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Dia Internacional da Mulher: Por que o seu próximo livro deve ser de uma autora negra?
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Dia Internacional da Mulher: Por que o seu próximo livro deve ser de uma autora negra?

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Bons Fluidos
04/03/2026 17h08
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Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, a reflexão sobre o papel feminino na sociedade ganha uma urgência ainda maior quando olhamos para as prateleiras e telas. Consumir produtos, livros e filmes criados por mulheres pretas não é apenas um ato de valorização cultural, mas um exercício de reparação histórica e de ampliação do nosso próprio horizonte. Quando apoiamos o trabalho dessas mulheres, combatemos estatísticas alarmantes: pesquisas da UnB mostram que, em décadas recentes, autores negros não representavam nem 5% dos livros publicados no Brasil, e as mulheres negras raramente alcançavam o posto de protagonistas ou criadoras.

Romper esse ciclo de invisibilidade é fundamental para que o feminismo seja, de fato, inclusivo e representativo. Conhecer o mundo através do olhar da mulher negra é ter acesso a uma profundidade intelectual e artística que foi sistematicamente silenciada. Neste mês de março, convidamos você a mergulhar em obras que são verdadeiros pilares do pensamento e da resistência brasileira:

Dia Internacional da Mulher: obras fundamentais para ler e apoiar agora

O caminho para uma consciência antirracista passa pela leitura de Bárbara Carine.  Vencedora do Prêmio Jabuti 2024, sua obra Como ser um educador antirracista desmistifica conceitos como o pacto da branquitude e o racismo estrutural. O livro é um guia indispensável para repensar a educação no Brasil, propondo uma formação emancipatória que contemple, finalmente, as perspectivas racializadas.

Quem busca ferramentas práticas de transformação encontra em Lélia Gonzalez. Em Por um feminismo afro-latino americano, somos apresentados a uma coletânea que transita entre ensaios e entrevistas, abordando como o racismo e o sexismo se estruturam em nossa ancestralidade. Lélia propõe uma luta que entende as raízes da mulher negra no continente, sendo leitura obrigatória para quem deseja compreender as engrenagens da nossa sociedade.

Já no campo da ficção, a mestra Conceição Evaristo nos presenteia com Canção para Ninar Menino Grande. A obra é um convite sensível e profundo para refletir sobre a masculinidade e as relações de afeto. Através da trajetória do personagem Fio Jasmin, Evaristo explora as contradições entre a busca por virilidade e o desejo de validação, oferecendo uma perspectiva única sobre como o racismo impacta os laços emocionais.

Por fim, não podemos deixar de falar do livro Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves. A obra narra a épica trajetória de Kehinde. Sequestrada aos oito anos no Reino do Daomé e escravizada na Bahia, a protagonista conduz o leitor por oito décadas de uma vida marcada por dores profundas, mas também por uma resiliência extraordinária. Segundo críticos e educadores, “precisa ser colocado nas escolas” para recontar a história do Brasil sob uma perspectiva de resistência e humanidade.

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do TIM NEWS, da TIM ou de suas afiliadas.
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