Você sabia que existem diferentes tipos de insônia? Entenda!
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Durante muito tempo, a insônia foi resumida a um único problema: não conseguir dormir. Mas a ciência vem mostrando que o distúrbio é bem mais complexo (e personalizado) do que se imaginava. Estudos recentes indicam que existem diferentes tipos e perfis de insônia, com origens, comportamentos e impactos distintos no corpo e na saúde mental. Essa descoberta ajuda a explicar por que uma estratégia funciona para algumas pessoas, enquanto para outras parece não surtir efeito algum.
Mais do que contar horas de sono, os pesquisadores passaram a observar como o cérebro reage, como cada pessoa lida com o estresse e quais emoções acompanham as noites mal dormidas. O resultado: dormir pouco pode ter significados muito diferentes de pessoa para pessoa.
O que realmente caracteriza a insônia?
A insônia vai além de uma noite ruim. Para ser considerada um distúrbio clínico, ela precisa ocorrer pelo menos três vezes por semana, por mais de três meses, e vir acompanhada de prejuízos durante o dia, como cansaço excessivo, dificuldade de concentração, irritabilidade ou queda no rendimento profissional e social.
Os sinais mais comuns incluem: dificuldade para pegar no sono; despertares frequentes ao longo da noite; acordar antes do horário planejado e não conseguir dormir novamente; sensação de sono não reparador, mesmo após várias horas na cama.
Três formas clássicas de insônia
De maneira prática, a insônia costuma se manifestar em três padrões principais, relacionados ao momento em que o sono é interrompido:
1. Insônia inicial
É a dificuldade para adormecer. A pessoa deita cansada, mas a mente continua acelerada. Pensamentos, preocupações e estímulos externos – como o uso de telas antes de dormir – costumam ser os principais gatilhos.
2. Insônia intermediária
Aqui, o problema é manter o sono. O indivíduo adormece, mas acorda várias vezes durante a noite e tem dificuldade para voltar a dormir. Esse padrão pode estar ligado a outros distúrbios do sono, alterações hormonais, refluxo, apneia ou uso de certos medicamentos.
3. Insônia terminal
Conhecida como despertar precoce, ocorre quando a pessoa acorda muito antes do horário desejado, como se o dia já tivesse começado. É comum em quadros de depressão, estresse intenso ou alterações emocionais e hormonais.
Os cinco perfis de insônia identificados pela ciência
Além dessas classificações tradicionais, estudos recentes mostraram que a insônia também pode ser dividida em cinco perfis, definidos não pela quantidade de sono, mas pelo nível de sofrimento emocional e traços de personalidade.
- Tipo 1: pessoas com alto grau de angústia, ansiedade e tendência à depressão. Costumam ter as formas mais persistentes e difíceis de tratar;
- Tipo 2: indivíduos com sofrimento moderado, que respondem bem a estímulos positivos e à terapia cognitivo-comportamental;
- Tipo 3: baixo sofrimento emocional, mas dificuldade em sentir prazer (anedonia), o que reduz a eficácia de tratamentos convencionais;
- Tipos 4 e 5: formas mais leves, geralmente associadas a períodos específicos de estresse, sem carga psicológica profunda.
O dado mais preocupante é que a maioria das pessoas com insônia crônica se concentra justamente nos perfis que menos respondem a soluções genéricas, o que reforça a importância de um olhar individualizado.
Por que não existe um único tratamento?
A grande virada trazida por essas descobertas é clara: não há um remédio ou técnica universal para a insônia. O tratamento mais eficaz costuma combinar diferentes abordagens, de acordo com o tipo e o perfil do paciente. Entre as principais estratégias estão:
- Higiene do sono, com ajustes de rotina, ambiente adequado e redução de estímulos noturnos;
- Terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I), considerada o padrão-ouro no tratamento;
- Uso criterioso de medicamentos, apenas quando necessário e sempre com acompanhamento médico.
Como alertam os especialistas, entender como cada pessoa dorme é tão importante quanto saber quanto ela dorme.
Um convite ao autocuidado noturno
Em um mundo que estimula a produtividade constante, a insônia também pode ser um sinal de que algo pede pausa e reorganização. Mais do que buscar soluções rápidas, o caminho passa por observar hábitos, emoções e limites. Dormir bem não é luxo. É base para saúde física, equilíbrio emocional e qualidade de vida. E, como a ciência vem mostrando, respeitar as diferenças individuais pode ser o primeiro passo para noites realmente restauradoras.
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