Plantas também “gritam” quando sofrem estresse, diz estudo
Aventuras Na História

Durante séculos, plantas foram vistas pela ciência e pelo senso comum como organismos silenciosos, passivos e praticamente imóveis. Diferentemente dos animais, elas não possuem cérebro, sistema nervoso ou cordas vocais. Mas novas pesquisas estão começando a desafiar essa percepção. Segundo um estudo destacado pela revista Galileu, cientistas descobriram que plantas submetidas a situações de estresse podem emitir sons ultrassônicos que se assemelham a pequenos estalos ou “gritos”.
Os sons não podem ser ouvidos pelo ouvido humano sem equipamentos especiais, pois ocorrem em frequências muito acima da faixa auditiva da nossa espécie. Ainda assim, eles são reais, mensuráveis e aparentemente carregam informações importantes sobre o estado fisiológico das plantas.
A pesquisa foi conduzida por cientistas suíços, que utilizaram microfones extremamente sensíveis para registrar sons emitidos por diferentes espécies vegetais. Entre elas estavam plantas de tomate e tabaco submetidas a condições de estresse como falta de água e cortes em seus caules.
Os resultados chamaram atenção porque as plantas produziram uma quantidade significativamente maior de sons quando estavam sob pressão física. Em alguns casos, os pesquisadores registraram dezenas de emissões por hora. Quando as plantas estavam saudáveis e bem hidratadas, os ruídos eram muito mais raros.
Os sons se manifestam como pequenos estalos ultrassônicos, semelhantes ao barulho de plástico sendo pressionado ou a discretos cliques repetitivos. Embora invisíveis e inaudíveis para humanos sem equipamentos, eles podem ser detectados a vários metros de distância.
Mas os pesquisadores fazem uma ressalva importante: isso não significa que as plantas “gritam” da mesma forma que animais sentem dor ou expressam sofrimento consciente. O uso da palavra “grito” funciona mais como uma metáfora para facilitar a compreensão do fenômeno.
Segundo os cientistas, a explicação mais provável envolve um processo chamado cavitação.
Quando uma planta sofre desidratação severa, a pressão dentro de seus vasos condutores de água diminui. Isso pode provocar a formação e o rompimento de pequenas bolhas de ar no interior do xilema — tecido responsável pelo transporte de água das raízes para o restante da planta. Esses rompimentos gerariam vibrações capazes de produzir os sons detectados pelos microfones.
Em outras palavras, os “gritos” não seriam necessariamente um mecanismo intencional de comunicação, mas uma consequência física dos processos internos da planta.

