ELA: entenda a doença que levou Eric Dane à morte aos 53 anos
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A morte do ator Eric Dane, aos 53 anos, reacendeu o debate sobre a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), condição neurológica rara, progressiva e ainda sem cura. O artista enfrentava o diagnóstico desde o ano passado e, segundo familiares, transformou sua experiência em um movimento de conscientização sobre a enfermidade.
Reconhecido mundialmente por interpretar o Dr. Mark Sloan na série Grey’s Anatomy e por viver Cal Jacobs em Euphoria, Dane construiu uma carreira sólida na televisão e no cinema, atravessando diferentes gerações de público.
O que é a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA)?
A ELA é uma das principais doenças neurodegenerativas, ao lado do Parkinson e do Alzheimer. Ela compromete progressivamente os neurônios motores, células responsáveis por enviar comandos do cérebro para os músculos. Com o avanço da doença, esses neurônios se deterioram ou morrem, interrompendo a comunicação com a musculatura. O resultado é a perda gradual dos movimentos voluntários.
A progressão costuma ser lenta, mas contínua. Inicialmente, surgem sinais como fraqueza em braços ou pernas. Com o tempo, tarefas simples tornam-se desafiadoras. Entre as principais manifestações, estão:
- Perda gradual de força e coordenação;
- Dificuldade para subir escadas ou caminhar;
- Cãibras e contrações musculares involuntárias;
- Alterações na fala (fala arrastada);
- Rouquidão;
- Engasgos frequentes;
- Dificuldade para engolir;
- Perda de peso;
- Comprometimento da respiração.
Nos estágios mais avançados, quando os músculos responsáveis pela respiração deixam de funcionar adequadamente, o organismo já não consegue manter a ventilação de forma independente.
Quais são as causas?
Ainda não há uma causa única estabelecida. A idade é o principal fator de risco – a maioria dos diagnósticos ocorre entre 55 e 75 anos. Cerca de 10% dos casos têm origem genética. Outros fatores estudados incluem: alterações químicas cerebrais (como excesso de glutamato); disfunções imunológicas; e problemas no processamento de proteínas pelas células nervosas.
O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na avaliação médica detalhada e exame físico. Para confirmar a suspeita e descartar outras doenças, podem ser solicitados: exames de sangue; ressonância magnética ou tomografia; eletromiografia; testes respiratórios; exame genético; punção lombar.
Existe tratamento?
A ELA não tem cura. Em geral, a sobrevida varia entre três e cinco anos após o diagnóstico. De acordo com dados do Ministério da Saúde, cerca de 25% dos pacientes vivem mais de cinco anos. Um dos casos mais conhecidos mundialmente foi o do físico britânico Stephen Hawking, que conviveu com a doença por mais de cinco décadas, tornando-se uma exceção estatística.
Embora não exista cura, há tratamento para controle dos sintomas e melhora da qualidade de vida. O acompanhamento costuma envolver equipe multidisciplinar, com: medicamentos específicos; fisioterapia; terapia ocupacional; fonoaudiologia; suporte respiratório quando necessário.
Uma carreira que marcou gerações
Nascido em San Francisco, Eric William Dane iniciou a trajetória artística na televisão aberta, participando de produções como Saved by the Bell e The Wonder Years. O reconhecimento global veio em 2006, quando assumiu o papel do cirurgião plástico Mark Sloan em Grey’s Anatomy. O personagem – apelidado de “McSteamy” – tornou-se um dos mais emblemáticos da série e ajudou a consolidar o nome do ator internacionalmente.
Posteriormente, Dane protagonizou The Last Ship e expandiu sua presença no cinema com títulos como X-Men: The Last Stand, Marley & Me e Bad Boys: Ride or Die. Ao longo de mais de 30 anos de carreira, transitou entre televisão aberta, produções a cabo, streaming e cinema comercial, deixando personagens que atravessaram gerações.
A morte de Eric Dane não apenas comove fãs e colegas, mas também amplia a visibilidade de uma doença ainda pouco compreendida. Falar sobre ELA é, também, um convite à informação, ao cuidado e à valorização da pesquisa científica – caminhos essenciais diante de enfermidades neurodegenerativas que ainda desafiam a medicina.
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