Há 15 anos, avião que saiu do Rio com destino a Paris causava 228 mortes
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Aventuras Na História
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Nesta sexta-feira, 31 de maio, chegou ao Globoplay o novo documentário 'Rio-Paris: A Tragédia do Voo 447'. O lançamento ocorre 15 anos após o terrível acidente que vitimou, entre tripulação e passageiros, 228 pessoas — das quais 59 eram brasileiros.
O voo AF447, da companhia Air France, saiu do Rio de Janeiro às 19h30 do dia 31 de maio de 2009. Porém, algumas horas após a decolagem, já na madrugada do dia 1º de junho, a aeronave caiu em meio ao Oceano Atlântico, pouco depois de deixar o Nordeste brasileiro; ninguém sobreviveu.
Vale mencionar que o local em que a queda ocorreu é considerado de difícil acesso, por isso demorou alguns dias para que os primeiros corpos e restos do avião fossem encontrados. Já as caixas pretas e a maior parte da fuselagem, foram localizadas anos depois, em abril de 2011.
Segundo revelou as investigações, a queda do avião ocorreu graças a uma série de fatores. Por exemplo, ele passou por uma forte tempestade tropical no trajeto, próxima à linha do Equador, da qual várias outras aeronaves já haviam desviado. Então, devido às baixas temperaturas, os tubos de pitot — que apontam a velocidade do avião — congelaram, e o piloto automático foi desligado.
Nesse momento, quem estava comandando a aeronave era Pierre-Cedric Bonin, de 32 anos, o menos experiente dos comandantes a bordo; Marc Dubois, de 58 anos, o mais experiente, estava dormindo.
Sem os tubos de pitot, o avião começou a sofrer com o estol, perdendo sua sustentação. Nessa situação, o que deve ser feito pelo piloto é abaixar o nariz da aeronave, mas sem entender exatamente o que enfrentava, Bonin optou por levantá-lo. O controle do avião não foi recuperado e, mesmo com a eventual intervenção do comandante mais experiente, ele colidiu com o mar.
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Inquérito
Segundo o UOL, a versão final do inquérito sobre o acidente foi apresentada somente 3 anos depois, em 2012, pelo Escritório de Investigação de Acidentes Aéreos da França. Segundo o órgão, a tragédia foi provocada por uma junção de falhas mecânicas, erros dos pilotos e falta de treinamento de toda a tripulação para pilotagem manual.
Segundo o documento, a decisão errada do copiloto não foi condizente com o procedimento padrão, e as informações fornecidas pela própria aeronave teriam sido contraditórias, podendo "ter confundido os pilotos e os induzido ao erro". Também é descrito que o acidente "poderia ter acontecido com qualquer outra tripulação".
Disputa jurídica
Embora os relatórios tenham apontado falhas mecânicas no incidente, o caso jurídico contra a Airbus e a Air France foi eventualmente arquivado, em agosto de 2019. Porém, isso seria apenas mais uma disputa judicial sobre o caso que, até recentemente, seguia na Justiça.
Em 2021, familiares das vítimas e o sindicato de pilotos recorreram, e os processos por homicídios involuntários foram reabertos contra a Airbus e a Air France. "Esperamos que este processo seja o julgamento da Airbus e da Air France e não dos pilotos", declarou a presidente da associação de parentes de vítimas na época.
No caso, a Air France foi julgada por não implementar o treinamento adequado e nem fornecer informações necessárias aos pilotos sobre o possível congelamento dos tubos de pitot. Já a Airbus, por "subestimar a gravidade" das falhas nas sondas de velocidade, colaborando inclusive no mau-treinamento das tripulações. Porém, ambas as empresas negavam qualquer culpa.
Por fim, em abril de 2023, quase 14 anos após o acidente, a Airbus e a Air France foram absolvidas de qualquer culpa, com a Justiça Francesa concordando com a declaração de inocência, atestando que embora as empresas tenham cometido algumas falhas, ainda não era possível estabelecer uma relação de causalidade com o acidente. Ainda assim, a Air France indenizou as famílias de algumas das vítimas.
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