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No Dia Mundial contra obesidade, saiba que problema não é falta de vontade
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No Dia Mundial contra obesidade, saiba que problema não é falta de vontade

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Anamaria
04/03/2026 13h30
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Muito além da estética, a obesidade é uma doença crônica que impacta a saúde física, emocional e até a vida profissional de milhões de brasileiros. No Dia Mundial da Obesidade, o Vozes do Advocacy reforça o alerta: falta informação, acesso ao tratamento e, principalmente, respeito.

“Nosso papel é ampliar a compreensão de que a obesidade é uma doença com múltiplas causas e que exige cuidado multidisciplinar. Ainda existe a falsa ideia de que se trata apenas de sedentarismo ou alimentação inadequada, quando, na verdade, estamos falando de uma condição complexa que precisa de diagnóstico precoce e tratamento contínuo”, explica Vanessa Pirolo, presidente da federação.

Atualmente, a fila para cirurgia bariátrica ultrapassa 10 anos em diversas cidades do país e essa demora custa vidas. “Por isso, nossas organizações estão mobilizadas em vários núcleos para conscientizar a população sobre os riscos dessa epidemia e, ao mesmo tempo, atuar junto ao poder público para que projetos de lei avancem e ampliem o acesso ao tratamento no Brasil”.

Panorama é sombrio e preconceito começa dentro de casa

Os números são claros: 24,3% dos adultos brasileiros vivem com obesidade e 37,1% estão com sobrepeso, segundo dados do Vigitel de 2023. Além dos impactos na qualidade de vida, os custos da doença chegam a cerca de R$ 70 bilhões por ano no país.

Além da dificuldade de acesso ao tratamento, quem vive com obesidade enfrenta discriminação diária. “Conviver com a obesidade significa lidar com preconceito todos os dias. Ele aparece nas relações afetivas, no ambiente de trabalho e até em situações simples, como usar o transporte público. No atendimento de saúde, muitas vezes o julgamento vem antes mesmo de qualquer avaliação clínica, como se tudo fosse automaticamente atribuído ao peso. Já ouvi questionamentos sobre a minha capacidade profissional por ser uma advogada com obesidade”, pontua Narjara Araújo, advogada e integrante da Comissão de Saúde da OAB Ceará.

Especialistas reforçam que a obesidade precisa ser encarada como doença crônica, e não como falha individual. “A obesidade é uma doença crônica, complexa e, muitas vezes, reincidente. Por isso, não se trata de ‘força de vontade’ nem de soluções rápidas: o cuidado efetivo exige acompanhamento prolongado, com metas realistas, reavaliações periódicas e estratégias que se sustentem no dia a dia”, explica Daniela Alves, nutricionista.

Como doença crônica, quadro precisa de acompanhamento constante

Além da dificuldade de acesso ao tratamento, quem vive com obesidade enfrenta discriminação diária. Foto: Pixabay.
Além da dificuldade de acesso ao tratamento, quem vive com obesidade enfrenta discriminação diária. Foto: Pixabay.

Sem tratamento contínuo, aumentam as chances de complicações como diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, alguns tipos de câncer, apneia do sono, doença hepática gordurosa, dores articulares e impactos na saúde mental.

O alerta também se estende aos rins: o Brasil tem mais de 172 mil pessoas em diálise, sendo 85% atendidas pelo SUS. Apenas em 2023, foram realizados mais de 17 milhões de procedimentos renais, com repasse de R$ 4,3 bilhões.

A obesidade é um fator de risco majoritário para o desenvolvimento de doenças renais crônicas (DRC), nefropatias e pedras nos rins (nefrolitíase), agindo diretamente através de alterações hemodinâmicas e inflamatórias. Por isso, ao longo de março, o Vozes do Advocacy promove ações de conscientização em 13 cidades brasileiras, com triagens gratuitas, orientação à população e mobilização junto ao Congresso Nacional.

Campanha do Rim reforça alerta sobre complicações

Com o tema “Cuidar de pessoas e proteger o planeta”, a campanha chama a atenção para a necessidade de políticas públicas inclusivas e sustentáveis, além de estimular pessoas com diabetes e obesidade a realizarem exames simples, como creatinina e albuminúria, capazes de identificar alterações renais ainda nas fases iniciais.

Ao longo de todo mês, as organizações vinculadas à Federação promovem atendimentos gratuitos, testes de creatinina, aferição de pressão arterial, e orientações nutricionais. O Vozes também realiza em março o I Fórum de Diabetes, Doenças Cardiovasculares e Renais, em Porto Alegre junto com o Instituto da Criança com Diabetes.

A bateria de eventos visa chamar a atenção do Ministério da Saúde, das Secretarias de Saúde do Estado do Rio Grande do Sul e de Porto Alegre, sobre os problemas do Sistema Público de Saúde com relação a estas condições. “Reconhecer a obesidade como doença, garantir cuidado contínuo e investir em prevenção é caminho decisivo para evitar complicações graves, inclusive a insuficiência renal”, enfatiza Vanessa Pirolo.

Leia a matéria original aqui.

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do TIM NEWS, da TIM ou de suas afiliadas.
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