançar, os neurônios do córtex cerebral passam a oscilar no mesmo ritmo da música.

Já sons mais rápidos, percebidos como tom ou altura musical, são acompanhados por estruturas mais profundas, como o nervo auditivo e a cóclea. Essa capacidade de sincronização ajuda a explicar por que pessoas sem qualquer formação musical – e até bebês – conseguem se envolver com a música de forma intuitiva.

O segredo do groove

A teoria também lança luz sobre o famoso groove: aquela vontade quase irresistível de mexer o corpo quando a música começa. Segundo a TRN, isso acontece quando a batida não é totalmente previsível, mas também não chega a ser caótica. Essa pequena dose de surpresa ativa o cérebro, que tenta “preencher” os espaços do ritmo. Esse processo, chamado pelos cientistas de ressonância não linear, aumenta o engajamento corporal e emocional com a música, e explica por que algumas canções parecem convidar o corpo a se mover.

Música, cultura e aprendizado

Por que isso importa?

Compreender como música e cérebro se conectam pode abrir caminhos importantes. Entre as possíveis aplicações apontadas pelos autores estão terapias para condições como depressão, Parkinson e reabilitação após AVC, além do desenvolvimento de tecnologias educacionais e até de inteligências artificiais mais sensíveis às emoções humanas. “A TRN pode oferecer novos insights sobre o comportamento humano e sobre como cérebro e experiência se conectam”, destacam os pesquisadores. 

No fim das contas, a teoria reforça algo que sentimos na pele há muito tempo: a música não fica do lado de fora. Ela entra, vibra, reorganiza e movimenta. E talvez seja justamente essa dança invisível entre som, cérebro e corpo que faz da música uma linguagem universal.

Leia também: Beethoven não tinha um ‘talento inato’ para a música, diz estudo”

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