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Jovens estão mais tristes e cansados do que adultos, diz pesquisa
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Jovens estão mais tristes e cansados do que adultos, diz pesquisa

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Bons Fluidos
10/02/2026 16h00
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O pico da tristeza agora acontece na juventude

Ao analisar informações de dezenas de países entre 2020 e 2025, os pesquisadores observaram uma inversão no padrão tradicional: tristeza, ansiedade e mal-estar psicológico estão atingindo seu ponto mais alto no início da vida adulta.

Hoje, os jovens aparecem como o grupo mais vulnerável emocionalmente, com níveis elevados de desmotivação e sofrimento psíquico quando comparados a adultos e idosos. Essa mudança, segundo os autores, não tem uma causa única – mas reflete um conjunto de pressões típicas do mundo contemporâneo.

Por que os jovens estão tão sobrecarregados?

Entre os principais fatores associados ao aumento do sofrimento emocional na juventude estão: o uso intenso das redes sociais; a instabilidade econômica; a pressão por sucesso e aparência; o crescimento da solidão; os efeitos psicológicos prolongados da pandemia. O resultado é uma geração que se sente constantemente atrasada, exausta e cobrada – inclusive por expectativas internas.

Quando a liberdade vira obrigação

A promessa de liberdade da era digital, para muitos, se transformou em uma cobrança silenciosa por desempenho constante. No consultório, profissionais de saúde mental têm percebido um desconforto generalizado: jovens que relatam sensação de desgaste emocional precoce, como se estivessem “cansados da vida” antes mesmo dos 30. Em vez de viver experiências com espontaneidade, muitos acabam presos ao impulso de editar, comparar e provar que estão bem. E quando essa validação não vem, surge o vazio.

O que é “florescer”? Um novo conceito para medir bem-estar

Essa tendência também aparece em outra grande investigação internacional: o Estudo Global Flourishing, uma colaboração entre as universidades de Harvard e Baylor. A coletânea, publicada na revista Nature Mental Health, reuniu mais de 30 artigos baseados em entrevistas com mais de 200 mil pessoas em mais de 20 países.

O objetivo era medir o grau de “florescimento” – um estado em que diferentes dimensões da vida (saúde, propósito, relações, caráter e segurança financeira) são percebidas como positivas. Os resultados mostraram que jovens entre 18 e 29 anos enfrentam dificuldades importantes tanto na saúde física quanto mental.

Um cenário preocupante também no Brasil

A pesquisa indicou índices relativamente baixos de bem-estar até os 50 anos em vários países, incluindo o Brasil. “É um quadro bastante sombrio”, afirmou Tyler VanderWeele, autor principal do estudo, ao jornal The New York Times. “Nossas descobertas levantam uma questão importante sobre estarmos ou não investindo o suficiente no bem-estar dos jovens”.

Além disso, outras investigações apontam aumento expressivo de ansiedade, depressão e perfeccionismo entre universitários, além da queda na participação em comunidades e grupos sociais – um fator que intensifica o isolamento.

Uma tendência global – com algumas diferenças culturais

Nem todos os países seguem exatamente o mesmo padrão. Em regiões como Polônia e Tanzânia, o florescimento diminui com o envelhecimento. Já em lugares como Japão e Quênia, a curva tradicional em “U” ainda aparece. Mesmo assim, no Ocidente, o quadro geral é claro: jovens adultos estão prosperando menos do que gerações anteriores. Uma das principais hipóteses é que atividades fundamentais para o bem-estar – convivência, descanso, pertencimento – estão sendo substituídas por horas diante das telas.

Quando felicidade vira obrigação moral

Os autores alertam para um novo tipo de sofrimento típico da sociedade atual: aquela que transformou a felicidade em dever. O drama moderno não é apenas estar mal – mas sentir que não se pode demonstrar isso. A juventude de hoje enfrenta um paradoxo: precisa parecer plena, produtiva e feliz, mesmo quando está emocionalmente esgotada. Talvez, no fim, o grande desafio não seja conquistar sucesso ou reconhecimento, mas reaprender a descansar, ser imperfeito e existir sem precisar provar nada o tempo todo.

Leia também: Por que tantos jovens estão infartando?”

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do TIM NEWS, da TIM ou de suas afiliadas.
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