Nigel: papagaio sumiu por quatro anos nos EUA e voltou falando espanhol
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A inteligência dos animais já é tema de inúmeros estudos. Corvos resolvem problemas complexos, chimpanzés usam estratégias para conseguir comida e golfinhos aprendem comandos sofisticados quando treinados. Mas existe um tipo de habilidade que sempre desperta ainda mais curiosidade: a capacidade de comunicação. E foi justamente isso que transformou a história do papagaio Nigel em um caso tão surpreendente.
Um reencontro inesperado anos depois
Quatro anos depois, a história tomou um rumo inesperado. Donos de uma pet shop local encontraram um papagaio perdido e decidiram procurar seu responsável. O animal tinha microchip, mas o registro não aparecia no sistema. A primeira hipótese foi de que ele pertencesse a uma criadora da região, que também buscava uma ave desaparecida.
Embora o papagaio não fosse dela, a mulher, chamada Teresa Micco, decidiu ajudar na investigação. A busca a levou até uma loja chamada Animal Lovers, que ainda guardava documentos antigos de venda. Com essas informações, Teresa foi até a casa do homem registrado como comprador. “Me apresentei e perguntei: ‘Você perdeu um pássaro?’”, contou ela. Darren respondeu “não”, imaginando que se tratava de um desaparecimento recente. Mas bastou olhar para o animal para reconhecer imediatamente: era Nigel.
O detalhe que ninguém esperava: Nigel agora falava espanhol
O reencontro já seria emocionante por si só. Mas havia algo ainda mais curioso: o papagaio não falava mais como antes. Se antes repetia frases em inglês com sotaque britânico, agora parecia ter adotado um novo idioma. Entre suas expressões favoritas estavam “buenos días” e “loro macho, loro macho”. O papagaio havia se tornado, literalmente, um “animal poliglota”.
O mistério se esclarece: uma nova família e uma nova língua
Poucos dias depois, quando o caso ganhou repercussão nos jornais, a explicação finalmente apareceu. Durante os anos em que esteve desaparecido, Nigel havia sido acolhido por uma família de origem guatemalteca, que o comprou em um bazar de garagem por cerca de US$ 400.
Na nova casa, ele não apenas aprendeu espanhol, como ampliou ainda mais seu repertório de sons. O papagaio passou a imitar os latidos dos três cachorros da família, o barulho do caminhão de lixo e até notas iniciais da trilha sonora de Três Homens em Conflito.
Um laço emocional que mudou tudo
O principal cuidador do papagaio era Ruben Hernandez, de 86 anos, que havia criado uma ligação profunda com o animal. Viúvo recentemente, ele vivia um luto duplo: pela perda da esposa e também pela ausência do companheiro falante, que se tornou presença constante em sua rotina.
A família de Ruben compreendeu a situação e fez apenas um pedido: que o idoso pudesse ter um último encontro com o papagaio. Sensibilizado com a história, Darren tomou uma decisão generosa. Em vez de ficar com Nigel novamente, concluiu que o melhor seria devolvê-lo ao lar onde viveu nos últimos anos.
Na nova casa, ele era chamado de Morgan – nome que ganhou com a família guatemalteca. Teresa Micco ainda ajudou construindo um aviário para garantir que o papagaio não escapasse outra vez.
Uma história sobre memória, linguagem e afeto
Tudo isso aconteceu em 2014. Desde então, não surgiram novas notícias sobre Nigel/Morgan e suas duas famílias. Mas o caso permanece como uma das histórias mais curiosas (e emocionantes) sobre inteligência animal e vínculos afetivos. Papagaios-cinzentos podem viver cerca de 60 anos em cativeiro, o que deixa a esperança de que Nigel ainda esteja por aí, conversando em duas línguas e encantando quem cruza seu caminho.
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