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Mortes em série alimentam teorias sobre seitas e tráfico na Bulgária
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Mortes em série alimentam teorias sobre seitas e tráfico na Bulgária

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Aventuras Na História
10/02/2026 12h33
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© Crédito: Divulgação/Captura de tela/Youtube
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Um pastor localizou uma caravana escondida em uma trilha na floresta abaixo do Monte Okolchitsa, no noroeste da Bulgária, no último domingo, 8. No interior do veículo estavam os corpos de dois homens e de um adolescente de 15 anos, todos mortos com disparos na cabeça. A descoberta ocorreu seis dias após o desaparecimento do trio e adicionou novos elementos a uma investigação policial já marcada por complexidade e que apura também a morte de outros três homens encontrados em 2 de fevereiro em uma cabana incendiada nas proximidades do Passo de Petrohan, a cerca de 16 quilômetros dali.

De acordo com a Direção-Geral da Polícia Nacional, todos os seis mortos tinham vínculos com a mesma organização ambiental. Conforme informou Natalia Nikolova, a promotora responsável pelo inquérito, a apuração considera duas hipóteses principais: homicídio seguido de suicídio ou uma sequência de suicídios, possibilidades que alimentaram especulações e dividiram a opinião pública.

Segundo a agência Reuters, o primeiro episódio ocorreu no dia 2 deste mês. Na ocasião, bombeiros foram acionados para conter um incêndio em uma cabana na região de Petrohan. Lá, foram encontrados os corpos do advogado de 49 anos Ivaylo Ivanov, do contador de 45 Decho Vasilev e também de Plamen Statev, instrutor de mergulho de 51 anos. Todos apresentavam ferimentos de bala na cabeça. As autoridades também destacam que dois cães foram encontrados mortos no andar de cima, que havia sido parcialmente destruído pelo fogo.

As vítimas, é importante dizer, integravam a Agência Nacional para o Controle de Áreas Protegidas, uma ONG que mantinha um acordo-quadro com o Ministério do Meio Ambiente para atividades de monitoramento ambiental na região próxima à fronteira com a Sérvia.

O local em questão servia como base operacional da ONG, cujo acordo com o Ministério do Meio Ambiente foi encerrado em junho de 2025, após uma auditoria interna concluir que a entidade não possuía “propósito claro” nem “base legal”.

As perícias apontaram que as três mortes em Petrohan ocorreram por disparos à queima-roupa, aparentemente autoinfligidos. No local, foram recolhidas quatro cápsulas, duas pistolas e um rifle, com vestígios de DNA compatíveis apenas com os das vítimas, segundo os investigadores. No caso da caravana encontrada em Okolchitsa, a polícia concluiu que os disparos partiram de dentro do veículo. Dois dos corpos apresentavam ferimentos de bala na cabeça, enquanto a autópsia do terceiro ainda estava em andamento.

Suicídio coletivo?

A hipótese de suicídio coletivo, no entanto, é questionada. Em entrevista a uma rádio local, o ex-chefe da polícia de fronteira Plamen Hristanov afirmou que o grupo pode ter “presenciado algo terrível” durante as patrulhas. Ele também relacionou o caso às rotas de tráfico entre Sérvia e Bulgária, parte da chamada Rota dos Bálcãs, que foi historicamente associada ao contrabando de drogas, migrantes e madeira ilegal.

O episódio ainda ganhou dimensão política. Nikolai Denkov, primeiro-ministro entre 2022 e 2023, acusou instituições estatais de conduzirem um “esforço coordenado para encobrir os fatos”. Já Denyo Donev, diretor da Agência Estatal de Segurança Nacional, afirmou ter recebido, dois anos antes, informações sobre supostos crimes sexuais contra menores na cabana. Ele, no entanto, não esclareceu por que nenhuma medida foi tomada. A declaração gerou reação de amigos das vítimas, que negam qualquer irregularidade e relatam ter sofrido ameaças recentes.

Até agora, nenhuma substância ilícita foi localizada nos locais analisados. A polícia requisitou 18 exames periciais, entre eles análises balísticas, de incêndio e de DNA, e ouviu ao menos 15 testemunhas. Segundo as autoridades, as apurações seguem em andamento, com foco em possíveis vínculos com seitas religiosas, tráfico de pessoas e outras atividades criminosas.

Esse texto não reflete, necessariamente, a opinião do TIM NEWS, da TIM ou de suas afiliadas.
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