Queda histórica: mortalidade infantil no Brasil recua 72% desde 1990
Anamaria

O Brasil alcançou um marco importante na saúde pública: a mortalidade infantil no país caiu drasticamente nas últimas três décadas. De acordo com relatório divulgado pelo UNICEF e parceiros, o país registrou em 2024 as menores taxas da história tanto para crianças menores de cinco anos quanto para recém-nascidos.
De acordo com o relatório Levels & Trends in Child Mortality, em 1990, a cada mil crianças nascidas, 63 morriam antes dos cinco anos. Agora, esse número caiu para 14,2 — uma redução de 77%. Além disso, a mortalidade neonatal também apresentou avanço significativo: passou de 25 para sete mortes por mil nascidos vivos, uma queda de 72%.
Mortalidade infantil no Brasil atinge menor nível da história
O impacto dessa transformação aparece com ainda mais força nos números absolutos. Em 1990, o país registrava cerca de 92 mil mortes de recém-nascidos por ano. Em 2024, esse total caiu para menos de 19 mil — ou seja, mais de 70 mil vidas preservadas anualmente.
Segundo especialistas, a redução da mortalidade infantil no Brasil está diretamente ligada à ampliação de políticas públicas. Programas como o Saúde da Família e o fortalecimento da atenção primária no SUS ampliaram o acesso aos cuidados básicos.
Além disso, campanhas de vacinação e incentivo ao aleitamento materno tiveram papel decisivo. Como resultado, mais crianças passaram a sobreviver e se desenvolver com saúde.
Avanços na saúde pública e desafios atuais
A queda da mortalidade neonatal também reflete melhorias no atendimento durante a gestação e o parto. No entanto, o relatório alerta: o ritmo de redução desacelerou nos últimos anos.
Entre 2000 e 2009, a queda anual era de quase 5%. Já entre 2010 e 2024, caiu para cerca de 3,1%. Ou seja, embora o país avance, a velocidade diminuiu.
Enquanto isso, no cenário global, a preocupação aumenta. Em 2024, cerca de 4,9 milhões de crianças morreram antes dos cinco anos — muitas por causas evitáveis, como infecções e complicações no parto.
Desigualdade e causas evitáveis ainda preocupam
Apesar dos avanços, a mortalidade infantil no Brasil ainda enfrenta desafios. Complicações da prematuridade e problemas no parto seguem como principais causas entre recém-nascidos.
Após o primeiro mês de vida, doenças como pneumonia e diarreia ganham destaque. Além disso, a desnutrição também contribui para o agravamento de quadros de saúde.
Portanto, especialistas reforçam a necessidade de manter investimentos em saúde pública. Afinal, políticas eficazes continuam sendo essenciais para salvar vidas — especialmente nas regiões mais vulneráveis.
Resumo: O Brasil reduziu drasticamente a mortalidade infantil nas últimas décadas, atingindo níveis históricos em 2024. Apesar dos avanços, o ritmo de melhora desacelerou. Especialistas defendem a continuidade de políticas públicas para manter os resultados.
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