Músculos e longevidade: como construir massa muscular pode ajudar a viver mais?
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Quando falamos em longevidade, o imaginário coletivo costuma associar o tema à genética, alimentação equilibrada e controle de doenças crônicas. Mas um fator decisivo para viver mais e melhor ainda recebe pouca atenção fora do meio científico: a massa muscular.
Mais do que estética ou desempenho, os músculos têm um papel central na manutenção da saúde ao longo dos anos, influenciando diretamente a autonomia, o metabolismo e até a prevenção de doenças graves. “Existem muitos fatores que contribuem para viver mais com mais saúde, mas quando listamos, raramente os músculos são citados, apesar de terem um enorme peso na saúde”, destaca o cardiologista e médico do exercício e esporte, Dr. Rafael Marchetti.
Músculos e terceira idade
Com o avanço da idade, ocorre naturalmente a perda de massa e força muscular, processo conhecido como sarcopenia. Esse fenômeno está associado a maior risco de quedas, fraturas, perda de independência funcional e aumento da mortalidade. “Estudos já mostram que indivíduos com maior massa muscular tendem a apresentar melhor equilíbrio metabólico, menor inflamação sistêmica e mais resistência a doenças cardiovasculares e metabólicas, como diabetes tipo 2”, destaca o especialista.
Do ponto de vista metabólico, os músculos são grandes consumidores de glicose. Quanto maior e mais ativo for o seu tecido muscular, melhor também será o controle da glicemia e da sensibilidade à insulina. “Isso explica por que pessoas com boa massa muscular apresentam menor risco de desenvolver resistência insulínica, condição diretamente ligada ao envelhecimento precoce e a diversas complicações de saúde”.
Saúde do coração
A relação entre músculos e longevidade também passa pelo sistema cardiovascular. A prática regular de exercícios que estimulam a força contribui para a melhora da pressão arterial, da função endotelial e da capacidade cardiorrespiratória. “Para o coração, um corpo muscularmente ativo representa menor sobrecarga em atividades cotidianas e maior eficiência no uso de oxigênio, fatores que se refletem em menor risco de eventos cardiovasculares”.
Autonomia e mobilidade
Além dos benefícios fisiológicos, a manutenção da massa muscular impacta diretamente a qualidade de vida. Força, equilíbrio e mobilidade garantem autonomia por mais tempo, permitindo que o envelhecimento ocorra com independência e menor necessidade de cuidados constantes. “Construir e preservar massa muscular não é um objetivo restrito a atletas ou pessoas jovens. Pelo contrário, é uma estratégia de saúde que deve acompanhar todas as fases da vida”, alerta o Dr. Rafael Marchetti.
Sobre o especialista
Dr. Rafael Marchetti é médico formado pela Faculdade Evangélica de Medicina do Paraná, com especialização em Cardiologia e título de especialista pela Sociedade Brasileira de Cardiologia. Possui pós-graduação em Medicina do Exercício e do Esporte, certificação internacional em Medicina do Estilo de Vida pelo IBLM e MBA em Gestão de Saúde. Atualmente, atua no projeto Cardioendocrino & Lifestyle Medicine e no Lapinha Spa.
*Fonte: Angela Rocha – MF Press Global
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