O mito caiu? Estudo da Unesp revela a verdade sobre o suposto efeito anti-inflamatório da creatina
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A creatina é um dos suplementos mais consumidos por atletas, praticantes de musculação e pessoas que buscam melhorar o desempenho físico. No entanto, além dos benefícios já conhecidos para força e recuperação muscular, muitas dúvidas surgiram nos últimos anos sobre uma possível ação anti-inflamatória da substância. Mas afinal, creatina é anti-inflamatória? Uma revisão sistemática com meta-análise realizada por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) indica que a resposta ainda não é tão simples. Após analisar diversos estudos clínicos realizados com seres humanos, os cientistas concluíram que não existem evidências consistentes para afirmar que a creatina reduz processos inflamatórios de forma significativa.
Creatina é anti-inflamatória? O que diz o estudo
Para investigar se a creatina é anti-inflamatória, os pesquisadores avaliaram oito ensaios clínicos randomizados e controlados por placebo. O objetivo era verificar se a suplementação provocava alterações relevantes nos principais biomarcadores de inflamação do organismo. Embora alguns estudos tenham apontado pequenas reduções em determinados marcadores, os resultados não foram considerados estatisticamente significativos. Dessa forma, os autores concluíram que as evidências atuais ainda não sustentam a ideia de que a creatina tenha um efeito anti-inflamatório comprovado em humanos.
Por que surgiu a ideia de que a creatina é anti-inflamatória?
Segundo os pesquisadores, parte dessa crença surgiu a partir de estudos realizados em animais ou em células analisadas em laboratório. Nesses experimentos, a creatina demonstrou algumas propriedades capazes de influenciar mecanismos relacionados à inflamação. No entanto, resultados observados em pesquisas básicas nem sempre se repetem quando avaliados em seres humanos. Por isso, especialistas alertam para a importância de diferenciar evidências laboratoriais de resultados clínicos comprovados.

Quando a creatina apresentou resultados positivos?
Apesar da conclusão geral do estudo, alguns cenários específicos apresentaram resultados interessantes. Em atletas submetidos a exercícios extremamente intensos, como maratonas e triatlos, alguns trabalhos observaram reduções em marcadores inflamatórios após protocolos de suplementação com doses elevadas de creatina. Nesses casos, houve diminuição de substâncias associadas ao processo inflamatório desencadeado pelo esforço físico intenso. Ainda assim, os pesquisadores ressaltam que esses efeitos não apareceram de forma consistente em outros grupos analisados.
A creatina continua sendo um suplemento seguro?
Sim. Embora o estudo questione a ideia de que a creatina é anti-inflamatória, os pesquisadores reforçam que a substância continua apresentando um bom perfil de segurança. Tanto em protocolos de curta duração com doses mais altas quanto em períodos prolongados de uso, os estudos analisados não identificaram efeitos adversos relevantes na maioria dos participantes. Além disso, atletas, idosos e pacientes clínicos geralmente toleraram bem a suplementação quando ela ocorreu de forma adequada e supervisionada.

Quais benefícios da creatina já possuem comprovação?
Diferentemente do suposto efeito anti-inflamatório, alguns benefícios da creatina já contam com amplo respaldo científico.
Entre eles, estão:
- Aumento da força muscular;
- Melhora do desempenho em exercícios de alta intensidade;
- Auxílio na recuperação muscular;
- Ganho de massa magra quando associado ao treinamento;
- Melhor desempenho em atividades de curta duração e explosão muscular.
Por isso, o suplemento continua sendo amplamente utilizado por atletas e praticantes de atividade física.
Creatina é anti-inflamatória? A ciência ainda busca respostas
Os resultados da pesquisa não descartam completamente a possibilidade de a creatina apresentar alguma ação anti-inflamatória em contextos específicos. No entanto, os dados disponíveis atualmente ainda não permitem confirmar esse benefício de forma ampla. Por isso, os pesquisadores defendem a realização de novos ensaios clínicos para esclarecer melhor a questão. Enquanto isso, a principal recomendação permanece a mesma: utilizar a creatina com orientação profissional e basear decisões em evidências científicas consolidadas, e não apenas em informações compartilhadas nas redes sociais.
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