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Por que o uso recreativo de tadalafila pode ser tão perigoso?
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Por que o uso recreativo de tadalafila pode ser tão perigoso?

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Bons Fluidos
10/03/2026 11h30
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A tadalafila, medicamento recomendado para tratar disfunção erétil em homens a partir dos 40 anos, tem sido usada de modo recreativo por jovens brasileiros. Nas redes sociais, o fármaco ganhou o apelido de “tadala” e aparece em vídeos que o apresentam como uma espécie de solução milagrosa, capaz de garantir bom desempenho sexual e até atuar como pré-treino para potencializar ganhos musculares. O problema é que esses supostos benefícios não são amparados por evidências científicas. Na verdade, a prática pode ser muito perigosa para quem não tem indicação clínica.

Contudo, é justamente quem não tem qualquer diagnóstico que mais utiliza esse remédio. Uma revisão publicada em 2024 no Diversitas Journal analisou mais de 20 estudos brasileiros e estrangeiros das últimas duas décadas e revelou que, apesar de o perfil dos usuários da tadalafila e similares ser heterogêneo — sem um padrão único de estado civil, escolaridade, raça ou condição socioeconômica —, há um traço recorrente: a aquisição da medicação sem prescrição médica.

O que explica a popularização de tadalafila?

Tadalafila, vardenafila e sildenafila (este último, mais conhecido pelo nome comercial Viagra) são inibidores da fosfodiesterase tipo 5 (iF5). Por isso, são indicados para combater a disfunção erétil orgânica. Eles agem relaxando os tecidos penianos e aumentando o fluxo arterial nos corpos cavernosos do órgão sexual, gerando ereções mais rígidas.

Isso significa que, em homens sem problema fisiológico, não há ganho real. Esses remédios não são capazes de manter a ereção por um período maior. Ademais, não conseguem ampliar o tempo de coito ou tornar o pênis maior e mais grosso. “A sensação de pump (inchaço muscular momentâneo) relatada por usuários provavelmente se deve à vasodilatação periférica transitória e representa um efeito placebo”, alerta a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), em nota publicada em 2025.

Riscos à saúde física

Os principais efeitos colaterais dos inibidores da fosfodiesterase tipo 5 decorrem do próprio mecanismo de ação: a vasodilatação sistêmica, que leva ao rubor facial e à congestão nasal. No entanto, o uso abusivo pode causar taquicardia, alteração da pressão arterial, desmaio, perda temporária de visão ou audição e, em casos mais graves, infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e morte súbita.

Outra consequência possível é o priapismo, uma ereção anormal, persistente, não acompanhada de desejo sexual e, muitas vezes, dolorosa. A condição atinge, sobretudo, pacientes com comprometimento hepático, que têm dificuldade para metabolizar o fármaco, fazendo com que permaneça por mais tempo no organismo.

No uso recreativo, o consumo desses remédios junto a bebidas alcoólicas pode levar a um efeito paradoxal. Isso porque, embora o álcool também cause uma ação vasodilatadora no corpo, ele é depressor do sistema nervoso central, reduzindo a atividade dopaminérgica. Assim, como resultado, pode comprometer o sucesso da ereção.

Impactos emocionais do tadalafila

E os riscos à saúde não são apenas físicos. “Não há evidência de dependência fisiológica desses medicamentos, eles não provocam síndrome de abstinência ou alterações bioquímicas persistentes. Entretanto, pode haver dependência psicológica”, aponta Santos. Hoje, é comum que os jovens tenham dificuldade em interações sociais, já que a comunicação acontece, principalmente, por meio de mensagens e vídeos. Soma-se a isso o impacto da pornografia, que cria uma idealização do sexo e, atualmente, está mais acessível. Esse cenário leva a dificuldades de relacionamento e frustrações.

Uso sem prescrição ou acompanhamento

Em um estudo publicado em 2020 no International Journal of Clinical Practice, pesquisadores da Universidade de Pequim, na China, entrevistaram mais de 92 mil homens jovens e verificaram que, dos quase 25 mil que tomaram algum tipo de medicamento para disfunção erétil, 51% o fizeram sem o devido aconselhamento profissional.

Isso é agravado pela circulação de formulações irregulares dessas substâncias, inclusive no Brasil. Na internet, não é difícil encontrar gomas e suplementos que não têm autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e podem apresentar alto risco de contaminação. “Quando esses medicamentos estão em embalagens que não remetem a um remédio, para atingir o público jovem, a banalização é inevitável. A única forma de enfrentar isso é por meio da orientação e da conscientização da população”, aponta o médico do Einstein.

O combate à automedicação pode se dar por meio de campanhas educativas. Além disso, considerando que grande parte das aquisições ocorre sem prescrição médica, o farmacêutico também deve desempenhar um papel central nessa missão, reforçando a obrigatoriedade da receita e alertando no momento da venda. “Não se utiliza um antibiótico antes de chegar a um diagnóstico, tampouco se prescreve um análogo de GLP-1 sem considerar critérios clínicos. O mesmo precisa ocorrer com a tadalafila, a sildenafila e a vardenafila. Elas só podem ser adotadas mediante indicação médica”, observa Santos.

“Um episódio isolado de falha na ereção pode gerar insegurança. No entanto, isso é normal e não constitui justificativa para o uso sistemático desses medicamentos”, acrescenta o pesquisador da USP-RP. Se esse tipo de situação estiver ocorrendo com você, procure um médico especialista para investigar o que pode estar por trás e qual o melhor tratamento.

*Texto escrito por Arthur Almeida, da Agência Einstein 

Leia também: Disfunção erétil: possíveis causas e tratamentos fitoterápicos

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do TIM NEWS, da TIM ou de suas afiliadas.
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