O que é acatisia? Entenda a condição que levou Monica Iozzi ao hospital
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A internação da atriz Monica Iozzi em São Paulo trouxe à tona um debate necessário sobre a acatisia, uma reação medicamentosa severa que muitas vezes é negligenciada ou confundida com quadros psicológicos comuns. Após ser atendida nos hospitais Albert Einstein e Oswaldo Cruz, a artista compartilhou sua experiência com a condição, que se manifestou como um efeito colateral intenso a determinados fármacos. Segundo a Dra. Thaíssa Pandolfi, psiquiatra especialista em neurodivergência e superdotação feminina, a acatisia é caracterizada por uma inquietação interna avassaladora, gerando uma necessidade quase incontrolável de movimento constante.
O grande desafio clínico da acatisia reside na sua semelhança superficial com crises de ansiedade. No entanto, a Dra. Thaíssa ressalta que o sofrimento vai muito além de uma agitação mental. “Na prática clínica, pacientes descrevem a experiência como uma incapacidade de permanecer no próprio corpo. Não é apenas ansiedade ou agitação, é uma sensação corporal profunda de desconforto, frequentemente acompanhada de irritabilidade, tensão e sofrimento psíquico significativo”, explica a médica. Essa confusão diagnóstica pode ser perigosa, levando a ajustes de medicação que, em vez de aliviar, acabam agravando o quadro do paciente.
Acatisia: entenda a condição
A condição exige um olhar ainda mais atento quando falamos de mulheres e indivíduos neurodivergentes. Para esse grupo, a sensibilidade emocional aguçada pode mascarar a acatisia, fazendo com que médicos interpretem o desconforto físico como uma simples desregulação emocional. “Nas mulheres, especialmente aquelas com maior sensibilidade emocional ou neurodivergência, esse quadro pode ser ainda mais difícil de reconhecer, porque a inquietação interna pode ser interpretada como desregulação emocional ou crise de ansiedade”, alerta a especialista.
O caso de Monica Iozzi serve como um alerta para a importância da escuta individualizada e do diagnóstico precoce. Por fim, reconhecer que o corpo está reagindo negativamente a um psicofármaco — como antipsicóticos ou alguns antidepressivos — é o primeiro passo para interromper um ciclo de sofrimento. Embora seja invisível para quem observa, é profundamente perturbador. Para a Dra. Thaíssa, a visibilidade dada pela atriz é fundamental para que mais pessoas e profissionais saibam identificar esses sinais e busquem o ajuste terapêutico correto.
* Texto com informações de assessoria
