Superstições na Copa: por que torcedores repetem rituais antes dos jogos?
Portal Edicase
Vestir a mesma camisa em todos os jogos decisivos, sentar-se sempre no mesmo lugar da sala, evitar mudar de canal durante a partida ou até repetir o cardápio que “deu sorte” em vitórias anteriores. Em períodos de grandes competições esportivas, como a Copa do Mundo, muitos torcedores recorrem a rituais e superstições na tentativa de influenciar, ainda que simbolicamente, o resultado dentro de campo.
Embora muitas dessas práticas sejam encaradas de forma bem-humorada, a psicologia explica que elas têm relação direta com mecanismos emocionais que ajudam as pessoas a lidar com a ansiedade, a expectativa e a imprevisibilidade dos eventos esportivos.
Segundo o psicólogo e coordenador do curso de Psicologia da Faculdade Anhanguera, Marco Aurélio Fernandes, o futebol desperta sentimentos intensos de pertencimento, identidade e envolvimento emocional. “Ao acompanhar uma partida decisiva, o torcedor investe energia afetiva em algo sobre o qual não possui qualquer controle real. É justamente nesse cenário que surgem os rituais”, afirma.
Conforme ele, a superstição funciona como uma estratégia psicológica para reduzir a sensação de impotência diante de uma situação incerta. “Mesmo sabendo racionalmente que uma camisa ou um lugar específico no sofá não interferem no desempenho dos jogadores, o cérebro encontra conforto na repetição desses comportamentos”, explica.
A necessidade humana de encontrar padrões
Marco Aurélio destaca que o fenômeno não ocorre apenas no esporte. Pessoas costumam criar rituais antes de entrevistas de emprego, provas, apresentações ou qualquer situação considerada importante e potencialmente estressante.
Do ponto de vista científico, existe uma explicação para a popularidade das superstições. O cérebro humano é programado para identificar padrões e estabelecer relações de causa e efeito. “Nosso cérebro tem dificuldade em aceitar o acaso. Por isso, muitas vezes criamos conexões entre fatos que não possuem relação causal. Isso traz uma sensação de previsibilidade e segurança”, afirma o psicólogo.
Quando o ritual vira tradição familiar
Outro aspecto interessante é que muitas superstições ultrapassam a esfera individual e se transformam em tradições familiares. Há famílias que assistem aos jogos sempre reunidas no mesmo local, reproduzem receitas especiais ou seguem pequenos costumes transmitidos entre gerações.
Atletas também são supersticiosos
As superstições não estão restritas às arquibancadas. Diversos atletas profissionais relatam comportamentos repetitivos antes das partidas, como entrar em campo com o mesmo pé, ouvir determinada música ou seguir rotinas específicas no aquecimento. “Esses hábitos podem contribuir para aumentar a confiança e reduzir a ansiedade pré-competitiva, desde que não se transformem em uma dependência emocional”, completa Marco Aurélio.
Quando a superstição pode se tornar um problema
Por Camila Souza Crepaldi
