Será que você é uma 'falsa magra'? Entenda o termo
Anamaria

Para muita gente, ver o ponteiro da balança estabilizado é sinônimo de dever cumprido com a saúde. No entanto, esse número pode ser um vilão silencioso. Em um cenário onde quase 40% dos adultos brasileiros não praticam atividades físicas, surge com força nos consultórios o perfil da sedentária magra. O alerta para essa condição ganha destaque neste dia 10 de março, data em que se celebra o Dia Nacional do Combate ao Sedentarismo.
A ideia de que o Índice de Massa Corporal, o IMC, define sozinho quem é saudável está sendo superada. “Muitas pacientes chegam ao consultório celebrando um peso estável, mas a bioimpedância revela uma realidade assustadora: uma porcentagem de gordura visceral altíssima escondida sob uma massa muscular quase inexistente. É a chamada obesidade oculta”, explica a endocrinologista Fernanda Parra.
Gordura visceral e os riscos invisíveis
Diferentemente daquela gordurinha que a gente consegue pinçar com os dedos ou que incomoda na hora de fechar a calça, a gordura visceral fica escondida entre os órgãos vitais. Ela é considerada perigosa por agir como se fosse um órgão doente, liberando substâncias inflamatórias no corpo de forma contínua.
Para quem mantém uma rotina imóvel, mesmo sem excesso de peso, esse acúmulo de gordura interna pode desencadear problemas graves. Entre as principais complicações estão o Diabetes Tipo 2, causado pela resistência à insulina, e a esteatose hepática, que é o acúmulo de gordura no fígado. Além disso, a má composição do corpo inflama as artérias, o que eleva consideravelmente as chances de ocorrência de infartos e episódios de AVC.
Músculo como aliado da longevidade
A proteção contra essas doenças não está apenas em perder peso, mas em ganhar massa magra. O tecido muscular deve ser visto como um item de sobrevivência e não apenas como um objetivo estético. “Ele consome glicose, regula a saciedade e combate a inflamação. Quando paramos de nos mexer, esse motor desliga, facilitando doenças crônicas, perda de mobilidade, e menor expectativa de vida”, ressalta Fernanda.
Para reverter o quadro de falsa magra, a recomendação é mudar o foco. Em vez de monitorar apenas os quilos totais, o ideal é gerenciar a composição corporal, investindo em exercícios de força, como a musculação, e em uma ingestão adequada de proteínas.
Essas escolhas são fundamentais para manter o metabolismo ativo e garantir um envelhecimento com mais energia e proteção contra inflamações.
Resumo:
O termo falsa magra refere-se a pessoas com peso normal, mas alta taxa de gordura visceral e pouca musculatura. Essa condição, chamada de obesidade oculta, aumenta o risco de diabetes e doenças cardíacas mesmo sem excesso de peso aparente.
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