Morar em ruas com mais árvores reduz risco cardiovascular, aponta estudo
Bons Fluidos

Viver em áreas urbanas com mais árvores está associado a uma redução de 4% no risco de doenças cardiovasculares. Em contrapartida, morar em regiões com outros tipos de vegetação, como grama, arbustos e moitas, está ligado a uma maior probabilidade desses problemas. É o que aponta um estudo publicado em janeiro na revista Environmental Epidemiology.
Outros fatores podem estar em jogo, como bairros com predominância de gramados serem mais dependentes de carro e menos caminháveis, o que estimula hábitos mais sedentários na população. O estudo também levanta hipóteses como uso de pesticidas ou características do desenho urbano, mas essas variáveis não foram medidas diretamente.
Efeitos do contato com árvores
Por outro lado, as regiões com maior cobertura arbórea estão ligadas, indiretamente, a benefícios à saúde dos vasos e do coração. Isso ocorre devido à redução da poluição do ar, do alívio de ilhas de calor, da diminuição do ruído e do favorecimento à prática de atividade física e convivência social. “Do ponto de vista psicofisiológico, ambientes naturais modulam o sistema nervoso autônomo. Ademais, reduzem a ativação simpática crônica, que está ligada ao risco cardiovascular”, detalha Leão.
A relação entre natureza e saúde vem sendo estudada há pelo menos quatro décadas. “Já nos anos 1980, a Teoria da Recuperação do Estresse, proposta por Roger Ulrich, mostrava que até observar uma paisagem natural pela janela podia acelerar a recuperação fisiológica após uma cirurgia”, relata a pesquisadora.
Mas é claro que a paisagem, sozinha, não faz milagre. Para uma saúde boa, é preciso também adotar uma alimentação balanceada, fazer atividade física e dormir bem. Além disso, recomenda-se fazer acompanhamento regular junto a um médico e manejar o estresse. Nesse último caso, a natureza certamente é uma grande aliada. “Há base suficiente para pensar em cidades mais arborizadas como estratégia estrutural de promoção da saúde. No futuro, usufruir da natureza poderá ser visto como parte das recomendações de saúde, assim como hoje incentivamos a prática regular de atividade física”, especula Lis Leão.
*Texto escrito por Fernanda Bassete, da Agência Einstein
Leia também: Morar em áreas arborizadas pode reduzir chances de AVC
