Enedina Alves Marques: quem é a primeira engenheira negra do Brasil que desafiou o sistema e fez história
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Enedina Alves Marques se tornou a primeira engenheira negra do Brasil em uma época em que as mulheres mal podiam votar. Ela nasceu em 1913 e era filha de uma lavadeira com um lavrador no Paraná. A jovem cresceu na casa onde sua mãe trabalhava e teve a chance de estudar em colégios particulares para acompanhar a filha dos patrões.
Após se formar como professora em 1932, Enedina decidiu dar um passo ousado e ingressou na Universidade Federal do Paraná em 1940. Cinco anos depois, ela fez história ao se tornar a primeira mulher engenheira do estado e a primeira negra do país a conquistar o diploma. Sua carreira decolou rapidamente em órgãos públicos onde ela liderou projetos de hidráulica e estatística.
O maior desafio de sua trajetória foi atuar no Departamento Estadual de Águas e Energia Elétrica coordenando grandes obras hidrelétricas. Enedina trabalhava cercada por homens brancos e precisava se impor com firmeza absoluta para exercer sua autoridade. Segundo relatos da época, “ela andava com um revólver na cintura e atirava para o alto quando precisava que a escutassem“.
Apesar de sua postura rígida no trabalho, ela era conhecida pela extrema vaidade em sua vida pessoal. Infelizmente, quando faleceu aos 68 anos em 1981, a imprensa da época falhou em reconhecer seu legado grandioso. Um jornal chegou a descrevê-la apenas como uma “idosa excêntrica” em vez de exaltar suas conquistas profissionais. Atualmente, o Brasil corrige esse erro com exposições e obras que celebram Enedina com a honra que ela sempre mereceu.