27 feminicídios em um mês: números recentes apontam escalada da violência contra a mulher
Anamaria

O feminicídio no Brasil continua crescendo e os números são alarmantes. Um levantamento divulgado pelo Laboratório de Estudos de Feminicídios da Universidade Estadual de Londrina revela um cenário preocupante. Segundo o relatório anual de 2025, o país registrou 6.904 casos de feminicídio consumado ou tentado. Esse número representa um aumento de 34% em comparação com 2024, quando foram contabilizadas 5.150 vítimas.
O estudo mostra que 4.755 ocorrências foram tentativas e 2.149 resultaram em assassinatos. Na prática, isso significa que quase seis mulheres morreram por dia em decorrência da violência de gênero no território nacional.
Feminicídio no Brasil: números revelam escalada preocupante
Os dados sobre feminicídio no Brasil ainda podem estar subestimados. Isso acontece porque muitos casos são inicialmente registrados como homicídios comuns, o que dificulta a identificação correta da violência contra a mulher.
Enquanto o relatório aponta mais de dois mil assassinatos, os números oficiais do Ministério da Justiça indicam 1.470 casos no mesmo período. Ou seja, o levantamento acadêmico apresenta cerca de 38% mais ocorrências.
Além disso, dados parciais de 2026 mostram que a tendência continua. Em janeiro, o estado de São Paulo registrou 27 feminicídios — o maior número já registrado para o mês. Assim, a média se aproxima de uma morte por dia apenas no estado.
Violência de gênero exige resposta rápida
Para a advogada criminalista Thamirys Fraga, especialista em violência doméstica, o feminicídio não acontece de forma repentina. “O feminicídio é geralmente o desfecho de uma sequência de agressões que começam de forma mais sutil e evoluem”, explica. Por isso, segundo ela, o poder público precisa agir rapidamente diante dos primeiros sinais de violência de gênero.
A especialista destaca a importância de fortalecer redes de proteção às vítimas. Medidas protetivas, acolhimento especializado e integração entre polícia, assistência social e Judiciário ajudam a reduzir os riscos.
Por outro lado, especialistas também avaliam que parte do aumento nos números pode estar ligada à maior conscientização social e à identificação correta dos casos como violência contra a mulher.
Esse debate ganha ainda mais visibilidade durante o Mês da Mulher, celebrado em março. Nesse período, campanhas reforçam a importância de denunciar agressões e ampliar políticas públicas de prevenção ao feminicídio no Brasil.
Resumo: O feminicídio no Brasil registrou forte aumento em 2025, com quase sete mil casos entre tentativas e assassinatos. Especialistas alertam que a violência contra a mulher muitas vezes começa com agressões menores e evolui. Por isso, a resposta rápida às denúncias e o fortalecimento das redes de proteção são essenciais para evitar novas tragédias.
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