Médica faz alerta importante: 'Dor na região íntima não é normal'
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Muitas brasileiras convivem com um sofrimento silencioso que pode durar, em média, seis anos antes de receberem o diagnóstico correto. Segundo um estudo publicado na Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, quase metade das mulheres com vulvodínia, por exemplo, permanece sem respostas mesmo após consultar diversos médicos. Esse cenário de invisibilidade é alimentado pela ideia equivocada de que o ardor ou a dor na região íntima são condições normais da vida feminina.
O que causa a dor na região íntima?
O grande desafio é que esses desconfortos frequentemente não apresentam sinais evidentes nos exames iniciais. Isso contribui, então, para diagnósticos tardios e para a perigosa normalização do sofrimento em fases como o pós-parto ou o envelhecimento. A dermatologista Vivian Amaral, especialista com duas décadas de atuação na área, acompanha de perto essa realidade. Segundo ela, a invisibilidade clínica ainda é um dos principais entraves para o cuidado adequado no Brasil.
Esses quadros podem estar associados a condições variadas, como vulvodínia, cicatrizes, alterações hormonais ou disfunções do assoalho pélvico. Embora as causas sejam distintas, todas compartilham a dificuldade de reconhecimento precoce pelas equipes de saúde. O impacto desse atraso vai muito além do físico, afetando severamente a autoestima, as relações afetivas e a saúde mental das mulheres.
Diagnóstico tardio
Ademais, a fragmentação do cuidado também agrava o problema. Isso porque a dor íntima pode envolver componentes dermatológicos, neurológicos e musculares ao mesmo tempo. Portanto, quando o tratamento foca apenas em sintomas isolados, como infecções de repetição, a causa principal permanece oculta. Além disso, o receio de julgamento faz com que muitas pacientes adiem a busca por assistência médica especializada.
A comunicação aberta é a chave para mudar esse cenário de subdiagnóstico. Vivian Amaral é enfática ao afirmar que o corpo sinaliza quando algo não vai bem e que o silêncio precisa ser rompido. “Dor não é normal, independentemente da fase da vida. Quando ela é ignorada, o corpo continua sinalizando que algo não está bem”, conclui a médica. Ampliar esse conhecimento é o passo fundamental para oferecer dignidade e tratamento adequado às brasileiras.
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