Orlando fora dos parques surpreende com boa gastronomia, esportes, compras e até passeios na natureza
Rota De Férias
Cerca de 750 mil brasileiros vão a Orlando todos os anos, o que posiciona o país como o terceiro maior mercado de turistas estrangeiros na cidade da Flórida. Em meio a esse público, há um bocado de gente que, como eu, já esteve muitas vezes por lá, o suficiente não para desprezar os parques temáticos (jamais!), mas para querer explorar outros horizontes além dos muros da Disney World, da Universal e do SeaWorld.
Por sorte, a cada ano Orlando vem se reinventando. Inicialmente, foi com a oferta de compras, que desde sempre atraiu brasileiros, mas agora está mais refinada do que nunca. Nessa esteira, bons hotéis, restaurantes, experiências esportivas, passeios nos arredores e atividades culturais floresceram para o turismo num nível que, hoje, dão vida a bairros descolados que não fazem feio diante de nenhum outro grande centro cosmopolita americano, como Miami ou Nova York.
Corrobora para isso ainda o fato de que, se antigamente os pacotes de viagem para a cidade previam dias seguidos em cinco, sete e até dez parques, agora há motivos de sobra para intercalar as visitas aos centros de lazer com outras paragens. Afinal, os ingressos estão cada vez mais caros (uma família de quatro pessoas chega a gastar até US$ 700 só para entrar no Magic Kingdom ou no Epic Universe, por exemplo) e a bateção de perna entre uma atração e outra é extenuante, o que nem sempre combina com o merecido descanso que as férias clamam.
Roteiro em Orlando fora dos parques
The Alfond Inn, hotel na charmosa Winter Park | Paulo Basso Jr.
Diante desse cenário, na hora de montar um roteiro em Orlando, vale muito a pena considerar passar algumas horas relaxantes e divertidas em locais como Winter Park, Winter Garden, Lake Nona, Mills 50 e Downtown. Para quem viaja em família, a programação ainda pode se estender para o Icon Park e incluir passeios nos arredores, como em Rock Springs, onde há uma nascente natural de águas translúcidas. Experiências diferentes é o que não faltam por lá. E o melhor de tudo é que, entre uma escapada e outra, sempre há a certeza de que o Mickey estará à sua espera.
Winter Park
Burrata com tomates frescos no restaurante Prato | Paulo Basso Jr.
Entre as atrações de Orlando fora dos parques, Winter Park desponta como um dos destinos mais queridinhos dos brasileiros. Quem visita a região pela primeira vez vindo da vizinha famosa demora a se dar conta que ainda está na Flórida. Localizada cerca de 20 minutos ao norte do centro da cidade, a área funciona como um município independente dentro do Condado de Orange, mas, na prática, integra o cotidiano dos moradores de Orlando como se fosse um bairro. A diferença é que, ali, o ritmo parece seguir outra lógica.Winter Park preserva uma atmosfera que remete muito mais a pequenas cidades europeias do que aos EUA. Charmosa, a cidadezinha conta com calçadas largas que convidam a passeios sem pressa, bem como lojas de rua e restaurantes de alto nível que espalham mesinhas ao ar livre ao longo da Park Avenue, a principal avenida local, e seus arredores. No fim da tarde, quando moradores e visitantes se encontram para o happy hour, o clima é perfeito para tomar um drinque ou sorvete ouvindo o som do jazz que ecoa de alguns estabelecimentos.
Nessa hora, é provável que a fome aperte, e é aí que Winter Park brilha ainda mais. Entre os destaques gastronômicos do pedaço está o premiado Prato, presença constante em listas e guias especializados, inclusive com recomendação do Guia Michelin. O restaurante aposta em culinária italiana contemporânea e costuma ter fila de espera nos horários mais disputados. Entre os pratos mais pedidos estão a burrata servida com tomates frescos e o rigatoni à bolonhesa, preparado lentamente e que, só de lembrar, me dá água na boca.
Poucos quarteirões adiante, dentro do hotel The Alfond Inn, o Hamilton's Kitchen oferece uma proposta diferente, inspirada nos sabores do sul dos EUA. Ali, provei uma excelente garoupa com arroz e cebolas preparadas ao molho branco. Outro destaque do cardápio é o bife de fraldinha com arroz frito de vegetais, crocante de cebola com ichimi (pimenta japonesa), couve-chinesa e glacê asiático.
Antes ou depois da refeição, a dica é dar um pulo no The Wine Room, que oferece uma experiência diferente para os apaixonados por vinhos. Isso porque, após carregar um cartão pré-pago, você pode circular livremente por dezenas de máquinas de degustação que oferecem centenas de rótulos de diferentes países, escolhendo entre pequenas doses ou taças completas. É uma forma divertida de comparar estilos, regiões e produtores sem a necessidade de pedir uma garrafa inteira.
Tiffany e cia
Capela do The Charles Hosmer Morse Museum of American Art | Paulo Basso Jr.
Winter Park vai muito além da boa mesa. A principal atração cultural da cidade é o The Charles Hosmer Morse Museum of American Art, o maior repositório do mundo dedicado à obra de Louis Comfort Tiffany, artista e designer americano que revolucionou o uso artístico do vidro colorido no fim do século 19. Filho de Charles Lewis Tiffany, fundador da Tiffany & Co., ele se tornou um dos principais expoentes do movimento Art Nouveau nos EUA.
O acervo do simpático museu reúne joias, luminárias, mosaicos, cerâmicas e, principalmente, os famosos vitrais que transformaram Tiffany em um dos nomes mais importantes das artes decorativas americanas. O ponto alto da visita é a reconstrução parcial da capela criada pelo artista para a Exposição Universal de Chicago de 1893. O espaço impressiona pela riqueza de detalhes, pelos mosaicos e pelo lustre de três metros em formato de cruz. E embora Tiffany seja a grande estrela da casa, o museu também exibe trabalhos de outros artistas americanos dos séculos 19 e 20.
Para quem prefere atividades ao ar livre, uma das experiências mais tradicionais na região é o Scenic Boat Tour. Realizado em barcos abertos que navegam pelos canais e lagos interligados de Winter Park, o passeio custa US$ 20 para adultos e US$ 10 para crianças. Não espere uma atração repleta de adrenalina, muito pelo contrário. A proposta aqui é desacelerar e observar a paisagem formada por jardins, mansões históricas e áreas arborizadas que ajudaram a construir a reputação da cidade como um dos endereços mais sofisticados da Flórida.
Ao longo do percurso, o guia conta histórias a respeito de algumas das famílias influentes que ajudaram a moldar o desenvolvimento da região. Entre elas está a do empresário e filantropo Alonzo Rollins, um dos grandes benfeitores do Rollins College, instituição fundada em 1885 e uma das faculdades de artes liberais mais tradicionais do sul dos EUA. O campus, aliás, também merece uma visita graças aos jardins bem cuidados e à arquitetura que reforça o clima elegante da cidade.
Hotel que parece galeria
The Alfond Inn | Paulo Basso Jr.
Com tantas atrações, vale a pena até passar algumas noites em Winter Park. Caso opte por isso, uma das melhores opções de hospedagem é o The Alfond Inn, hotel-butique administrado em parceria com o Rollins College – ao ponto de o lucro da operação ser revertido para bolsas de estudo da instituição, o que confere um significado extra à estadia. Os ambientes funcionam quase como uma galeria de arte contemporânea, com obras constantemente renovadas a partir da coleção da faculdade, o que gera a sensação de que o hotel está sempre se transformando.
Os quartos também fogem da neutralidade e apostam em cores vibrantes e detalhes cuidadosamente pensados para acolher os hóspedes. Há ainda spa, piscina, café, áreas de convivência e um serviço atencioso. Quando estive por lá, por exemplo, fui surpreendido com macarons decorados nas cores da bandeira brasileira. Um mimo simples, mas que traduz bem a proposta do hotel.
Lake Nona
O descontraído Boxi Park | Paulo Basso Jr.
Se Winter Park conquista pela elegância e pelo clima europeu, Lake Nona investe justamente no contrário. Planejado para ser um dos bairros mais inovadores dos EUA, o distrito próximo ao aeroporto internacional surgiu sobre antigas áreas rurais e, nas últimas décadas, transformou-se em uma espécie de laboratório urbano no qual tecnologia, saúde, gastronomia, arte e entretenimento convivem lado a lado. O resultado é um lugar jovem, descontraído, colorido e cheio de personalidade, que cada vez mais chama a atenção dos turistas.
Grande parte do desenvolvimento da região está ligada a hospitais, centros de pesquisa, universidades e empresas de tecnologia que desembarcaram por lá recentemente. Com eles, chegaram eventos ao ar livre, feiras, ciclovias, espaços de convivência e uma vida noturna cada vez mais movimentada.
A melhor porta de entrada para conhecer esse universo é o Boxi Park. Construído a partir de contêineres coloridos reaproveitados, o espaço funciona como uma mistura de praça gastronômica, centro de entretenimento e ponto de encontro dos moradores locais. Há bares, restaurantes, shows ao vivo, telões para transmissões esportivas, áreas para crianças e quadras de vôlei de praia e pickleball.
Outro destaque é o Lake Nona Sculpture Garden, agradável jardim de esculturas que reúne obras contemporâneas espalhadas ao longo de trilhas e áreas verdes. A proposta ali é integrar arte e natureza de maneira leve, algo que combina perfeitamente com a identidade do bairro.
Para comer (e beber) bem
Restaurante Bacán, em Lake Nona | Paulo Basso Jr.
O Sculpture Garden faz parte do Wave Hotel, empreendimento que se tornou uma espécie de vitrine do estilo de vida de Lake Nona. Não é preciso ser hóspede para entrar no hotel e admirar uma série de obras de arte, instalações tecnológicas e móveis de design que transformam o ambiente em algo próximo a uma galeria contemporânea. O Living Room Bar, localizado logo na entrada, tem uma baita iluminação e costuma oferecer música ao vivo em diversos dias da semana. É um ótimo lugar para tomar um drinque, assim como o The Nectar Room, no andar de cima, indicado para quem deseja esticar a noite ao som de reggaeton.
A verdadeira estrela do complexo, porém, é o Bacán, restaurante onde tive uma das melhores experiências gastronômicas em Orlando em anos. O menu aposta em sabores inspirados na América Latina e no Caribe, combinando técnica refinada e apresentações impecáveis. A minha lista de recomendações (assim como a do Guia Michelin) é longa e inclui entradas como hamachi (peixe cru) e o delicioso polvo grelhado com queijo feta defumado e chimichurri. Para o prato principal, se você gosta de carne de porco, nem ouse sair de lá sem provar o corte dry age servido com purê de batata-doce e damasco. Delicioso!
Winter Garden
A simpática Winter Garden | Paulo Basso Jr.
Localizada cerca de 30 minutos a oeste de Downtown, Winter Garden é mais uma das cidadezinhas da região metropolitana de Orlando que, muitas vezes, é confundida com um bairro. O local cresceu cercado por plantações de cítricos e preserva até hoje um centro histórico charmoso e interiorano, que parece saído de um filme ambientado no interior dos EUA.
O coração de Winter Garden é a charmosa Plant Street. Tombada como parte do Registro Nacional de Locais Históricos dos EUA, a via reúne lojas independentes, cafés, sorveterias e restaurantes que ocupam antigos edifícios restaurados, muitos deles com fachadas centenárias de tijolinho à vista. A dica ali é caminhar sem pressa no calçadão central, onde se descortinam fontes, jardins, bancos e portais. Não é raro ver famílias passeando por lá, com crianças brincando na água nos dias mais quentes do ano e moradores sentados numa boa observando o movimento ou lendo um jornal.
Uma vez na região, não deixe de conhecer o Plant Street Market, mercado gastronômico que reúne dezenas de operações especializadas em hambúrgueres, pizzas, cafés, doces e produtos artesanais. No mesmo espaço funciona a Crooked Can Brewing Company, cervejaria independente que produz seus próprios rótulos e costuma atrair um público animado nos fins de semana.
Feira ao ar livre
Central Florida Railroad Museum, em Winter Garden | Paulo Basso Jr.
Quem tiver a oportunidade de visitar a cidade em um sábado encontrará uma atmosfera ainda mais especial. Afinal, é nesse dia que ocorre o Winter Garden Farmers Market, uma das melhores feiras ao ar livre em que estive nos EUA. Entre barracas de flores, frutas, vegetais, produtos artesanais e comidas prontas, o evento oferece uma oportunidade rara de observar o cotidiano dos moradores muito além da bolha turística de Orlando.
O evento é realizado pertinho da antiga estação ferroviária, onde hoje funciona o pequeno Central Florida Railroad Museum. O local narra a história do transporte que impulsionou o desenvolvimento local e reforça a sensação de que, ao menos por um tempinho, os parques temáticos estão bem distantes dali.
Caso sobre tempo, aproveite para explorar a West Orange Trail, trilha pavimentada com mais de 30 km de extensão que corta diferentes comunidades da região. Ciclistas, corredores e pedestre usam o percurso diariamente, o que faz de Winter Garden uma das cidades mais amigáveis da Flórida para quem gosta de atividades ao ar livre.
Downtown Orlando
Orlando Magic, no Kia Center | Divulgação - Orlando Magic
Já faz algum tempo que o centro de Orlando deixou de servir apenas como endereço de escritórios e prédios comerciais. Nos últimos anos, Downtown consolidou uma cena própria de entretenimento, impulsionada por eventos esportivos, apresentações culturais e uma oferta gastronômica cada vez mais interessante.
Para os fãs de futebol, o principal destaque é o Inter&Co Stadium, casa do Orlando City, um dos clubes mais populares da Major League Soccer. O estádio fica na área central e oferece uma experiência diferente daquela encontrada em grandes arenas americanas e mais semelhante ao clima do Brasil. As arquibancadas são próximas ao gramado, o ambiente é barulhento e a torcida participa ativamente da partida durante os 90 minutos. O mesmo palco também recebe os jogos do Orlando Pride, equipe feminina que tem a brasileira Marta como principal estrela e ajudou a transformar a cidade em uma das referências do futebol nos EUA.
Para quem prefere cestas a gols, a poucos minutos dali está o Kia Center, casa do Orlando Magic. A franquia do time de basquete da NBA sempre atraiu muitos brasileiros, mas a relação ficou ainda mais próxima nos últimos anos quando a equipe passou a organizar, em janeiro, o já tradicional Brazilian Day, evento que reúne apresentações culturais, ativações especiais e diversas homenagens ao público verde e amarelo.
Vale ressaltar que ver uma partida por lá vai muito além de curtir o jogo em si. O complexo oferece diferentes experiências premium, incluindo lounges, camarotes e opções gastronômicas que transformam a visita em um programa completo para a noite. Dependendo do pacote escolhido, é possível até jantar dentro da arena enquanto acompanha as jogadas de Paolo Banchero, Franz Wagner e companhia.
Os ingressos para os jogos da temporada regular do Orlando Magic podem ser reservados aqui.
Música para degustar
Judson's Live | Paulo Basso Jr.
Ainda em Downtown Orlando, quem merece atenção é o complexo do Dr. Phillips Center for the Performing Arts, um dos maiores centros culturais da Flórida. Com arquitetura moderna marcada por grandes painéis de vidro, áreas abertas e iluminação cênica, o espaço recebe musicais da Broadway, concertos, espetáculos de dança e apresentações de artistas internacionais ao longo do ano.
Foi ali que descobri um daqueles lugares que, se eu morasse em Orlando, seria frequentador assíduo: o Judson's Live. Diferentemente dos grandes teatros do complexo, o espaço foca apresentações intimistas que aproximam artistas e público, com poltronas confortáveis e bancos dispostos em frente a um palco pequeno. A programação costuma misturar jazz, blues, rock, folk, música instrumental e artistas independentes, com destaque para a ótima acústica local.
O menu de comidinhas e drinques também é caprichado. Entre os destaques estão os flatbreads, espécie de pizza de massa fina e crocante bastante popular nos EUA, servida em diferentes combinações de queijos, carnes e vegetais. A carta de vinhos também é boa, assim como os coquetéis. Eu fui de sazerac, clássico criado em New Orleans que combina uísque de centeio ou conhaque, absinto, xarope de açúcar, bitter Peychaud's e casca de laranja. Estava excelente e harmonizou perfeitamente com o ambiente do lugar.
Mills 50
Mural em Mills 50 | Divulgação - Visit Orlando
A partir de Downtown Orlando, vale a pena explorar alguns bairros vizinhos, como o moderninho Mills 50, um dos mais emergentes da cidade. Tradicional reduto da comunidade asiática, a região passou por uma revitalização nos últimos anos e passou a reunir restaurantes que aparecem com frequência entre os mais elogiados da Flórida.
Entre os destaques estão casas como Z Asian, Tori Tori e Kaya, que ajudam a explicar por que o bairro se tornou parada obrigatória para quem gosta de comer bem. A oferta vai de culinária japonesa contemporânea a pratos vietnamitas, chineses, laocianos e tailandeses, refletindo a diversidade cultural da região.
Além da gastronomia, Mills 50 chama atenção pela arte urbana. Murais coloridos ocupam fachadas, cruzamentos e prédios comerciais. Pode se preparar para fazer muitas fotos. E caso se empolgue, é capaz que você vá parar em Baldwin Park, lá pertinho. Afinal, é lá que fica o Sorekara, primeiro e único restaurante de Orlando a conquistar duas estrelas Michelin.
ICON Park
The Orlando Eye, no ICON Park | Paulo Basso Jr.
Em plena International Drive, principal corredor hoteleiro da cidade, o ICON Park se transformou em uma das melhores alternativas para quem deseja fazer algo diferente em Orlando sem abrir mão da diversão em família. O complexo reúne atrações para todas as idades, incluindo restaurantes, bares, lojas e áreas abertas que vivem lotadas dia e noite.
O grande símbolo do local é a roda-gigante The Orlando Eye. Com cerca de 120 metros de altura, a estrutura oferece uma das vistas mais bonitas da cidade em cabines fechadas e climatizadas. Em dias de céu limpo, é possível avistar os parques temáticos, lagos e boa parte da expansão urbana de Orlando. Bem calminha, a volta completa dura cerca de 20 minutos.
Logo ao lado fica o SEA LIFE Orlando Aquarium, um dos aquários mais populares da região. O espaço conta com diversos ambientes marinhos, entre os quais se destaca um túnel transparente onde tubarões, arraias e peixes nadam sobre a cabeça da galera. Não é muito grande, mas cumpre bem o papel de entreter especialmente as crianças.
Outra atração bastante procurada no ICON Park e que me surpreendeu é o Madame Tussauds. O famoso museu de cera reúne réplicas impressionantes de artistas, atletas, músicos e personagens históricos. O que eu mais curti por lá é que, como não há barreiras separando os visitantes das estátuas, a brincadeira consiste justamente em tirar fotos ao lado das celebridades, muitas vezes com objetos e roupas em cenários criados para reproduzir momentos famosos.
Já os mais corajosos podem encarar o SlingShot, atração que se tornou um clássico da International Drive e viralizou com um post de Sasha Meneghel e Bruna Marquezine. Presos a uma espécie de cápsula, os participantes são lançados a grande velocidade para o alto em questão de segundos. É uma loucura completa. Mas para quem gosta...
Boa mesa, muita dança
Blake Shelton's Ole Red | Divulgação
Com tanto o que fazer, vale a pena reservar também um tempo para explorar a gastronomia do ICON Park. Entre as opções mais concorridas está o Helena Modern Riviera, restaurante de inspiração mediterrânea que combina pratos caprichados, coquetelaria elaborada e vista privilegiada para a The Orlando Eye. Para os que buscam algo mais casual, há alternativas como o Gordon Ramsay Fish & Chips, especializado no clássico prato britânico de peixe empanado com batatas fritas, além de nomes conhecidos dos brasileiros, como Shake Shack, Carrabba's Italian Grill e Yard House.
À medida que a noite avança, o complexo se revela um bom lugar para quem não quer saber de dormir cedo. Casas como Tin Roof e Blake Shelton's Ole Red têm música ao vivo e costumam estar animadas. Só não espere ficar na balada até depois das 2h, pois Orlando, assim como a maioria das cidades americanas, vira abóbora no começo da madrugada.
Compras em shoppings e outlets
Primark, no Florida Mall | Paulo Basso Jr.
Não importa o quanto Orlando tenha evoluído nos últimos anos: as compras continuam sendo uma das atividades favoritas dos brasileiros que viajam para a região. Para muita gente, aliás, elas só perdem espaço para os parques temáticos. Quando perdem!
Os famosos outlets seguem como destino obrigatório. Tanto o Orlando International Premium Outlets quanto o Orlando Vineland Premium Outlets continuam atraindo multidões em busca de descontos em lojas como Nike, Adidas, Coach, Polo Ralph Lauren, Michael Kors, Tommy Hilfiger, Calvin Klein e Under Armour. Dependendo da época do ano e das promoções em vigor, não é difícil encontrar preços que fazem a turma sair de lá com malas extras. A dica aqui é viajar com menos peso, pois você, pode apostar, precisará de espaço.
Na famosa trilha de “gastar o que não tem comprando o que nem sempre precisa”, os shoppings convencionais da cidade também desempenha papel fundamental. Para mim, uma das boas surpresas foi revisitar o Florida Mall, onde eu não ia há bastante tempo. Localizado a poucos minutos do aeroporto internacional, o local passou por uma série de transformações e hoje reúne uma mistura interessante de lojas populares, marcas esportivas e grifes desejadas pelos brasileiros (muitas delas, inclusive, com vendedores que falam português).
Entre os destaques estão nomes como Apple, JD Sports, Crocs, Zara, H&M e Macy's, além da Primark, uma das lojas mais disputadas do momento. A rede irlandesa se tornou um fenômeno entre turistas graças à enorme variedade de roupas, acessórios, itens para casa e produtos infantis vendidos a preços baixos. Já adianto que, muitas vezes, o local parece uma praça de guerra, tamanha a voracidade dos consumidores. Mas ainda assim é possível fazer boas compras, sobretudo no andar superior, onde fica a área com produtos para crianças.
Diversão para os pequenos
Crayola Experience | Paulo Basso Jr.
Os pequenos, por sinal, costumam se dar bem no Florida Mall. Um dos espaços mais populares do shopping é a Crayola Experience, onde as crianças podem fazer seus próprios gizes de cera, personalizar desenhos, participar de atividades criativas e conhecer de perto o universo da marca que atravessa gerações.
Não muito distante dali está a RIDEMAKERZ, loja que costuma fazer sucesso entre os baixinhos (e grandinhos) apaixonados por carros. A proposta lembra bastante a das oficinas de montagem de bichinhos de pelúcia. A diferença é que você escolhe o modelo do brinquedo e personaliza rodas, cores, acessórios, sistema de som e diversos outros detalhes. É bem divertido.
Hora do almoço
Pratos árabes no Amar Orlando | Paulo Basso Jr.
Se a fome bater, é bom saber que o Florida Mall oferece uma boa oferta gastronômica além da praça de alimentação. Próximo à entrada principal está o brasileiro Hocca Bar, conhecido pelos pastéis generosos, sanduíches de mortadela e outros clássicos da culinária paulistana.
A minha escolha, porém, foi o vizinho Amar Orlando. Como fã de culinária árabe, encontrei ali pratos fartíssimos que servem tranquilamente entre duas e quatro pessoas. Uma boa pedida é apostar nos combos que reúnem entradas tradicionais, como homus, babaganoush, tabule e charutinhos de folhas de uva, com espetos de carne, frango e kafta.
Depois de forrar o estômago, vale a pena explorar as lojas localizadas nos arredores do Florida Mall . Em poucos minutos é possível chegar a unidades da Best Buy, parada obrigatória para quem procura eletrônicos, da Target, um dos supermercados mais populares dos EUA, e da MacroBaby, uma das maiores lojas especializadas em produtos infantis do país. O local, que pertence a brasileiros, vende desde carrinhos e cadeirinhas até enxovais completos.
Luxo sem desconto
Mall at Millenia reúne diversas lojas de luxo | Divulgação
Quem procura uma experiência mais sofisticada pode reservar algumas horas para conhecer o Mall at Millenia. Diferentemente dos outlets e do próprio Florida Mall, o shopping aposta em um ambiente mais elegante, com corredores amplos e uma seleção de marcas voltadas para o segmento de luxo.
É ali que estão butiques como Chanel, Louis Vuitton, Gucci, Prada, Saint Laurent, Christian Louboutin, Tiffany & Co., Rolex e Hermès, além de grandes lojas de departamento como Bloomingdale's e Neiman Marcus. Mesmo para quem não pretende comprar nada, a visita vale pela arquitetura contemporânea, pelas vitrines elaboradas e pela oportunidade de observar um lado de Orlando que costuma passar despercebido por quem passa os dias apenas entre montanhas-russas e simuladores.
Rock Springs
Nascente tem águas cristalinas e belas paisagens | Paulo Basso Jr.
Quem procura por atividades em Orlando fora dos parques também pode deixar alguns prazeres mundanos de lado por alguns dias para descobrir as lindas paisagens naturais nos arredores da cidade. Um bom exemplo é Rock Springs, nascente de águas cristalinas localizada na cidade de Apopka, cerca de 40 minutos ao norte de Downtown Orlando.
O local costuma atrair, principalmente, famílias em busca de um programa diferente e agrada em cheio quem viaja com crianças. Afinal, a água por lá brota do solo em temperatura agradável e impressiona pela transparência e os tons de verde. Em alguns pontos, a visibilidade é tão grande que dá para observar o fundo sem fazer esforço.
A melhor maneira de explorar a região é contratar um dos passeios da Get Up And Go Kayaking. A empresa realiza tours guiados em caiaques pelo trecho conhecido como Emerald Cut, um dos mais bonitos de toda a nascente. Os passeios duram cerca de quatro horas e custam a partir de US$ 60 por pessoa, variando conforme o equipamento escolhido.
Peixes, aligátores e águas cristalinas
Passeio de caiaque em Rock Springs | Paulo Basso Jr.
Optei por fazer o tour em um caiaque de fundo transparente, o que se revelou uma excelente escolha. Afinal, as águas de Rock Springs são tão cristalinas que, muitas vezes, é possível observar pequenos peixes nadando sob a embarcação durante o trajeto. Em determinados momentos, a sensação é a de remar sobre um enorme aquário natural cercado por vegetação exuberante.
Ao longo do percurso, a simpática guia revelou curiosidades a respeito da fauna e da flora da região, além de ajudar a galera a identificar os pássaros e outros animais que costumam aparecer por ali. Foi assim que avistei um pequeno aligátor descansando próximo à margem. Apesar do susto, a líder tratou logo de tranquilizar o grupo, explicando que encontros como esse são relativamente comuns por lá e que os animais normalmente não oferecem perigo aos visitantes. Desde que, é claro, você permaneça na embarcação.
Por desencargo de consciência, resolvi dar meia-volta e explorar um trecho da nascente com menos vida selvagem e mais paisagens para admirar. O melhor de tudo é que não é preciso ter qualquer experiência prévia com caiaque para curtir o passeio. O ritmo é tranquilo, com diversas paradas para fotos e contemplação. E ainda dá para aproveitar a maré, na ida ou na volta, dependendo do horário, para passar um tempo sem remar, apenas deixando-se levar em meio a um dos cenários mais encantadores da Flórida.
Onde ficar em Orlando
Hotel conta com a única piscina exclusiva de adultos na Disney World | Paulo Basso Jr.
Apesar de todo o leque de opções de lazer que Orlando oferece fora dos parques, é provável que você visitará ao menos um deles quando estiver na cidade. E não há nada de errado nisso, já que eles são, de fato, o grande chamariz turístico da região.
Se a ideia é não passar o tempo todo nos centros de lazer, porém, uma boa dica é investir em uma hospedagem que te deixe próximo dos complexos, mas também ofereça outras oportunidades de lazer. Só na área da Disney World, por exemplo, existem dezenas de hotéis administrados pelo complexo do Mickey e também por redes independentes. Em comum, eles contam com transporte facilitado e uma série de serviços pensados para tornar as férias mais práticas e confortáveis.
Hotel luxuoso em Orlando
Four Seasons Orlando
Para quem busca conforto absoluto, o luxuoso Four Seasons Resort Orlando, localizado na exclusiva comunidade de Golden Oak, entrega uma experiência que combina luxo, conveniência e acesso simples à Disney World, uma vez que o condomínio fica dentro do conglomerado. Logo na chegada, é difícil não se impressionar com o enorme lustre central que enfeita o lobby e pelas obras de arte que, discretamente, remetem ao universo de Mickey e companhia.
O atendimento de alto nível inclui concierges especializados nos parques, que podem fazer reservas de restaurantes, dar orientações a respeito das Lightning Lanes (o fura-filas da Disney), criar estratégias para otimizar o roteiro e até imprimir cartões físicos para quem já organizou a visita por meio do aplicativo da Disney – eu sempre guardo os meus como suvenires.
Nas áreas comuns, o resort também funciona como um centro de lazer completo, com destaque para um complexo aquático que reúne rio de correnteza, toboáguas, áreas infantis e espaços voltados para famílias. Já os adultos encontram a única piscina exclusiva na área da Disney World, spa completo, quadras esportivas e uma programação diária de atividades.
Para quem gosta de comer bem, há dois restaurantes recomendados pelo Guia Michelin no hotel. Um deles é o Ravello, onde é realizado um dos cafés da manhã com personagens mais disputados de Orlando, com direito à presença de Pateta, Mickey e Minnie com fotógrafos que fazem os retratos e entregam um código para que você os baixe. O serviço está incluso no preço, que parte de US$ 60.
O outro endereço gastronômico do Four Seasons Resort Orlando é o Capa, restaurante espanhol localizado no rooftop do hotel. Com pratos bem apresentados e muito sabor, o cardápio destaca cortes de carne, paellas e frutos do mar excelentes, como a vieira servida com purê de batata-doce. De quebra, o local conta com uma varanda de onde se tem uma vista panorâmica da Disney World. Dali – e também dos terraços de algumas acomodações – é possível observar, de um ângulo diferente, os fogos que encerram a noite diariamente no Magic Kingdom e no Epcot.
Hotel econômico em Orlando
Quarto do Drury Plaza Hotel Orlando Lake Buena Vista | Paulo Basso Jr.
Se nada disso couber no seu bolso, porém, vale saber que há alternativas mais acessíveis na mesma região. Uma delas é o Drury Plaza Hotel Orlando Lake Buena Vista, que costuma chamar atenção por contar com café da manhã incluso na diária, quartos espaçosos, transporte para os parques e uma agradável área de lazer com piscina voltada para um dos lagos que cercam a Disney Springs. O complexo tem entrada gratuita e reúne dezenas de restaurantes, lojas e opções de entretenimento.
Novidades nos parques de Orlando
Rock 'n' Roller Coaster Starring The Muppets, no Hollywood Studios | Paulo Basso Jr.
Uma vez dentro dos parques temáticos, não faltam novidades em Orlando. No Magic Kingdom, da Disney World, os destaques são a ampla modernização da clássica Big Thunder Mountain Railroad, projeto que prepara terreno para a futura transformação da Frontierland, onde está prevista a construção de uma área inspirada na franquia Carros. Outra atração bastante popular do parque, Buzz Lightyear’s Space Ranger Spin, também passou por uma grande atualização e ganhou novos veículos, armas mais modernas, efeitos aprimorados e alvos interativos.
No Hollywood Studios, também na Disney World, as mudanças são ainda mais visíveis. A principal delas é a recém-inaugurada Rock 'n' Roller Coaster Starring The Muppets, que assumiu o lugar da antiga versão temática do Aerosmith, mas manteve o mesmo percurso e a arrancada da montanha-russa original. O parque também ganhou novos espetáculos voltados ao público infantil e o retorno do icônico Chapéu do Feiticeiro, que volta a ocupar posição de destaque na paisagem do centro de lazer. Além disso, a atração Millennium Falcon: Smugglers Run passou a contar com uma nova aventura inspirada em The Mandalorian e Grogu.
O Animal Kingdom, por sua vez, inaugurou no fim de 2025 Zootopia: Better Zoogether!, espetáculo em 4D inspirado no sucesso da Disney Animation. A novidade substituiu o antigo show It’s Tough to Be a Bug! e usa projeções de última geração para levar todos ao universo de Judy Hopps, Nick Wilde e companhia. Paralelamente, o centro de lazer se prepara para a chegada da futura área Tropical Americas, expansão inspirada em culturas e paisagens da América Latina e com previsão de abertura em 2027.
Universal e SeaWorld
Epic Universe, no complexo da Universal Orlando | Paulo Basso Jr.
Enquanto isso, na Universal Orlando, o assunto continua sendo o Epic Universe. Aberto em 2025, o parque completou seu primeiro aniversário consolidado como uma das maiores expansões da história do turismo na Flórida. Mas não para por aí: a Universal Studios terá, em 2027, uma nova montanha-russa inspirada em Velozes e Furiosos. Já a vizinha Islands of Adventure fechou a área The Lost Continent sem anunciar, por enquanto, o que será construído por lá. Rumores não oficiais apontam para desde uma possível expansão do universo Harry Potter até a abertura de um espaço dedicado a Pokémon. É esperar para ver.
Já o SeaWorld prepara a estreia de SEAQuest: Legends of the Deep, atração coberta que combinará projeções, efeitos especiais e tecnologia de ponta para transportar o visitante a uma expedição submarina em busca de criaturas lendárias dos oceanos. A experiência terá forte apelo familiar e marcará uma nova fase na estratégia da empresa de investir em atrações imersivas que unem entretenimento e elementos inspirados na vida marinha, sem depender exclusivamente das tradicionais montanhas-russas.
E é assim que, com bairros cheios de personalidade, ótimas opções gastronômicas, experiências na natureza, hotéis modernos e uma oferta crescente de atrações, Orlando mostra que pode ser bem mais diversa do que muita gente imagina. E melhor de tudo é que, entre uma descoberta e outra, os parques continuam ali, renovando-se constantemente e ajudando a sustentar toda a atmosfera que envolve o “lugar mais feliz do mundo”.
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