Home
Estilo de Vida
Janeiro Branco: por que falar de saúde mental é mais urgente do que nunca
Estilo de Vida

Janeiro Branco: por que falar de saúde mental é mais urgente do que nunca

publisherLogo
Bons Fluidos
14/01/2026 22h00
icon_WhatsApp
icon_Twitter
icon_facebook
icon_email
https://timnews.com.br/system/rss_links/images/51005/original/Bons_Fluidos.png?1764195908
icon_WhatsApp
icon_Twitter
icon_facebook
icon_email
PUBLICIDADE

O Janeiro Branco surge em um momento crítico para a saúde mental no Brasil, marcado pelo aumento expressivo do sofrimento psíquico e dos afastamentos do trabalho por transtornos mentais. A saúde mental se tornou o principal problema de saúde para os brasileiros, superando até mesmo o câncer. De acordo com o levantamento Ipsos Health Service Report 2025, 52% dos entrevistados apontam a saúde mental como sua maior preocupação. Dados de 2024 mostram que o país registrou mais de 470 mil afastamentos do trabalho por transtornos mentais. 

Para a psiquiatra Maria Carol Pinheiro, campanhas como essa têm um papel estratégico ao ampliar o debate para além do consultório. “A relevância do Janeiro Branco é maior quando ele não se limita ao slogan, mas qualifica a comunicação com mensagens de esperança e responsabilidade coletiva, e é acompanhado por monitoramento de indicadores que permitam avaliar se houve de fato mudança em atitudes e maior acesso ao cuidado.”

Quando falar demais também adoece

O aumento do debate sobre saúde mental não vem sem riscos. Segundo Maria Carol, a forma como o tema circula hoje pode, paradoxalmente, gerar mais sofrimento. “Hoje se fala muito de saúde mental, mas nem sempre isso significa cuidado: muitas vezes significa mercado, identidade e performance.”

Ela aponta para o uso inflacionado de diagnósticos e seus efeitos subjetivos. “Vê-se um uso inflacionado de termos diagnósticos: ansiedade, depressão, TDAH, burnout, que passam a nomear desde conflitos cotidianos até sofrimento extremo, sem distinção de gravidade ou contexto”Nas redes sociais, esse fenômeno se intensifica. “Sofrimento vira conteúdo, identidade e moeda simbólica”, observa a psiquiatra.

Nem todo sofrimento é transtorno

Um ponto central do debate é diferenciar sofrimento humano de adoecimento mental. “Existe diferença, sim, e ela é importante: tristeza, esgotamento e desmotivação fazem parte da experiência humana e podem ser respostas proporcionais a situações difíceis.” O adoecimento, segundo ela, começa quando há prejuízo persistente no funcionamento global da vida.

Maria Carol destaca que não há fronteiras absolutas. “Não existe um ponto mágico universal que separa normalidade de transtorno; há uma zona cinzenta”. Nesses casos, ela alerta para o risco de rótulos precipitados: “O mais prudente não é apressar um rótulo, e sim avaliar se mudanças no ambiente, repouso, ajustes de carga de trabalho e suporte social aliviam o quadro”.

Prevenção: a saúde mental no dia a dia

Para a psiquiatra, tratar a saúde mental com lógica preventiva exige rever hábitos normalizados. “A primeira mudança seria deixar de imaginar a mente como algo abstrato e começar a encará-la como um sistema orgânico, sensível a carga, ritmo e ambiente”. Ela aponta fatores de risco silenciosos: “Jornadas extensas, hiperconectividade permanente, sono cronicamente reduzido, alimentação caótica, ausência de pausas reais e uma cultura que glamouriza estar sempre sobrecarregado”. 

O preconceito que ainda persiste

Apesar dos avanços, buscar ajuda ainda carrega estigmas. “Hoje é menos aceitável dizer abertamente que é frescura, mas persiste uma moral implícita de que gente forte resolve sozinha”. Há também, segundo ela, um estigma seletivo: “É socialmente mais aceitável falar que faz terapia para performance do que admitir um episódio depressivo ou a necessidade de medicação”.

Neste Janeiro Branco, Maria Carol chama atenção ainda para o preconceito estrutural e para o discurso meritocrático. “Transforma sofrimento psíquico em falha de performance”, afirma, fazendo com que muitos sintam vergonha não apenas do que sentem, mas de não corresponderem a um ideal irreal de saúde mental.

Sobre a especialista

Maria Carol Pinheiro é psiquiatra, palestrante, professora universitária e Mestre em Ciências da Saúde. Atua há mais de 15 anos com atendimentos em psiquiatria e psicoterapia. Professora na pós-graduação do Einstein de Medicina do Estilo de Vida. Dedica-se a palestras, treinamentos e consultorias em saúde mental pelo Brasil.

*Fonte: Tatiana Bertoni e Andresa Boni

Leia também: “Janeiro Seco”: veja dicas de especialistas para começar o ano sem bebida alcoólica

icon_WhatsApp
icon_Twitter
icon_facebook
icon_email
PUBLICIDADE
Confira também