Enfermeira revela principais arrependimentos nos instantes finais da vida dos pacientes
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No silêncio dos instantes finais, quando o barulho do mundo já não consegue mais distrair a alma, a perspectiva sobre a vida costuma passar por uma transformação profunda e reveladora. Foi observando essa fase de transição que a enfermeira australiana Bronnie Ware, em seu trabalho com cuidados paliativos, catalogou as reflexões mais profundas de quem estava prestes a partir. O que surge desses relatos não são desejos por mais posses ou reconhecimento, mas sim um desejo sincero por mais autenticidade e conexão humana.
O arrependimento mais recorrente é o de não ter tido a coragem de viver uma vida fiel a si mesmo, em vez da vida que os outros esperavam. Muitas pessoas percebem, tarde demais, que deixaram seus sonhos mais genuínos engavetados para satisfazer expectativas sociais ou familiares. Dessa forma, morrem com a sensação de que nunca chegaram a conhecer sua própria essência. Junto a isso, surge a clássica confissão de quem gostaria de não ter trabalhado tanto. Esse sentimento é comum especialmente entre aqueles que sentem que sacrificaram o crescimento dos filhos e a companhia do parceiro em troca de uma correria corporativa que, no fim das contas, perde todo o brilho.
Os instantes finais: sentimentos repreendidos e distância dos amigos
Há também uma dor silenciosa sobre a repressão dos sentimentos. O desejo de ter tido a coragem de expressar o que se sentia — seja um “eu te amo”, um pedido de desculpas ou a imposição de um limite — é uma sombra que paira sobre muitos leitos. Ao engolirem suas verdades para manter uma paz artificial com os outros, muitos acabaram desenvolvendo uma existência resignada. Assim, perdem a chance de viver relações mais profundas e honestas.
Essas lições, colhidas nos instantes finais da existência, servem como um bússola para quem ainda tem o presente nas mãos. Elas nos lembram que o tempo é o nosso recurso mais escasso: como a palavra diz, um PRESENTE! Além disso, mostram que a verdadeira riqueza não está no que acumulamos. Está na coragem de sermos quem somos e na intensidade do amor que compartilhamos com quem caminha ao nosso lado. Como diz a música Epitáfio da banda Titãs, “Devia ter amado mais”. No fundo, é sobre isso.