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Claudia Raia: “Eu sou uma mulher livre, sempre fui!” 
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Claudia Raia: “Eu sou uma mulher livre, sempre fui!” 

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Anamaria
31/01/2026 15h30
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Por Renan Pereira e Lígia Menezes

Aos 50 anos, Claudia Raia começou a sentir os primeiros sintomas da menopausa sem reconhecer o que estava acontecendo com o próprio corpo. Ondas de calor intensas, insônia, alterações de humor e dificuldades cognitivas marcaram o início do climatério. Pouco tempo depois, já em acompanhamento médico, interrompeu um tratamento de reprodução assistida e engravidou espontaneamente aos 55 anos, vivendo uma gestação considerada rara pela medicina. Após o parto e o período de amamentação, voltou a enfrentar a menopausa, agora de forma mais intensa, conciliando puerpério e climatério em um mesmo ciclo.

Essa experiência pessoal deu origem a uma série de projetos profissionais. Em “Cenas da Menopausa”, espetáculo atual da atriz, ela reúne relatos próprios e de outras mulheres para discutir sintomas, tratamentos e impactos desse período da vida feminina. 

Fora do teatro, Claudia também concluiu a gravação da série Fúria, sua primeira produção para a Netflix, e está à frente da produção de Mães – O Musical, dirigida por seu marido, Jarbas Homem de Mello. Mãe de três filhos em fases muito diferentes da vida, ela fala ainda sobre maternidade tardia, reposição hormonal, etarismo, saúde física e os ajustes necessários para lidar com o corpo e o trabalho aos 50+.

Cláudia, você tem falado bastante sobre menopausa, inclusive tem uma peça chamada “Cenas da Menopausa”. Em entrevista para Ana Maria Braga, você afirmou que entrou no climatério aos 51 anos, porém, a gravidez do Luca surgiu aos 55. Pode nos explicar cronologicamente este período, que em seu caso foi um pouco atípico, climatério seguido de gravidez?

Comecei a sentir os primeiros sintomas da menopausa aos 50, e foi um baque. Eu não sabia o que estava acontecendo comigo. Sentia calores insuportáveis, dores nas pernas, tristeza, e sempre fui muito alegre e animada. Tinha insônia, esquecimentos, uma névoa mental, irritabilidade. Meus filhos chegaram a pedir socorro pro Jarbas. E foi aí que entendemos que era a menopausa se instalando. Já estava vivendo a perimenopausa, e eu tinha iniciado um tratamento de reprodução que não prosseguiu, o hormônio deu um “boost” no meu organismo, e no mês seguinte engravidei espontaneamente. Então, aos 55 anos, engravidei e nem os médicos sabiam o que esperar. Foi um milagre da vida, um presente de Deus. Depois do parto e da amamentação, voltei à menopausa com força total. 

Como foi viver um puerpério junto com o climatério?

Foi uma montanha-russa hormonal! Vivi o puerpério e logo depois a meno voltou com força total. Costumo dizer que dei uma pausa na meno. Eu amamentei, tive leite, e depois que parei, os hormônios da menopausa voltaram com tudo. Foi desafiador, claro, mas também foi transformador. A maternidade nessa fase me trouxe serenidade. Eu estava mais consciente, mais presente, mais madura. O Luca foi muito desejado, falo que ele é nosso milagrinho.

Claudia Raia. Foto: Iude Richele
Claudia Raia. Foto: Iude Richele

Você defende a reposição hormonal, porém é de uma geração na qual a reposição foi alvo de muitos preconceitos. Você sentia algum medo antes de aderir ao tratamento?

Falo sobre menopausa no meu Instagram há mais de oito anos e estudei muito sobre o tema. Conhecia, sim, um estudo americano que gerou medo e bloqueio nas mulheres em relação à reposição hormonal, mas hoje ele já foi completamente desconsiderado. Mas, durante muito tempo, eu mesma não pude fazer reposição por causa das minhas enxaquecas. Depois, com acompanhamento médico e exames detalhados, consegui começar o tratamento e foi um verdadeiro divisor de águas. Quando o estrogênio vai embora, o impacto é brutal. No meu caso, a reposição foi uma salvação. Cada corpo é único, o essencial é ter acompanhamento médico e entender o que funciona melhor para você.

Na peça “Cenas da Menopausa”, você interpreta várias mulheres que ilustram os sintomas e desafios deste momento feminino. Pode nos contar o que de mais significativo você emprestou, da sua vida pessoal, para essas personagens?

Durante os ensaios, senti que estava revivendo a minha própria história. A peça me fez até revisar toda a minha reposição hormonal, falar sobre isso bagunçou meus hormônios de novo! No texto da Anna Rangel está a minha experiência, a dela e a de tantas mulheres que conhecemos. Estudamos muito, porque mesmo com todo o humor, a peça é uma grande prestação de serviço. O mais emocionante foi ver como o público se conectou. No final, eu me abro, compartilho minhas vivências e a gente faz uma verdadeira roda de conversa com mulheres e homens,  todo mundo quer falar, se emociona, participa. É uma catarse! Precisamos falar sobre esse segundo ato da vida da mulher, que também é um tempo de potência, conquistas e produtividade. Foi uma temporada linda, com teatros lotados no Brasil e em Portugal. E no ano que vem, voltamos com tudo, começando por Portugal!

Você acabou de gravar um trabalho com a Netflix. Como foi e o que podemos esperar dele?

Gravar a série Fúria foi maravilhoso! O elenco é incrível, o clima nos bastidores foi ótimo e essa personagem é totalmente diferente de tudo que já fiz. É meu primeiro projeto com a Netflix e eu estava doida pra trabalhar com eles. A série acompanha o Marcelo, um jovem lutador de MMA que acaba envolvido em uma perigosa teia de crimes e segredos. É aí que entra a Dienifer, minha personagem, uma agiota debochada, sedutora e provocadora, que divulga seus “negócios” nas redes sociais, sem vergonha nenhuma. Não posso contar muito mais, mas garanto: Fúria é eletrizante e vocês não vão conseguir parar de assistir. E tem mais um projeto pronto para sair! Aguardem!

Você também está produzindo a peça Mães – O Musical, com Jarbas na direção. Como é essa parceria?

É uma parceria muito bonita, Jarbas é um excelente diretor,  atento, amoroso, curioso sobre o universo feminino. E a peça Mães é uma comédia inteligente e sensível que fala da maternidade real, com suas culpas, desafios e alegrias. O espetáculo celebra as diferentes formas de maternar, sem regras nem julgamentos, e convida o público a rir, se emocionar e se reconhecer nessas mulheres que vivem o amor e o caos da maternidade. A peça está em cartaz agora no Rio de Janeiro, no Teatro das Artes, com um elenco maravilhoso  com as atrizes Jéssica Ellen (como Dani), Helga Nemeczyk (como Tina), Maria Bia (como Julia) e Giovana Zotti (como Márcia). As pessoas tem se divertido muito nas sessões, é uma gargalhada só, todos saem comentando sobre as atrizes que arrasam no palco. 

A idade de seus filhos é bem diferente. Você, como mãe mais madura, acha que está criando o mais novo de maneira diferente? O que mudou entre as criações?

Completamente diferente. Hoje sou uma mãe muito mais calma. Quando tive o Enzo e a Sophia, eu trabalhava demais, vivia na correria. Agora, com o Luca, eu priorizo a presença. Não tenho mais a pressa de antes. Aprendi que o tempo de brincar, de observar, de estar junto é o mais importante. Ele mesmo me cobra esta presença. Sinto que estou mais madura e aprendendo a equilibrar melhor as minhas demandas.

Como tem sido a rotina de mãe? O que você prioriza nos momentos com seu filho?

A rotina é deliciosa! O Luca é um menino cheio de energia, curioso, e me ensina todos os dias. Brincamos muito, ele ama fantasias, gostamos de ler histórias, cantar juntos, vou sempre com ele para a aulinha de natação. É um amor que me renova.

Você sente algum preconceito, tanto na carreira quanto em situações da vida, relacionado ao etarismo?

Sim, o etarismo existe, mas eu não deixo que me defina. Dizem que aos 40 você não pode usar cabelo comprido, saia curta, batom vermelho… Mentira! Pode e deve! A mulher de 50 hoje é ativa, moderna, conectada e poderosa. Eu não quero ser invisível. Quero ser farol para outras mulheres. E mais, somos a geração que protagoniza o crescimento da economia prateada, que movimentou R$ 1,8 trilhão no Brasil em 2024 e que deve saltar para R$ 3,8 trilhões até 2044, cerca de 35% de todo o consumo privado do país.

Sobre casamento: você disse que o Jarbas te alertou sobre os primeiros sintomas da menopausa. Como é a troca de cuidados entre vocês?

O Jarbas percebeu antes de mim que algo estava diferente e foi ele quem disse: “Amor, acho que isso é menopausa!” E era mesmo! Ele viveu tudo isso comigo e ainda topou reviver nos palcos, uma loucura deliciosa. A gente se conheceu e se apaixonou na maturidade, e desde então tem sido uma relação linda, cheia de afeto, parceria, cuidado mútuo e muito bom humor, dividindo tudo isso com nosso milagrinho. 

Como lida com a diferença de opiniões em um relacionamento? Quando sente que é preciso abrir mão da discussão?

Relacionamento é ceder, é respeitar o tempo do outro. Eu era mais impulsiva, mas com o tempo aprendi a respirar antes de responder. Nem toda discussão precisa ser ganha, às vezes o amor fala mais alto que a razão.

Sobre filhos: recentemente você publicou que sua filha se formou no exterior e o Enzo tem uma vida adulta. Você sentiu em algum momento o que chamamos de “síndrome do ninho vazio”?

A gente se fala todos os dias, mas claro que senti. É uma mistura de orgulho com saudade! Ver os filhos ganhando o mundo é a coisa mais linda, mas dá aquele apertinho no coração. Eu sempre fiz questão de construir uma relação de cumplicidade, amizade e parceria com eles porque, quando cada um segue o seu caminho, o amor continua ali, firme, conectando a gente pra sempre. Posso dizer que criei gente muito legal para este mundo!

Alimentação e beleza: pode nos falar sobre sua rotina de cuidados nessa fase da vida?

Sou superdisciplinada! Faço musculação todos os dias, que é essencial pra mulher na menopausa e também pratico pilates. Cuido da alimentação, levo minhas marmitinhas equilibradas pra todo lugar, faço suplementação e sigo direitinho meu acompanhamento médico. A reposição hormonal, o sono e a alegria são parte do meu pacote de bem-estar. Beleza, pra mim, é consequência de saúde. Ah, e invisto muito em skincare, creminhos, hidratação da pele, amo os produtinhos coreanos. 

Você já revelou sofrer muito com dores musculoesqueléticas, heranças de anos de trabalho com a dança e o corpo. Tem algum cuidado especial?

Sim, eu me cuido muito. A dança me deu tudo, mas também teve esse preço. Preciso manter um trabalho constante de fortalecimento e musculação, que é vida. Hoje entendo meus limites e respeito meu corpo.

Claudia, você tem um estilo extravagante e exuberante que parece incomodar algumas pessoas, especialmente nas redes sociais. Como você lida com críticas e com a cultura do cancelamento? Comentários maldosos te afetam? Quer mandar um recado para os haters?

Eu sou uma mulher livre, sempre fui! Falar sobre liberdade feminina ainda incomoda muita gente, mas é justamente por isso que precisamos continuar quebrando tabus. Aprendi isso com a minha mãe, Odete, uma mulher muito à frente do seu tempo. Quando falamos sobre a mulher que entra na menopausa e continua potente, sobre igualdade de espaço com os homens ou sobre sexualidade feminina, ainda causa estranhamento. Mas é aí que está a revolução: exercer a sororidade de verdade. O patriarcado nunca nos deixou fazer isso, nos separou por medo da nossa força. Agora, finalmente, estamos juntas. E juntas, somos imparáveis!

A matéria acima foi produzida para a revista AnaMaria Digital (edição 1503, de 9 de janeiro de 2025). Se interessou? Baixe agora mesmo seu exemplar da Revista AnaMaria nas bancas digitais: Bancah, Bebanca, Bookplay, Claro Banca, Clube de Revistas, GoRead, Hube, Oi Revistas, Revistarias, Ubook, UOL Leia+, além da Loja Kindle, da Amazon. Estamos também em bancas internacionais, como Magzter e PressReader.

 

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