Lula decreta apoio federal e reconhece calamidade em Juiz de Fora após tragédia
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (24), durante escala em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, que determinou a mobilização do Governo Federal para apoiar municípios atingidos pelas chuvas na Zona da Mata mineira. O anúncio ocorre após um episódio de temporais que afetou Juiz de Fora, Ubá e região.
De acordo com o presidente, a Força Nacional do SUS foi enviada para a área, e a Defesa Civil Nacional passou a atuar em “alerta máximo”, em articulação com o Governo de Minas Gerais. Lula também disse que o reconhecimento do estado de calamidade pública em Juiz de Fora será publicado em edição extra do Diário Oficial.
Em nota, ele declarou: " Já reconhecemos o estado de calamidade em Juiz de Fora - que será publicado em Diário Oficial ainda hoje". Lula informou ainda que telefonou para a prefeita Margarida Salomão (PT) para manifestar solidariedade e oferecer apoio federal.
Enquanto as ações emergenciais se organizam, os efeitos do temporal seguem sendo contabilizados. Até o momento, foram registradas 16 mortes em Juiz de Fora e 6 em Ubá. O número de desabrigados ultrapassa 400 pessoas, e há 17 desaparecidas.
O climatologista Renan Tristão avaliou que as chuvas foram fora do padrão para o município. Segundo ele, " O evento registrado foi absolutamente extraordinário. Nunca havia ocorrido algo nesse patamar [na cidade]". O especialista indicou que a chuva deve continuar até o fim de semana, com tendência de redução a partir de sábado, embora ressalte que não é possível antecipar a intensidade.
Tristão explicou que o cenário meteorológico envolveu a formação de uma área de baixa pressão sobre São Paulo e Minas Gerais, além do deslocamento de umidade em direção à região, somado ao aporte de umidade vindo do oceano. Ele alertou que, com o solo encharcado, novos acumulados podem favorecer ocorrências de risco: " Qualquer novo volume de chuva pode servir de gatilho para deslizamentos, já que o solo está saturado", afirma.
A previsão inicial aponta uma trégua no fim de semana com a entrada de uma massa de ar mais frio e seco, e a expectativa é de melhora nas condições do tempo na virada de fevereiro para março. O episódio também é relacionado à presença do fenômeno El Niño Costeiro, descrito como diferente do El Niño por ter atuação mais restrita geograficamente, sem abranger de forma significativa o Pacífico central.