2026 teve o 5º Janeiro mais quente da história, segundo Copernicus
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O observatório Copernicus, ligado à União Europeia, divulgou nesta terça-feira (10) que janeiro entrou para a lista dos cinco mais quentes já registrados no mundo, mesmo com a ocorrência de ondas de frio na Europa e nos Estados Unidos.
Segundo os pesquisadores, a temperatura média global do ar em janeiro foi de 12,95°C. O valor ficou 1,47°C acima do patamar da era pré-industrial (1850 a 1900) e a apenas 0,03°C do limite de 1,5°C definido pelo Acordo de Paris, assinado em 2015. O mês ficou atrás somente de 2025, 2024, 2020 e 2016.
O relatório destaca aumentos mais acentuados no Ártico, com ênfase na Groenlândia, território ligado à Dinamarca e citado no documento por ser alvo de interesse de Donald Trump, presidente dos EUA. Quase toda a ilha registrou temperaturas ao menos 3°C acima da média de 1991 a 2020, com áreas do oeste superando 6°C. Desvios acima de 6°C também foram apontados no nordeste do Canadá e no extremo leste da Rússia.
Nos oceanos, a média registrada foi de 20,68°C, o quarto maior valor para janeiro, e partes do Atlântico norte tiveram a maior temperatura já observada para o período. No Ártico, a extensão do gelo ficou 6% abaixo da média, configurando a terceira pior marca para o mês.
Fora das regiões polares, o Copernicus indicou temperaturas acima do esperado no sul da América do Sul, no norte da África e na Ásia central, além de grande parte da Austrália e da Antártida. Na direção oposta, o continente europeu teve média de -2,34°C, a mais baixa para janeiro desde 2010 e 1,63°C inferior ao padrão de 1991 a 2020. Condições mais frias também foram registradas na Sibéria e em áreas centrais e orientais dos EUA.
Samantha Burgess, do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo, comentou o contraste: " Janeiro de 2026 trouxe um lembrete contundente de que o sistema climático pode, às vezes, provocar simultaneamente um clima muito frio em uma região e calor extremo em outra". O Copernicus acrescentou: " Essas flutuações regionais de temperatura podem temporariamente pesar mais do que a tendência de aquecimento de longo prazo, mas não contradizem nossa compreensão das mudanças climáticas".
De acordo com o observatório, as ondas de frio estiveram associadas a mudanças no padrão de circulação da corrente de jato polar, situada entre 8 e 12 km de altitude, além do enfraquecimento do vórtice polar, que favoreceu o avanço de massas de ar gelado sobre os EUA. O relatório também relaciona o cenário a uma menor diferença de temperatura entre o Ártico e as latitudes médias, condição que aumenta a chance de perturbações.
O boletim menciona ainda episódios de chuva acima do esperado com danos na Itália, no Reino Unido e na Península Ibérica; uma tempestade matou quatro pessoas na região de Lisboa. O documento também aponta precipitação acima do previsto no sudeste do Brasil e no sul dos EUA.
Na América do Sul, o Copernicus relata que a Patagônia enfrentou calor e secura, com a maior emissão de fumaça e carbono desde o início do monitoramento europeu na região.
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