Defesa de Daniel Vorcaro propõe delação premiada para o caso Master
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A negociação de uma possível delação premiada envolvendo Daniel Vorcaro avançou em meio a tratativas que chegam ao Supremo Tribunal Federal (STF) e à Polícia Federal (PF), com a defesa propondo um formato que inclua também a Procuradoria-Geral da República (PGR) no mesmo arranjo.
Segundo o que foi relatado a partir de conversas ligadas ao caso Master, o advogado José Luís de Oliveira Lima apresentou ao ministro André Mendonça, relator no STF, a ideia de uma delação em modelo conjunto envolvendo PF e PGR. O ministro teria dado sinalização favorável ao desenho, visto como uma forma de reduzir riscos de questionamentos posteriores.
A iniciativa é descrita como incomum em grandes delações no Brasil, e ocorre em um cenário em que PF e PGR disputam espaço sobre o protagonismo de investigações — tema que ainda é objeto de debate no próprio STF.
No caso, as tratativas são apontadas como especialmente complexas pelo alcance das relações atribuídas a Vorcaro, o que exigiria alinhamento entre a defesa, os órgãos e André Mendonça. Ainda assim, a avaliação mencionada após o encontro é de que o objetivo seria levar adiante uma delação premiada “séria”.
Paralelamente, fontes vinculadas à investigação afirmaram que a defesa sustenta que Vorcaro está disposto a “não poupar ninguém” e que pretende apresentar provas inéditas, em volume superior ao material já apreendido. O possível acordo também pode envolver João Carlos Mansur, ex-controlador da Reag Investimentos, que é defendido pelo mesmo advogado.
Em outra frente, a PF informou ter identificado a “reintrodução” de dados sigilosos no ambiente do Senado Federal, em desobediência a uma proibição determinada por André Mendonça. De acordo com a corporação, parlamentares voltaram a acessar arquivos secretos diretamente da “nuvem”, fato percebido durante perícia e extração de materiais da CPMI do INSS.
Na última segunda-feira, Mendonça havia proibido a CPMI de acessar informações e objetos de Vorcaro, que estavam guardados em sala-cofre no Senado, e determinou que a PF retirasse do local conteúdos referentes à vida privada do empresário. O STF também busca identificar os responsáveis por vazamentos de dados pessoais.
Já nesta quarta-feira (18/3), Vladimir Timerman, fundador da Esh Capital, participou da CPI do Crime Organizado e caracterizou Vorcaro como “pau mandado”, associando a atuação do banqueiro à existência de um sócio oculto ligado ao Banco Master.
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