Por que a água do Rio Tietê está ficando verde?
Aventuras Na História
Moradores de cidades do interior de São Paulo foram surpreendidos, nos últimos dias, por uma mudança drástica na aparência do Rio Tietê. Em um trecho de aproximadamente 100 quilômetros, a água passou a exibir uma coloração verde intensa, acompanhada por mau cheiro, aumento da densidade e até relatos de mortandade de peixes.
Segundo a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), a principal explicação para o fenômeno está na chamada eutrofização — um processo ambiental caracterizado pelo aumento excessivo de nutrientes na água, como fósforo e nitrogênio. Esse cenário favorece a proliferação de algas e cianobactérias, que alteram a cor do rio e impactam diretamente sua qualidade.
Tietê verde?
As condições climáticas recentes ajudam a entender por que o problema se intensificou. A combinação de altas temperaturas e chuvas frequentes cria um ambiente ideal para o crescimento acelerado dessas algas. Com mais calor e maior presença de matéria orgânica trazida pelas chuvas, o rio se torna um meio propício para esse tipo de floração.
O resultado vai além da mudança estética. A proliferação de algas reduz os níveis de oxigênio dissolvido na água, prejudicando a vida aquática e podendo levar à morte de peixes — um efeito já observado por moradores da região. Além disso, a formação de uma espécie de “nata” na superfície e o odor desagradável indicam desequilíbrio ambiental significativo.
Embora preocupante, o fenômeno não é inédito. Episódios semelhantes já foram registrados no próprio Tietê e em outros corpos d’água do estado, especialmente em períodos mais quentes. Especialistas alertam, no entanto, que eventos como esse podem se tornar mais frequentes e intensos com o avanço das mudanças climáticas, que elevam as temperaturas médias e alteram os padrões de chuva.
Além dos fatores naturais, a poluição histórica do Rio Tietê também contribui para o problema. O acúmulo de esgoto e resíduos industriais ao longo de décadas fornece os nutrientes que alimentam a eutrofização, tornando o rio mais vulnerável a esse tipo de transformação.

